Categoria: Odisseu Kapyn

Transcrição do Debate 'Humor na Internet'

Se você não pôde comparecer, leia a transcrição com as melhores partes do debate “Humor na Internet”, do 15º Salão Carioca de Humor. A mesa era composta por Allan Sieber (Toscografics), Andréa Cals (Banheiro Feminino), Felipe Flexa (Casseta OnLine), MrManson e Nelito Fernandes (EuHein).

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Patricipantes da mesa, da esq. p/ a dir.: Bob Burnquist, Renato Russo e Felipe Flexa

Essa é a transcrição com as melhores partes do debate “Humor na Internet”, do 15º Salão Carioca de Humor, na Casa de Cultura Laura Alvim, dia 6 de abril de 2004. Isso na minha opinião, claro. As frases dos participantes não foram exatamente essas, pois não gosto de usar gravador em reportagens mas estão bem próximas do que escrevi aqui. Qualquer erro mais grave no texto se justifica por um motivo bem simples: sou jornalista profissional.
Odisseu Kapyn


Ricky Goodwin – Gostaria que cada um de vocês se apresentasse e dissesse o que faz além do humorismo.

Andrea Cals – Faço o Banheiro Feminino e atualmente estou trabalhando em uma fazenda de ovelhas.

Allan Sieber– Eu ponho os meus desenhos no blog. Quando começou essa história de internet eu disse pra mim mesmo que não ia entrar nessa merda mesmo. (Risos)

Mr Manson – Eu sou economista. Para ser odiado com mais humor decidi criar o Cocadaboa em 2002. Eu escrevo sobre a depressão desse nosso dia-a-dia. Nem acho que é humorismo, mas é o que faço e nego acha engraçado. (Risos)

Felipe Flexa – Eu sou do tempo da internet arte, da internet moleque. Trabalho no site do Casseta & Planeta e também colaboro com textos para o programa. Eu via o trabalho deles e pensei. “Acho que sei fazer isso”. Aí fiquei enchendo o saco deles para trabalhar lá e deu certo. Em 2001 fui a um centro espírita onde um caboclo falou comigo que eu devia assumir o nome de Adaílton Persegonha e depois criei o Leite de Pato. Não sei se faço humor. Eu escrevo lá e se o leitor não rir... foda-se. (Risos)

Nelito Fernandes – Sou jornalista da revista Época e há dois anos criei o blog Eu Hein, onde faço textos e observações com humor. Passei pela Globo, onde tive uma experiência mal-sucedida com o humor. Mas ficou aquela coisa dentro de mim, pulsando para sair. No site publiquei alguns desenhos, que as pessoas copiaram e passaram a mandar por e-mail por aí. Depois o blog também virou uma coluna no jornal Extra.

Ricky– Bem, sou mediador mas também me sinto um pouco participante do debate, já que tenho um blog, o Blog0News. E sou do tempo da internet a lenha, pois participei dos primeiros testes como usuário.
Queria saber como é o processo de criação de vocês.

Nelito – O blog é diário, só não tem atualização no sábado e no domingo. Isso cativa o leitor e torna um hábito para ele. Então as brincadeiras são feitas em cima de notícias de jornais. E também na redação rolam algumas situações que eu pego e passo para o blog.

Felipe – Eu tenho que ficar antenado com tudo que acontece. Tenho que ler jornais, revistas, ver novela... E até o Big Brother, pois se você não souber falar do programa você vira um excluído em festas, vernissages e tudo mais. (Risos).
Temos que escrever sobre o que está acontecendo.

Ricky – O Manson chega a publicar notícias antes que elas aconteçam. (Risos)

Manson – No caso da Sandy fazendo anúncio de camisinha, eu publiquei a notícia com dois anos de antecedência!

Felipe – Mas uma coisa que aprendi é que às vezes você tem que esperar um tempo para fazer piada com certo assunto. Não se brinca com defunto fresco. Tem que esperar o público absorver a história. Não adianta fazer uma piada que só você acha do caralho.

