Categoria: Autores Convidados
Eu tenho um amigo que se chama Jorge. Chega uma idade na vida de um rapaz que ele acha legal dar um apelido ao seu pênis. Esses apelidos normalmente são nomes masculinos, com a intenção de fazer o pau soar ainda mais viril, coisas como Zé, Janjão ou o infame Dênis. Pois bem, o do Jorge sempre foi chamado de Maria. Claro que não foi ele quem deu esse nome, fomos nós. É que o piru do Jorge sempre foi tão pequeno que mais parecia uma vagina.
Eu tenho um amigo que se chama Jorge. Chega uma idade na vida de um rapaz que ele acha legal dar um apelido ao seu pênis. Esses apelidos normalmente são nomes masculinos, com a intenção de fazer o pau soar ainda mais viril, coisas como Zé, Janjão ou o infame Dênis. Pois bem, o do Jorge sempre foi chamado de Maria. Claro que não foi ele quem deu esse nome, fomos nós. É que o piru do Jorge sempre foi tão pequeno que mais parecia uma vagina.
Jorge, acho que até por essa deformidade, numa época quis ser padre. Até por essa deformidade não conseguiu ficar muito tempo no meio da Igreja. Acho que o padre da paróquia dele era passivo. Tinha momentos que eu sentia um pouco de pena do rapaz. Depois das aulas de educação física ele sempre era o único a tomar banho de sunga. E também nunca participou dos saudáveis concursos de punheta com a galera.
Teve uma vez - isso foi histórico -, nos idos de 91, que nós fizemos os Jogos Olímpicos da Punheta. Primeiro definimos quatro semanas, as Olimpíadas, em que todos os competidores estavam proibidos de bater umazinha que fosse. Um mês depois, a molecada ensandecida, juntamos nossas coleções de revistas sujas - metaforica e literalmente - e demos início à competição.
Eu lembro que ganhei no concurso de gozar mais rápido. Anos depois essa habilidade da qual me orgulhava acabou se tornando um estorvo pras minhas namoradas. E eu fui descobrir que a coisa era até doença, a tal da ejaculação precoce. Teve também um concurso de quem gozava mais longe e quem demorava mais. Teve a Gozada com Obstáculos, em que a porra do bravo competidor precisava atingir uma certa distância sem bater em folhas de papel espalhadas no caminho.
Mas a minha prova favorita era a da Gozada Olímpica. Nos dias de hoje, com as mudanças ocorridas no COI, o nome seria Gozada Artística. O objetivo era fazer evoluções com a porra no exato momento do gozo. A jurada era a empregada do dono da residência em que estivéssemos no momento. Acreditem em mim, essa prova era muito difícil. Ainda assim eu consegui ganhar uma vez, desenhando um carro de Fórmula 1 com a porra. Tentem imaginar! Mas não tentem fazer em casa!
Era realmente uma outra época, mais ingênua, os jovens eram mais idealistas. Uma coisa bonita do amadurecimento é como a gente vai ficando cada vez mais sofisticado. Nos modos, nos gostos, na forma de compreender a vida. Quando eu era moleque, sempre que ficava entediado – e isso era muito comum uma vez que eu morava num canto afastado duma cidade pequena e era filho único – ia ver televisão ou andar de bicicleta. Hoje em dia, sempre que fico entediado jogo Freecell. Quase nunca termino, porque normalmente estou entediado
demais pra jogar.
Ah, o meu piru, na época, eu chamava de Piquet.
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