Categoria: MrManson
Por que só os gays podem lutar por um casamento feliz? Por que a “promiscuidade” heterossexual não merece o amparo da lei? Hipocrisia não, poligamia sim!

Os homossexuais reivindicam, ao meu ver com razão, o direito a união civil (o popular casamento). Se duas pessoas do mesmo sexo querem assumir um compromisso perante a lei, resguardar seus direitos como casal e etc, beleza, não cabe ao estado julgar isso, mas sim respeitar a vontade destes dois cidadãos. Cada um na sua: os caras casam, o estado não se mete e a igreja que se encarregue de mandar esses pecadores pro inferno.
Agora, se é para dar uma de liberal e romper um dogma religioso como esse em nome da “não intervenção estatal na vida particular de cada um”, nada mais justo do que abrir logo a porteira e autorizar outros tipos de uniões vitimadas pelo preconceito desta cultura conservadora cristã que prevalece em nosso país. Por isso levanto a bandeira da legalização da união civil poligâmica. Para o bem de nós todos, que sofremos com a imposição de ter que escolher apenas uma mulher (ou marido) de cada vez.
Normal em muitas culturas, aqui no Brasil a poligamia é mais rechaçada do que a união gay. A bigamia (ou poligamia) é considerada crime, com pena de 2 a 6 anos prevista no artigo 235 do Código Penal. Vejam só! Casar com 2 mulheres (ou 2 homens) é crime! Sentiram a diferença? O casamento homossexual não é permitido, mas também não leva ninguém pro xilindró.
Tudo isso sem qualquer apelo racional. É pura doutrina cultural e religiosa. Se homossexuais se defendem dizendo que isso é a opção por um estilo de vida que os agrada, os polígamos podem fazer o mesmo. Se os homossexuais apresentam evidências científicas para mostrar que este comportamento é observado em várias espécies, os polígamos podem fazer o mesmo.
Conheço dezenas de casais gays que vivem a sua vida normalmente. É claro que enfrentando uma dose de preconceito aqui e ali, mas nada que os impeça de “brincar de casinha” com tranqüilidade. A sociedade já se acostumou com esse modelo familiar e poucas pessoas ainda ficam escandalizadas com isso. Mas pense em uma família poligâmica. Você acha que as pessoas que optaram por este estilo de vida são tranqüilas? O preconceito é tão brutal que essas famílias nem mesmo são aparentes. A fofoca come solta e os olhares de reprovação da vizinhança são fartos. A grande maioria delas ficam ocultas, na clandestinidade, até porque se “saírem do armário” correm o risco de “brincar de casinha” na casa de detenção mais próxima.
Felizmente estamos chegando na época do “e daí?”, e isso é maravilhoso, cada um sabe o que é melhor para si. E daí se o cara gosta de tomar pirocada no rabo? E daí se a mina adora colar um velcro? E daí se Beltrano é tão pica-doce que consegue manter três mulheres em baixo do mesmo teto, todas felizes com aquela situação (sofrendo apenas com o preconceito feroz da porta para fora)?
Não seria justo um amparo legal para resguardar os direitos dessas famílias também, com todas aquelas questões de herança, pensão e etc, que os gays lutam? Aliás, os gays deveriam incluir a causa da união civil poligâmica em sua militância, porque se não estariam sendo hipócritas. Por que só vocês podem ter um casamento alegre? Por que a “promiscuidade” heterossexual não merece o amparo da lei?
Garanto que com isso ganhariam muito mais apoio, sem falar que também seriam beneficiados. Imaginem um belo casamento entre 4 bissexuais, 2 homens e 2 mulheres. Isso sim que é arco-íris.
MrManson
mrmanson@cocadaboa.com
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