Manson – Bom, eu trabalho num processo de identificação da vítima. Eu vejo quem está dando mole para passar a rasteira. Mas discordo do que os outros falaram. Acho que estar em cima do lance é uma opção do humor na internet. Acho que a internet quebra a periodicidade. Na TV você tem dia para entregar o texto. Há uma exigência. Acho que o legal da internet é que ela quebra isso. O Cocadaboa ficou sem atualização por dois meses, por motivo de força maior, e nossos acessos aumentaram no período.

Ricky – Como é? O site teve mais acessos enquanto estava parado!

Manson – Pois é. Acho que estou no caminho errado. Vai ver as pessoas acessam o site para me ver ficar sem escrever.

Nelito – É, mas se for pra brincar com coisa fria, tudo bem não ter atualização diária. Mas se é pra brincar com notícia...

Manson – Foi o que falei. Estar em cima do lance é uma opção de humor na internet, não uma obrigação. Se eu não tiver nada legal para dar para o leitor naquele dia, não vou ficar enchendo lingüiça com besteira. Pela minha experiência, vi que se tiver algo muito bom rolando um certo dia no site, neguinho vai acessar quinze vezes no mesmo dia. Só entrego algo ao leitor se tiver algo a dizer.

Felipe – É, às vezes a opção é o contra-cheque.

Allan – Eu batalho pelo meu direito de ficar desinformado. Não tenho TV e prefiro morrer a ter que ver o Big Brother. Eu faço piadas atemporais. Sou de uma geração de cartunistas que produzem e não têm onde publicar.

Manson – A internet é uma desova.

Allan – Uma coisa assim. Eu comecei a fazer cartuns na internet para um negócio que nem sei se ainda existe, o Morango, que era um site de mulheres seminuas. Ganhava uma puta grana. Foi naquele boom da internet. Bons tempos. Fiz tirinhas para o site da editora Tonto, semanalmente. Foi assim que me disciplinei a escrever com uma regularidade. O blog é um lugar onde posso botar o que desenho. Eu podia ganhar um dinheiro com isso, mas tudo bem.

Ricky – E você, Andréa? Como faz com as ovelhas?

Andrea – Pois é, estou sem ninguém para trocar idéias. Eu ouvia as conversas dos outros para me inspirar. Saía com meu marido e ficava ouvindo todo mundo, briga de namorado,etc. Isso servia da matéria prima. Hoje estou no interior e ficou mais difícil. Mas qualquer coisa que ouço ajuda. Vejo o Big Brother, que o Allan não quer ver... Já fiquei dois meses sem atualizar, mas os acessos não aumentaram. E o leitor reclama à beça.

Manson – Eles tão pagando? Então foda-se. (Risos)

Andrea – É. Mas eu ia receber um milhão de dólares. E a pessoa que ia me pagar esse milhão era a mesma que pagou três milhões pro Zeca Pagodinho. Só que ele levou e eu não. Eu não bebo cerveja. Mas também não tenho barriga.

Ricky – A Andrea é uma das poucas humoristas que ganharam dinheiro na internet.

Andrea – Eu tive sorte. Eu trabalhava na DM9, junto com o Nizan. Ele saiu de lá com grandes planos para a internet. Ia controlar tudo na área. Ele me chamou para ir para o IG e ganhar um milhão de dólares.

Manson – Só para trabalhar?

Ricky – Era só para escrever ou tinha algo mais, tipo Proposta Indecente?

Andrea – Só para trabalhar.

Manson – Se você fosse um cara grande e musculoso como o Allan, talvez o Nizan ia querer mais que trabalho...

