Categoria: MrManson
Quantas vagas de “famosos” existem atualmente no Brasil? Suponho que não devem ser muitas. A concorrência é maior do que a do vestibular de medicina.

Já ouvi alguém mencionar em uma entrevista que o número de estudantes de publicidade que se formam todos os anos é maior do que o número de pessoas que estão efetivamente empregadas como publicitários. Ou seja: para que todos os recém-formados arrumassem um emprego na área que estudaram, seria necessário que todos os publicitários empregados se aposentassem, ou melhor, morressem! Mas infelizmente milagres não existem e o que acaba acontecendo é um monte de publicitário tentando a vida como funcionário público, “assistente pessoal” ou gari.
Essa mesma história se repete com advogados, economistas, contadores... Enfim, nego reclama da falta de vagas em universidades no Brasil, mas se ela fosse acessível a todos, o único benefício que teríamos seria o trocador (ou cobrador) de ônibus capaz de derivar uma função de quinto grau para calcular o troco mais rápido quando você pagar com uma nota de R$50.
Felizmente a universidade é coisa de elite e nós, formandos da segunda década perdida, temos o privilégio de nos fuder com um pouco mais de classe. Desempregado com diploma debaixo do braço é vítima da recessão. Desempregado sem diploma é vagabundo.
E é justamente com uma casta de nossa sociedade que não teve oportunidade ou capacidade para concluir o terceiro grau que me preocupo: os famosos. Isso mesmo, os famosos, pois hoje em dia ser famoso é uma profissão tão louvável (e produtiva) quanto ser publicitário.
Quantas vagas de “famosos” existem atualmente no Brasil? Suponho que não devem ser muitas, pelo menos as de boa remuneração. É só olhar para algumas atividades que costumam construir celebridades.
- Escritores: Podre de rico mesmo, acho que só tem o Paulo Coelho.
- Atores de cinema: Poderia aparecer uma galera nova, mas não. O filé já está todo reservado para atores de novela.
- Música: Dá para contar na mão bandas e cantores que possuem jatinhos, carros absurdamente caros e milhões de cabeças de gado.
Só sobra a TV. Mas mesmo assim só temos meia dúzia de canais em rede nacional, e mais da metade deles são favelados. Apresentador e ator de TV rico mesmo, que possa esbanjar, dever ter no máximo 50.
Agora vejamos quantos “famosos” saem das “universidades da vida” e tentam disputar uma fatia desse mercado de “trabalho”. Só nos reality shows já foram quase 150. 4 “BBB´s”, 3 “Casa dos Artistas”, 3 “No Limite” e 2 “Famas”. Põe 12 participantes em cada e faça o cálculo. Cada jogador de futebol ou pagodeiro come em média uma vagabunda por semana. Dessas toneladas de bucetas, algumas vão ter a sorte de sair em uma revista de segunda linha como a Sexy ou, melhor ainda, ficarem grávidas. Põe aí mais uma centena de “aspirantes a celebridade” circulando entre os programas vespertinos e fazendo qualquer coisa para arrumar um lugar ao sol. Adicione também os “filhos de famosos”, que volta e meia se aproveitam de um pequeno atalho para seguir a carreira dos pais.
Enfim, se fosse enumerar cada categoria de pessoa que aparece na mídia lutando por um pratinho de comida, perderia um mês inteiro.
Para completar, quem está “por cima da carne seca” reluta muito em morrer ou se aposentar. E eu que lido diariamente com a morte de celebridades no Bolão Pé na Cova posso afirmar com convicção. São no máximo 10 boas vagas por ano para substituir defuntos, e olhe lá...
Coitado do tal do Celso Portioli e daquele Luís Ricardo, um dos maiores exemplos de “espera de vaga” no universo dos aspirantes a celebridade. Estão no SBT desde que eu me entendo por gente, só esperando o Seu Sílvio empacotar ou encher o saco de ser apresentador. Enquanto isso ficam vegetando, apresentando programetes escrotos ou sorteios da Tele Sena.
As patacoadas vividas pelos personagens da atual novela das 8, ou 9 (Celebridade), não são nada se forem comparados com a realidade. O destino de quem se aventura a virar “alguém famoso” nesse país é trágico. Para quem se gradua nessa “faculdade” é ainda mais humilhante trabalhar em um emprego normal. Um engenheiro tendo que vender amendoim no ônibus é triste, mas compreensível. Uma ex-participante do Big Brother tendo que virar “cunsultora de beleza” da Natura, é humilhante (para ela e mais ainda para a nobre classe de revendedoras da Avon).
Deprimente e triste. Na maioria dos casos estes “dejetos do mercado” acabam morrendo, antes mesmo de serem enterrados. E nos surpreendem quando conseguem 3 linhas nos obituários de jornal:
-“Ué, esse aí já não tinha morrido?”
MrManson
mrmanson@cocadaboa.com
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