Cocadaboa

Ele voltou?

Tentando ver se blogar está mais fácil ou difícil do que na minha época.

Wagner Martins, 36. Devo tudo que tenho a um blog, mas por uma década fui imbecil a ponto de abandoná-lo.

A internet pode democratizar a democracia

Parlamentarismo? Voto distrital? Financiamento público de campanha? Pra que perder tempo com coisas do século passado?

O Brasil vai entrar em um momento de discussões importantes sobre uma reforma política. Quer dizer, eu espero que entre. A crise de representatividade não é um problema só nosso. Tudo bem que aqui temos fatores que aumentam o drama, mas na grande maioria dos regimes democráticos o povo não tem visto seus interesses bem representados pelos seus políticos.

Nos últimos 10 anos, a forma que fazemos política mudou. Estão aí as discussões de Facebook para dar um gostinho. Mas expressar a sua opinião sobre algumas questões para os seus amigos é só o começo da brincadeira. Cada vez mais movimentos que culminam com manifestações "no mundo real" vão se organizar do nada e mais grupos vão se unir para fazer valer a sua visão. Manifestações (na rede ou na rua), principalmente as propositivas, farão parte da rotina do cidadão comum e não apenas de classes tradicionalmente organizadas sindicalmente como operários, estudantes e professores.

E nos próximos 10 anos isso só vai se intensificar. O problema é que a reforma política que será votada em breve ignora isso. Ela não contemplará as mudanças que a tecnologia imprimiu em nosso comportamento e as possibilidades que ela oferece para nos reconectar com a política.

Votar em questões binárias como "aborto", "discriminalização das drogas", "maioridade penal" e etc deveria ser tão simples quanto escolher quem será o eliminado do BBB. Os meios para que a discussão seja ampla e a manifestação da opinião com um "sim" ou "não" já estão aí, na mão de quase todo mundo.  E com uma fração dos custos que os plebiscitos tradicionais impõem.

Alguns podem falar que não estamos preparados e que nem todo mundo tem acesso agora. Mas volto a lembrar: isso não é uma utopia. É fato que a tecnologia será acessível para todos nos próximos 10 anos.

Na Argentina, já há uma iniciativa onde os cidadãos discutem as questões que seus representantes votarão. E os representantes eleitos, que puxam e organizam o debate, são obrigados a votar de acordo com o que a sua base escolher.

E a beleza do Partido de la Red é que ele nem esperou uma reforma política. O estatuto do partido e a plataforma tecnológica são a mesma coisa. Apoiar este partido não depende de visões de mundo. A questão é meramente "como vamos votar". Para endossar este modelo de decisão, basta eleger mais representantes do partido. Quanto mais representantes eleitos, maior  seu poder de influência. Recomendo uma boa navegada pelo canal deles no YouTube.

As cartas estão na mesa. Em um cenário onde poderemos opinar sobre tudo e a qualquer momento, o que pode mudar? É só voto distrital e duração de mandato? Vamos reformar com algo que em breve estará obsoleto ou vamos abrir as portas pra de fato dar um salto democrático e mudar a forma como nossa sociedade toda decisões independentes de governos? Se tá tudo errado, vamos começar discutindo como e pra que votamos.