Andrea – Bom, aí eu pedi demissão e fiquei uns seis meses esperando. E nada. Casei, fui morar em São Paulo, ficava indo e voltando ao Rio e isso me encheu o saco. Eu queria o meu milhão de dólares. Pô, cadê meu milhão de dólares? Eu quero o meu milhão de dólares. (Risos)

Manson – Pior que não ter um milhão de dólares e ter a promessa de ganhar um milhão de dólares.

Andrea – Um dia um cara da Globo.com me ligou e me convidou, perguntando quanto eu ganhava. Aí eu menti e disse que era 50 mil por mês mais participação na publicidade. (Risos). Então ele disse pra eu ir ganhando 70 mil por mês. Falei “puta que pariu!” e fui pra lá assinar. Ganhei 70 mil por mês durante um ano e meio. Foi quando a bolha da internet estourou e foi a maior merda. Mandaram todo mundo embora.

Ricky – Para vocês que escrevem na internet e em outras mídias, qual é a maior diferença entre elas? Tem mais liberdade na internet?

Allan – Eu não sofria censura no Morango. Eu fazia uma tirinha sobre um moleque que ficava o dia inteiro no computador batendo punheta. Nunca tive problemas. E como no meu site eu nunca respondo a nenhum leitor, posto qualquer coisa. (Risos)

Manson – Você posta coisas que valeriam gastar papel e tinta? Porque tem aquela coisa de na internet você poder escrever qualquer coisa, pois não vai gastar papel e tinta...

Allan – Cara, nada do que faço vale papel e tinta. (Risos)

Felipe – No Leite de Pato não tenho problemas, já que sou meu próprio patrão. Sou um mau patrão, aliás, pois me escravizo muito. Mas no Casseta & Planeta, temos que trocar uns nomes. O problema é que fazemos piadas para quem não quer ganhar dinheiro sobre pessoas que querem ganhar dinheiro. Quando escrevo para o programa não me censuro, pois o Cláudio Manoel e o Reinaldo cortam o que não pode entrar. No site deu uma merda recentemente. O Arthur Falk ganhou uma ação de R$ 260 mil. O texto falava em alguém chamado Arthur Desfalque, mas no título, por um erro, apareceu o nome Arthur Falk. Acho que o juiz antes de dar decidir sobre dano moral tinha que averiguar a ficha das pessoas.

Ricky – É mas por causa do que sai no Casseta & Planeta, você não pode ir ao Rio Grande do Sul. E você, Manson, não pode ir ao Piauí, né?

Manson – Nada disso. Eu quero ir muito ao Piauí. Ainda vou ser governador de lá. Vou dar um jeito naquilo. (Risos)

Nelito – No blog eu já brinquei com o caso da Luma, usando a campanha da Kaiser “Gostou? Fui eu que fiz”. Mas na coluna do Extra fiz a piada sem usar o nome dela, só botando uns bombeiros. Mas uma vez deu uma merda na coluna. Publiquei uma brincadeira com o Blitzcard, para você ter mais praticidade na hora de pagar policiais em blitz. Recebi 1500 processos de PMs em todo o Estado. Só em Campos foram 258 PMs com ações.

Manson – É só pagar uma cerveja pra eles. (Risos)

Nelito – Cada um pediu R$ 9 mil. Se eu perder vou ter que usar o Blitzcard para pagar. Só no interior houve pareceres favoráveis aos PMs. Mas pouquíssimos. Mas às vezes tenho três ou quatro audiências no mesmo dia em cidades do interior. Me toma o dia inteiro. Em custar, o jornal está gastando uns R$ 500 mil. Vou pedir dinheiro para a Andrea.

Ricky – Você tem que explicar a piada em todas as audiências?

Nelito – E o pior é que tem PM que nem viu a coluna e me processou. Isso porque escritórios de advocacia anunciaram para os PMs que estavam entrando com o processo e os chamaram. Um dia um PM cego disse que viu a coluna e que ficou muito ofendido. (Risos)

Ricky – Mas quando falamos em processos, temos que falar do Cocadaboa. Por que as pessoas querem tanto te processar, Manson?

