Categoria: MEM
Fui levado pelo amigo Benjãomim a um show dos Mestres da Guitarrada. Três senhores do Pará que fazem um som estupendo incapaz de deixar uma viv’alma parada.

Desculpem o atraso com este novo texto, mas é que depois daquela lista sensacional de discos que meus leitores escolheram, eu fiquei em estado de choque por mais de um mês tendo que comer muito melão na boquinha, igual ao Don Lázaro Venturim. – “MELLÃÃÃÃÃOO!!”.
Já recuperado de meu estado crítico, fui levado pelo grande amigo Benjãomim a um show dos Mestres da Guitarrada. Estes tais Mestres, são de arrepiar. São três senhores do Pará que com sua banda fazem um som estupendo incapaz de deixar uma viv’alma parada.
E foram eles que me inspiraram a redigir este texto.
Depois de sair do show, acabado de tanto dançar com umas coroas portuguesas presentes no local, fiquei pensando em como esses sujeitos tão simples, tão “brutos”, lá do interior do Amazonas, sem terem contato com grandes pensamentos nem grandes revoluções, fazem uma musica tão rica, moderna e internacional.
E foi pensando nisso que me lembrei e três curtas histórias verídicas que ressaltam aquele velho provérbio popular: “A voz do povo é a voz de Deus”.
A primeira delas ocorreu na praia de Ipanema num dia de calor daqueles de rachar. Eu, Chanel de Copá e Benjãomim estávamos estirados na areia conversando sobre coisas importantíssimas para o desenvolvimento da humanidade. Falávamos sobre mulheres, bebedeiras e o mais importante, discutíamos qual era a cor da guitarra do cara do The Pop’s.
Ao nosso lado um casal de namorados começava a se ouriçar, trocando carícias um pouco mais ousadas para aquele local. Olhávamos um pouco de lado como quem não quer nada. Ríamos da situação e fazíamos alguns comentários libidinosos em voz baixa. Acabamos chamando um vendedor de cerveja para que pudéssemos iniciar “os trabalhos” do dia. O vendedor parou em nossa frente, olhou o casal, e com um bafo de cana que podia ser sentido a vinte metros de distância esbravejou a seguinte pérola da filosofia mundial: - “Mulher é igual macaco, adora uma sacanagem”. Parem e reflitam sobre isso. É de grande sabedoria o pensamento deste homem simples.
Segunda história.
Fim de tarde e eu voltava da praia sozinho caminhando calmamente com meu guarda-sol e minha cadeira debaixo do braço. De repente vem em minha direção um casal aos berros. Reparei pelo sotaque do homem que ele era gringo, espanhol talvez, já a mulher era brasileira mesmo. Quando passaram por mim o homem urrava assim: - “Mujer, mujer, tu não me julllllgues, não me jullllgues!!!!”. Achei aquilo engraçado, principalmente pelo reforço dado a pronuncia da consoante “L” pelo cara, e quando me deparei rindo da situação, uma senhora nordestina, gorda, com um vestido florido e cheia de sacolas de supermercado nas mãos, olhou pra mim e com uma cara sorridente falou assim: - “é meu filho, casamento é assim: quem ta fora quer entrar e quem ta dentro quer sair, HAHAHA HEHEHE!!”. Uma verdadeira “gênia da lâmpada”!
Ultima, e esta de uma poesia maior.
Maracanã, Rio de Janeiro. Botafogo e Peñarol disputavam a final da Taça Conmebol de 1993. O time carioca precisava da vitória para sagrar-se campeão. Um empate levava a decisão para os penais. Botafogo vencia por dois gols a um, e a torcida já gritava é campeão, é campeão. Eu, pessimista pra cacete e nervoso pra caralho, não agüentava mais aquele sofrimento. Estava realmente a beira de um ataque de nervos. Foi então que aos quarenta e cinco minutos da segunda etapa o time Uruguaio chegou ao gol de empate.
O Maracanã foi sufocado por um silêncio longo e mórbido, só interrompido pelos gritos de uns poucos uruguaios ali presentes. Eu não agüentei e caí no choro. Lágrimas escorriam de meus olhos e se perdiam pelas arquibancadas. E foi aí que súbito, um negão já coroa, cheio de cana nas idéias, me abraçou forte e falou contundente: - “Não se preocupe meu jovem, com suas lágrimas construiremos nossa vitória”. Final do jogo, Botafogo campeão.
Voltando então aos paraenses.
Os Mestres da guitarrada fazem um ritmo mágico chamado de Guitarrada. Este estilo é guiado pelas guitarras-solo de Vieira e Aldo Sena e galgado no forte poder rítmico do banjo tocado por Curica. As musicas tocados passeiam do carimbó, da lambada, do calipso e do brega até choros, fados e rocks instrumentais tipo surf-music (The Ventures e etc).
A Guitarrada foi criada no final dos anos setenta com o disco de Viera “Lambadas das Quebradas” e foi popularizada no inicio dos anos oitenta.
Impressionou-me muito o fato destes artistas conseguirem produzir um som tão forte, original e composto por diferentes vertentes da musica nacional e internacional, e serem pouco conhecidos pelas bandas de cá, do sul do país. Acho que eles praticamente só tocam
lá pelo Amazonas. Assim não pode, assim não dá. Todo mês tinha que ter pelo menos um show dos mestres aqui.
Que venham as guitarradas!!!
Obs: Oh céus, oh vida, oh minha privada entupida!
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