Categoria: Calúnia e Difamação
Para conseguir a verdade, partimos para uma tática absurda. Mostramos o gravador para o deputado e ele assumiu o discurso que vem apresentando nas entrevistas. Mas foi só esconder o aparelho debaixo da mesa e Roberto Jefferson começou a agir como outros políticos diante de um gravador escondido, falando francamente.
Fazer o deputado federal Roberto Jefferson nos dar uma entrevista não foi muito difícil. Dissemos que éramos de uma revista sobre ética e pedimos seu depoimento, pois ele agora é o retrato perfeito de um cidadão honesto que não aceita a corrupção. Para fazê-lo falar a verdade, partimos para uma tática absurda, mas que deu resultado. Mostramos o gravador para ele e o político assumiu o discurso que vem apresentando nos depoimentos e entrevistas. Mas foi só esconder o aparelho debaixo da mesa e Roberto Jefferson começou a agir como outros políticos diante de um gravador escondido, falando francamente. Mostrávamos o gravador e ele voltava a posar de honesto. Escondíamos o aparelho e ele voltava a falar de um jeito espertalhão, como se fosse um ato condicionado. Sem dúvida, um comportamento a ser estudado pela psicologia. Talvez Roberto Jefferson, diante de câmera e com gravadores à mostra não reconheça que deu esta entrevista, mas decidimos correr o risco e publicá-la mesmo assim.
Cocadaboa: Dizem que o senhor teve uma infância muito difícil e amargurada. Apanhava muito dos amiguinhos porque além de gordo era dedo-duro e entregava todo mundo quando suas travessuras eram descobertas. O senhor fez análise para vencer esse trauma?
Jefferson: Não, fiz Direito mesmo. E depois entrei na política. Assim as pessoas me odeiam por ser advogado e político. Gordo e dedo-duro não é nada ao lado disso.
Cocadaboa: A sua cirurgia de redução de estômago pode lhe atrapalhar a refeição no Congresso depois que a CPI dos correios acabar em pizza?
Jefferson: Certamente isso seria um problema, pizza é muito pesado. Mas como sou um X9, há boas chances dessa história toda acabar me fazendo comer capim pela raiz, ou ainda amanhecer com a boca cheia de formigas. Aí não tem problema, porque esses quitutes são mais leves e a minha capacidade estomacal reduzida os digeriria fácil.
Cocadaboa: Para tentar manter essa sua imagem de político honesto o senhor pensa em fazer também uma cirurgia de redução de bolso?
Jefferson: Cirurgia no bolso não adianta. Só fazendo uma hemodiálise profunda: roubar está no sangue.
Cocadaboa: Recentemente o senhor participou de uma entrevista no programa Roda Viva, da TV Cultura, que rapidamente virou um DVD e passou a ser vendido em livrarias. O senhor está levando alguma comissão nas vendas ou mantém a ética de só aceitar dinheiro de forma ilícita?
Jefferson: Não se trata de nada ilícito. É muito simples, veja bem: os royalties da venda de DVDs estão indo para Roberto Jefferson, o personagem. Que isso fique bem claro para a Receita Federal, que pode sentir falta dessa renda na declaração do Roberto Jefferson, o deputado.
Cocadaboa: É verdade que depois de ter aparecido cantando uma ópera em altos brados de dentro de seu apartamento e de cantar My Way, de Frank Sinatra, para jornalistas – que se tornou um dos ringtones mais baixados na internet para celulares -, o senhor pensa em gravar Defunto Cagüete, de Bezerra da Silva?
Jefferson: Infelizmente não consigo cantar pagode. Minha voz é limitada e só permite que eu alcance as notas mais altas, se é que você me entende.
Cocadaboa: Algumas piadinhas infames no Congresso dizem que o senhor poupou o presidente Lula de acusações porque vocês dois formam um boa dupla: ele não têm um dedo e o senhor é dedo-duro. Quais são os verdadeiros motivos para o senhor ter livrado a cara de Lula nas revelações que fez?
Jefferson: Não livrei a cara de ninguém, o Lula realmente não sabia de nada. Como presidente, a única coisa que o Lula sabe é o placar do jogo do Corinthians. E só o placar! Se for querer saber quem fez os gols é melhor perguntar pro Chefe da Casa Civil.
O Calúnia e Difamação é feito por Odisseu Kapyn nas perguntas e MrManson nas respostas.
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