Orelha:
E eis que do ovo se rompe a casca e em vez do tradicional pintinho implume aparece uma avisrara. É um humorista. É assim que nasce um humorista e é assim que apresento para vocês o Wagner Martins, que também atende pela alcunha de MrManson. Na verdade, o Wagner já é um galo velho no mundo das piadas e da chalaça. O famoso MrManson é o cumandante e o pau mandado de um dos melhores sites de humor que eu conheço, o sensacional Cocadaboa, que se você ainda não conhece, não sabe o que esta perdendo.
Pois é, o Wagner resolveu dar uma marcha a ré tecnológica e agora salta do mundo virtual para uma aventura na literatura dos road books humorísticos. Transpiauí, uma peregrinação proctológica (que eu espero que seja o primeiro livro de uma longa série), além de divertido e engraçado, vai resolver um problema. Você nunca mais na vida vai ter que visitar esta simpática e calorenta unidade da Federação. Você já esteve no Piauí com o MrManson, a melhor companhia para visitar lugares insólitos e outros cus do mundo. Como você poderá verificar pessoalmente, trata-se de um livro anal e deve ser lido de uma sentada. Mas cuidado, não se esqueça de usar uma camisinha e não empreste (o livro, é claro) para ninguém que é para não pegar doença!
Divirtam-se!
Marcelo Madureira
Casseta & Planeta
Para escrever, o humorista
deve escolher sempre
o assunto mais sério,
mais triste, mais chato,
ou mais trágico. Só um
falso humorista escreve
sobre assuntos humorísticos.
Millôr Fernandes
Apresentação:
Conheci MrManson três vezes, não necessariamente nesta ordem.
No começou foi o caos. Alguém entrou no meu blog e deixou um comentário dizendo que ele havia falado mal de mim no Cocadaboa. Não tinha visto, mas se estava naquele site, Cocadaboa, não era.
Com o orgulho ferido por antecipação paranóica e o ego inflado pela constatação de minha popularidade (concluída a partir da tese megalomaníaca de que só leva chute na bunda quem está na frente), respirei fundo, cliquei no link e li o texto. Não era uma menção elogiosa mas também não era nada que denegrisse a dinastia Hermann ou fornecesse embasamento jurídico para abrir um processo rentável.
Mesmo assim, pra não perder a viagem, conclamei Mr.Google e seus correligionários de busca para saber quem era MrManson e provar a ele que mesmo não me enquadrando nos seus cânones de beleza física eu tinha algum outro talento mensurável. E assim, cheguei a seu nome, endereço e telefone. Liguei e deixei um recadinho no celular, com aquele ar imbecil de quem se sente triunfante numa batalha unilateral. Ele retornou a ligação e a partir de então começamos uma comunicação semi-civilizada em áudio e texto.
Até então, eu não tinha certeza se o conhecia. Os meios eletrônicos de comunicação, por mais sofisticados que sejam, sempre deixam um sabor taninoso de desconfiança. Mas segui minha intuição feminina e minha admiração pelo talento criativo de MrManson.
Foi por causa desta confiança em seu talento que, mesmo sem tê-lo visto pessoalmente, recomendei-o para um amigo que cuida de um importante site, ligado a uma importante rádio, para uma importante reunião, na importante cidade de São Paulo. Não vou dizer os nomes porque não têm a menor importância.
Ele saiu do Rio de Janeiro, veio para São Paulo, fez a reunião, falou comigo via web de um cyber café e acabou recusando o trabalho escravo.
Nesse ínterim tínhamos vários assuntos recorrentes na pauta de emails, como o futuro do humorismo cibernético, a influência da necessidade de sobrevivência como motivação para a venda da alma a um patrocinador e, claro, a viagem de MrManson para o Piauí. Apoiei a idéia desde o princípio e acompanhei tudo, da partida à volta, com direito a pesquisas sobre o Piauí.
Não saberia dizer a cronologia exata, mas depois disso, um belo dia MrManson veio para São Paulo e nos encontramos pessoalmente. Esta foi a segunda vez que o conheci, agora em 3D. Foi um papo rápido e agradável num ponto histórico da televisão brasileira, a padaria Real, no Sumaré, perto da MTV.
A terceira e definitiva vez em que finalmente consegui conhecer o lado autor de MrManson foi quando recebi por email o texto original deste livro. Li tudo. E adorei. Não só pelo inusitado da viagem, pelo humor ácido, azedo e agora desidratado de MrManson, mas por sua coragem. Coragem de ter feito esta viagem absurda, de ter escrito de forma tão verdadeira e bem humorada e, sobretudo pela coragem de publicar a obra mesmo correndo o risco de ser desossado vivo por alguma facção piauiense mais extremista.
O texto é sui generis. O Piauí, hors concours. O autor, avis rara. É de se admirar que o livro seja em português. Mas em qualquer língua que tivesse sido escrito, seria igualmente compreensível. Porque o que você tem em suas mãos não é apenas um guia de viagem, um relato turístico ou um tratado crítico de sociologia mas, uma prova cabal de que a vida só serve mesmo pra isso, pra ser vivida, experimentada. Portanto, experimente-a, mesmo sem um patrocinador para bancar o projeto e sem Zeca Pagodinho pra vender o produto.
Você vai rir, vai chorar, vai se emocionar, vai emprestar o livro e vai ficar puto da vida quando não recebê-lo de volta. Sim, porque ninguém é louco de devolver uma delícia como esta para o proprietário. Você vai ficar se perguntando o que faz com que um rapaz boa pinta, jovem e inteligente, (e ainda por cima comprometido) que teve o privilégio de ter nascido carioca e a capacidade de criar um dos sites de humor mais visitados do país, sair do conforto de seu lar, abdicar do prazer de uma noitada no botequim com os amigos, abandonar o aconchego horizontal com a namorada e lançar-se numa aventura ao terceiro-olho-do terceiro-mundo. A resposta, ninguém sabe ao certo, mas há uma corrente que acredita que alguém tenha feito um vodu de MrManson, colocado o bonequinho num ônibus de brinquedo e jogado o conjunto dentro de um bueiro de rua. Mas isso, ninguém conseguiu provar até agora.
Por via das dúvidas, é melhor não falar mal de mim no meu blog.
Rosana Hermann, escritora e humorista
www.farofa.com.br