Manson – É que o pessoal não entende a piada. Sorte é que como não tenho dinheiro, os processos nunca chegam às vias de fato. O oficial de justiça vai lá em casa e vê que não tem nada para levar e fica com pena. Eles não sabem que meu palácio é na Eslovênia. (Risos)

Ricky – E que história é essa de Eslovênia? Como você tem um site hospedado na Eslovênia?

Manson – Sabe aquela mentira que de tanto contar o autor acredita? É por aí.

Nelito – No quarto dele tem até uma bandeira da Eslovênia.

Manson – É, foi com aquela bandeira que cobri sua cara pra conseguir te comer. (Risos)
Mas voltando aos processos, acho que processam o Nelito porque vêem lá o nome Terra no blog.

Nelito – Mas tenho lá um aviso que o Terra não é responsável pelo conteúdo do site.

Manson – No nosso caso, eles mandam um aviso sobre a piada. Aí eu falo para o advogado que vou tirar a piada do ar e pergunto se posso colocar o aviso deles no site. Eles ficam todos orgulhosos do que escreveram e deixam publicar. No caso do Marcos Mion, o texto não tinha graça nenhuma. Mas o aviso do advogado que colocamos no lugar era muito engraçado e dizia que tínhamos causado danos físicos e morais ao Mion. Danos físicos? Só se ele se mijou na hora que leu. Mas não vou dizer que o cu não pisca quando o oficial de justiça chega lá em casa com um documento de um escritório da Europa dizendo que estão averiguando minha presença na Eslovênia.

Ricky – Como é ter que lidar com o provedor? O Allan teve um problema recentemente com isso.

Allan – Eu nunca li o contrato quando fiz o blog. Sei que cliquei lá no “aceito”. Mas falava algo sobre o site ser de graça, sei lá. Mas o site tinha muita visibilidade e não sei por que ele foi deletado na calada da noite. Imagina se um banco manda um carta pra você dizendo que vai encerrar a sua conta, sem mais nem menos. Acho que a Globo.com foi algo como o Collor do conteúdo. Confiscaram meu desenhos. Como resultado, comprei um domínio e agora tenho meus site. Achei burrice deles e falta de visão. Sei lá. Eles são muito burros. (Risos)

Nelito – É, mas Allan... aliás, até agora eu não sei: seu nome é “álan” ou “alãn”?

Allan - ... (faz uma cara de desdém e um gesto com a mão, dando a entender que está cagando e andando pra isso). (Risos). (Muitos risos).

Nelito – Errr... Bem, o que temos que reconhecer é que os portais estão abrindo conteúdo. Dizem que o Eu Hein se vendeu? Pô, se o site se vendeu, cadê o dinheiro?

Andrea – Quando saí do Globo.com fiquei sem saber o que fazer. Queria virar alternativa, fazer algo pequeno, virar lavabo. Mas não tinha estrutura para receber tantos acessos.

Nelito – O custo é alto. Quanto mais visibilidade, mas despesa. É o contrário da TV. Na sexta repetiram minha entrevista no Jô. No sábado tive 80 mil acessos e o banco de dados foi para o cacete.

Manson – Naqueles dois meses que ficamos fora do ar, quase vendi minha alma para um portal para ter uma estrutura melhor.

Nelito – Não é “vender a alma” ir para um portal!

Manson – No teu caso não. Você pode fazer a mesma coisa dentro ou fora de um portal. Mas no caso do Cocadaboa iria comprometer o conteúdo. Eu brinco com gente que anuncia no Terra.

Nelito – E o caso do Terra é que há um público mais conservador. Fiz uma brincadeira com o jogador de Camarões que morreu em campo e logo depois apareceram 245 comentários me condenando. Fizeram até campanha para tirar o site do ar. Tive que deletar a piada.

