Categoria: Autores Convidados
Critica-se a qualidade da televisão e seu comprometimento com a audiência, mas na internet se faz à mesma coisa.

Eu falei que isso era óbvio. A prova: Ele publicou, sendo seguido por ele que “teve uma transmissão de pensamento” com ele. Tá bom, eu errei o personagem. Culpa minha de escrever com vista pro mar e esquecer dos nossos irmãos menos privilegiados de Sampa.
Quando eu pensei na série para o blog de imagens “Piadas óbvias que ninguém fez (ainda)” foi justamente para abrir os olhos dos leitores e humoristas virtuais para a mediocridade de uma piada óbvia.
Vou mais longe. O problema não é a mediocridade, mas sim o medo dela. Publicar um blog diário – não sei qual foi o idiota que inventou a “norma” que um blog precisa de uma atualização frenética e diária – leva a maioria das pessoas a se preocuparem mais com audiência do que com a própria qualidade do “post” ou com a honestidade do mesmo. A “qualidade” é medida em quantos “fwd” aquele “post” teve, quantos comentários existem na caixinha do blog ou quantos “eu gostei muito daquela parada que eu li no seu blog” o autor recebe.
Critica-se a qualidade da televisão e seu comprometimento com a audiência, mas na internet se faz à mesma coisa. O que é pior, já que na internet, a maioria dos blogs não está comprometido com a publicidade ou com uma "grade de programação" pouco flexível.
Não ter nenhum comprometimento com essa “genialidade”, ou em outras palavras, não se importar em ser medíocre, mas sim com a honestidade. Essa é a chave. Escrever um texto, ou uma piada ou sei lá o que, porque acha legal e não porque “eles gostam disso”. É claro que você tem o compromisso com o leitor e de fornecer a ele o que ele quer ler. Mas se isso não passar por um mínimo “padrão de qualidade”, você é um babaca.
Odisseu Kapyn escreveu no Cocadaboa, em 13/01/03 , o texto “Você é um Babaca?”:
“É difícil alguém lhe dizer verdades cruéis. Há coisas ruins sobre você que nem seu melhor amigo, nem um inimigo lhe contam por razões distintas. O amigo quer poupá-lo de uma situação constrangedora, enquanto o inimigo prefere que você continue sendo ridicularizado. É muito raro alguém chegar para você e lhe dar um toque sincero. (...)
Você pode descobrir agora mesmo, por exemplo, se você é um babaca. Basta ver se você usa algumas frases e brincadeirinhas mais do que batidas em algumas situações recorrentes de nosso cotidiano.”
(texto completo).
Deixem de ser “babacas” sendo medíocres. Pode parecer contraditório, mas deixando a “genialidade” de lado e sendo medíocres (ou vocês mesmos) a qualidade na internet vai subir. E daí nós vamos poder voltar a reclamar da televisão.
Claudio Formiga
www.timelei.com
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