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O pôquer da erva rolou na quarta-feira na casa do Pablo. Eles quatro jogavam pôquer sempre e gostavam de fumar um. O ganhador sempre acabava convertendo o dinheiro em drogas no dia seguinte. Então, dessa vez, decidiram converter de uma vez o cacife em drogas.
Eu pago as suas duas sedas e aumento em mais dois baseados. – disse Bolinho jogando os dois cigarros e as duas sedas sobre a mesa.
- Eu corro. Corro da mão e corro para o banheiro. – respondeu Arthur já indo para o banheiro.
- Porra, jogar com o Arthur é fogo. Sempre que ele escuta algo sobre drogas e tá careta, fica com vontade de cagar! – reclamou Thomas também desistindo da mão.
O pôquer da erva rolou na quarta-feira na casa do Pablo. Eles quatro jogavam pôquer sempre e gostavam de fumar um. O que acontecia era que o ganhador sempre acabava convertendo o dinheiro em drogas no dia seguinte. Então, dessa vez, decidiram converter de uma vez o cacife em drogas.
O cacife era seis baseados já enrolados (dois normais e quatro fininhos), uma muca fechada e 25 papéis de seda. Os valores em termos caretas podiam se traduzidos em: um baseado é o equivalente a 50, um fininho 25, e cada papel de seda valendo uma ficha.
As regras eram do pôquer canadense ou também conhecido Texas Hold’em sem limites. Cada jogador recebe duas cartas e aposta. Então, três cartas são abertas na mesa. Tem mais uma rodada de apostas e mais uma carta é aberta na mesa. Apostam novamente e é aberta a quinta carta. Todo mundo é obrigado a fazer a melhor mão de cinco cartas possível. Ganha quem tiver o maior jogo. Ele é chamado de “sem limites” porque a qualquer momento um jogador pode apostar todas as suas fichas.
- Voltei galera. Foi mal, mas falar sobre drogas e não poder usar sempre me trás uma aflição. – se desculpou Arthur acariciando a barriga. – Por que a gente não acende um baseado desse para a galera?
- Não, Arthur! Nós combinamos de não fumar nada durante o jogo. Todo mundo de cara para qualquer um concorrer em situação igual aos demais. O pôquer de hoje vale mais do que dinheiro! – disse Bolinho enquanto distribuía as cartas para os amigos.
- Mas, nos cassinos de Vegas sempre rola uma porcentagem para a casa. Acender um baseado para a galera equivale a essa porcentagem. – retrucou o cagão.
- Isso é verdade. – concordou Pablo.
- Assim é foda. Nós combinamos as regras semana passada e vocês estão querendo mudar. Eu não aceito isso! – insistiu Bolinho.
- Eu aposto um fininho. – disse Thomas fazendo o pessoal voltar ao jogo.
Mais uma rodada terminou, com o Bolinho vencendo outra vez. Ele blefou jogando todos os seus quatro fininhos na aposta depois que as três primeiras cartas comunitárias foram abertas na mesa mostrando dois ases e um rei. Arthur, na verdade, tinha a melhor mão com dois reis na mão e um rei da mesa. Mas decidiu não arriscar no caso do Bolinho ter um ás na mão.
(Na verdade, Bolinho tinha um dois e um sete de naipes diferentes).
- Eu vou acender um dos meus, então. – disse Arthur colocando um dos seus cigarros na boca.
- Se você fizer isso eu vou te cobrir de porrada e tomar a sua maconha toda. – respondeu Bolinho claramente irritado.
- Vai me bater e tomar a minha maconha? O que você é? Um policial? – dessa vez Arthur arrancou risadas de todos, até mesmo de Bolinho.
- Cara, eu só quero seguir as regras que estabelecemos para rolar um jogo igual para todos. - tentou a compreensão.
- Mas eu estou em situação desfavorável. Estou com vontade de cagar de novo!
- Você tem que se controlar!
- Não consigo, é muita pressão da minha mente doidona sobre o meu cu careta.
- Cara, vamos continuar o jogo. – concluiu Thomas, dando as cartas e puxando as atenções novamente para o pôquer. Mesmo assim, não pode evitar um último comentário do Arthur.
- Eu não sei como vocês conseguem ficar de boa sabendo que toda essa maconha que a gente comprou é aquela maconha de altíssima qualidade da favela perto da casa do Thomas.
Momento de tensão na mesa. Não pelas cartas, mas a maconha da favela perto da casa do Thomas era a melhor. Agora, estavam todos com vontade de fumar e nenhuma concentração no jogo. Todos pensavam na primeira vez que fumaram aquela erva. Bolinho tinha acabado de comer a irmã do Thomas e ela acendeu um. Excelente, melhor do que a foda. Arthur fumou umas duas semanas antes do Bolinho. Tinha acabado de comer a irmã do Thomas e ela puxou aquele venenoso. Pablo só havia experimentado há uns dois dias. Foi até a casa de Thomas combinar o horário do jogo e não encontrou o amigo. A irmã dele abriu a porta, papo vai e papo vem, acabaram transando e depois ela ofereceu a erva. Já Thomas tinha fumado...
- Já sei! Vamos colocar a droga toda na mesa nessa aposta! – disse Pablo quebrando o silêncio.
- Com isso eu concordo! – Falou Bolinho empurrando toda a sua erva para o centro da mesa.
- Tô dentro! – Arthur sem pestanejar.
- Beleza. – disse Thomas fechando a mesa.
Bolinho ganhou aquela mão final, mas não importou muito. Os quatro estavam tão secos pela erva que fumaram todos os baseados naquela mesma noite. Um atrás do outro. Contaram histórias divertidas, riram pra caramba e falaram, é claro, da qualidade da maconha. Diferente das outras, aquela tinha onda diferente. Difícil de definir. Bolinho tentou falar que era sensação de euforia, mas não era bem isso.
- Parece a sensação de alívio quando você está apertadão para cagar e finalmente consegue. - Arthur arriscou uma comparação, mas o pessoal também não concordou. Pablo achava que era a uma mistura de felicidade com álcool, mas não era isso ainda.
- Tem gosto de sexo. – disse Thomas. E todo mundo concordou sem pestanejar.
Viciado Carioca
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