Felipe – É o preço do sucesso. A gente acaba gerando uma auto-censura. Uma vez fizemos uma piada com um alpinista que morreu no Aconcagua, usando a campanha da Kaiser “dá para tomar uma Kaiser antes?”. Protestaram à beça, nos chamando de insensíveis. Porra, o cara vai para um lugar sabendo que pode ter deslizamento e não quer ser sacaneado? (Risos)

Ricky – Tem muita gente que ainda acha que internet ou blog é coisa de maluco, de moleque escroto. Allan e Manson, vocês, que são moleques escrotos mesmo, têm alguma ética na hora de escrever?

Manson – Vou confessar uma coisa. Eu tenho medo de fazer humor com negros. Posso sacanear judeu, Jesus, religião, tudo. Mas mexer com negro, não posso.

Felipe – É, se fizer piada com isso a coisa fica preta. (Risos)

Manson – Não sei por que não podemos fazer piada com negros.

Nelito – É porque tem lei contra isso.

Manson – Muitas vezes pintam piadas sobre o tema, mas me seguro.

Ricky – E você, Allan?

Allan – Não... Nunca tive problemas com negros. (Risos)

Manson – Do leque de vítimas, é o que tomo mais cuidado.

Nelito – Acho que o pior é mexer com religião.

Manson – Racismo é muito pior.

Ricky – O Piauí não é pior?

Manson – Eu não falo mal do Piauí. Eu valorizo aquilo lá. Quando eu lançar meu livro vão ver. Será no dia 13 de maio.

Ricky – Você foi realmente ao Piauí?

Manson – Fui. Eu descobri minha alma no Piauí. Eu queria fazer o caminho de Compostela. Mas estava sem dinheiro e acabei indo pro Piauí. Paulo Coelho fala de três caminhos conhecidos para o auto-conhecimento e diz que existe um quarto caminho. Eu descobri que esse quarto caminho é o Piauí. Foi sensacional. Quando você vai a Paris, você se sente um favelado com seu poder aquisitivo. No Piauí, com R$ 20 você aluga uma suíte presidencial. Você vai no restaurante e pode pedir todo o cardápio com esse dinheiro. Lá, você é uma celebridade. Você não é só mais um turista. Você é o único turista. Isso melhorou muito minha auto-estima. (Risos)

Ricky – O auditório tem alguma pergunta para os convidados?

Alguém da platéia – Queria saber do Felipe como foi essa história do Leite de Pato promover encontros de traficantes.

Felipe – Isso foi coisa de jornalista. A Folha, o jornal mais atormentado do país, disse que a polícia estava atrás do autor de um site fazia apologia do tráfico. Um leitor me avisou que estavam falando do Leite de Pato. Não acreditei, consegui o telefone do jornalista com o Nelito e perguntei se era o meu site. Ele confirmou. Tudo porque eu critiquei a atitude do Garotinho por querer processar a diretora de uma escola que não tirou uma pichação do Terceiro Comando de uma das paredes. Nos comentários, umas pessoas ficaram trocando provocações, que não entendi direito. Eram aquelas gírias de semi-letrados. Perguntei para o jornalista por que não me ligaram para falar comigo. Eu não preciso ser procurado pela polícia. O site está registrado no meu nome. Tô aqui. É fácil me achar.

Ricky – Mais alguma pergunta da platéia?

MEM (colunista do Cocadaboa) – Queria saber sobe essas história de plágio. Parece que existe um problema com o Eu Hein, que copiou o Cocadaboa. Como foi isso?

Manson – Vai se foder, MEM! (Risos)

Nelito – Não queria falar sobre o assunto. Isso foi um problema que ocorreu entre quatro paredes. O Manson não gostou da minha centimetragem quando fui no quarto dele.

Manson – Eu nunca falei que houve plágio do Nelito.

Nelito – É que eu fiz um concurso... Bom, o Manson fez um concurso para as leitoras escanearem os peitos e mandarem para o site. Depois, na novela Celebridade, a Deborah Secco apareceu de peito de fora. Aí eu fiz um concurso também pedindo fotos dos peitos das leitoras, mas coloque em parênteses “olha o plágio do Cocadaboa”. Não foi plágio. Até porque existe um site chamado Rate My Boobs e tenho certeza que o Manson não copiou de lá. Ele me disse depois até que não sabia desse site. Mas então fui surpreendido com uma coisa dele no Cocadaboa. Ele ficou lá me sacaneando.

Manson – Mas rolou depois uma conversa por telefone...

Nelito – Não foi bem uma conversa... (Risos)

Manson – O que aconteceu é que tínhamos um projeto em conjunto. Achei que foi falta de consideração dele colocar aquilo sem avisar que tínhamos feito antes.

Nelito – Eu coloquei um aviso!

Manson – Colocou depois!

Nelito – Coloquei antes!

(parte da platéia, por acaso muitos com camisas do Cocadaboa, grita dizendo que Nelito colocou depois)

Nelito – Mas faltou consideração dele. O Manson armou um concurso de hackers para invadirem o Eu Hein!

(Risos seguidos de palmas)

Manson – Quer piada melhor que essa? Vai dizer que o cu não piscou quando você viu aquilo? (Risos)

Nelito – Bom, depois disso o Manson me elegeu como uma das pessoas que ele inferniza.

Manson – O que aconteceu é que, por fazer o mesmo tipo de humor, o pessoal começou a fazer uma analogia entre você e outro site que comete plágio.

Nelito – É porque você não deixou claro isso! Mas tudo bem, não é nada que a gente não resolva com aquela bandeira da Eslovênia. Há muita gente que pega coisa que faço, tira a marca do site e publica. E já houve coincidências de piadas entre o Eu Hein e o Casseta & Planeta.

Felipe – Aconteceu com a piada do “Quem vai ficar com Beira-Mary?”.

Nelito – Uma vez publiquei uma coisa e dias depois o Chico Caruso fez igual. Vou dizer que ele me plagiou? Não. Ele nem lê o Eu Hein. Nem sabe que existe. Foi coincidência. Eu não sou o imperador do humor para dizer que tudo fui eu que fiz.

Manson – É mais aí, o original vira cópia. E em tempo real, fazendo as piadas mais óbvias do universo, pode acontecer coincidência. (olhando para um “humorista” que estava na platéia) Mas há casos evidentes de que não é coincidência, é falta de vergonha na cara.

Andrea – Comigo acontece muito plágio também. Eu reclamo e eles acham que é uma honra para a gente ser copiado.

Manson – Vou te apresentar a uma galera que tira sites do ar.

Ricky – Andrea, porque há tão poucas mulheres fazendo humor?

Manson – É porque elas só podem trabalhar nisso 25 dias por mês. (Risos)

Andrea - ... (faz cara de que Manson está falando merda)

Manson – Eu não entendo disso direito. Só sei quando posso e quando não posso.

Andrea – Acho que o melhor humor é sempre algo machista.

Manson – O bom humor hetero de raiz.

Andrea – As mulheres resistem muito a esse humor machista. Resistem a topá-lo e a fazê-lo. Meu humor é machista ao contrário. Não é feminista. Tem que ter sacanagem para ficar legal. E alguém tem que ficar puto. As mulheres têm mais cuidado com essa coisa. Isso no geral, acho.

Ricky – Vamos terminar porque está quase na hora do Big Brother. O que vocês acham que vai dar? Cida ou Tiago?

Nelito – Cida.

Felipe – Cida.

Manson – Estou mais curioso é para saber o que o Allan vai falar. (Risos)

Allan – Sei lá!

Andrea – Come ou não come?

Nelito – Por 500 mil você come a Cida?

Felipe – Por 500 mil como até você. (Risos)

as 08/04/04, 04:47

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