Categoria: Autores Convidados
Crianças, usem camisinha. O que eu estou prestes a relatar aqui não é para os de espírito frágil, mas deve servir como aviso a todos que já tem uma vida sexual ativa.

Crianças, usem camisinha. O que eu estou prestes a relatar aqui não é para os de espírito frágil nem para os facilmente impressionáveis, mas deve servir como aviso a todos que já tem uma vida sexual ativa.
Eu freqüento muito o forró. Como não sou muito bonito e nem tenho bom papo, tenho que arrumar maneiras alternativas de conseguir mulher. Pois bem, baixei um curso de forró na internet, uma beleza, todo animado em flash. Te ensina a dançar em 12 curtas lições. Aprendi.
Fui então para o forró com um amigo que já freqüentava e prometeu me apresentar uma menina que, segundo ele, é uma loucura. Linda e, se você souber dançar, pega fácil. Além do mais ela teria duas características que a tornavam totalmente especial: dá no primeiro encontro e dá o cu.
O meu amigo gostava especialmente de contar a história do dia em que praticou o cunilingus com ela. Não vou entrar em detalhes.
Pois bem, fui ao forró, ele me apresentou, dancei com ela, peguei a menina, beijo vai, beijo vem, perguntei se ela queria sair, saímos, fomos pro carro, demos beijos no carro, nos separamos, fiz um cafuné olhando nos belíssimos olhos dela que, veja você, eu não lembro a cor, então como quem não quer nada liguei o carro, ela perguntou porque eu tava ligando o carro, eu disse que pra darmos uma volta, ela deu um sorriso maroto e fomos pro motel.
Comi.
O cu.
Isso tudo foi há um mês. Há três semanas o meu amigo começou a aparecer com umas feridas na boca. Há cinco dias eu comecei a sentir uma dor na hora de mijar. Há três eu comecei a mijar sangue. Ontem, fui ao médico.
Urologista. Nunca entendi porque alguém iria na vida querer ser urologista. Urologista pra mim era ser médico de pau. Pra que que o cara, sem ser viado, vai querer ser médico de pau? Aí qual não foi a minha surpresa ao ver uma senhora na fila do consultório...
Pensei: “Puta merda, é traveco! Mas como pode, velhinha desse jeito”. A senhora tinha uns bons 60 anos. Não imaginei que traveco chegasse nessa idade. Aí na hora que a velha saiu perguntei pra secretária que me explicou que urologista cuida da uretra. E mulher, seus burros, também tem uretra. Mesmo assim achei meio humilhante praquela pobre senhora ter ficado ali, no meio de um monte de homem.
Aliás, humilhante pra todos eles. Eu pelo menos era garotão. Quem me olhava devia pensar: “Esse aí meteu o pau onde não devia”. Quem olhava pros outros devia pensar: “Esse deve tá com impotência”. Quer dizer, acho que eu era o que tava com melhor perspectiva ali. Pela primeira vez na vida me senti um garanhão.
Fiquei um tempo na sala de espera, lendo as tradicionais revistas de consultório. Aliás tenho uma teoria de que quem sustenta o mercado editorial do Brasil são os consultórios médicos. Ninguém mais compra Quem, Caras, Veja, esse tipo de coisa. Até Época tinha lá.
Quando chegou a minha vez eu, por suposto, entrei. O doutor disse ‘oi’ e esticou a mão pra eu apertar. Apertei, o que foi uma decisão bastante temerária. Ele me fez as perguntas padrão e mandou eu deitar na maca, pelado. Deitei, ele ficou ali mexendo no meu pau e, graças a deus, eu não senti nada. Essa é uma vantagem de se ir no urologista, você tira a prova dos 9 de se é viado ou não.
Então ele fez o pedido macabro: precisaria coletar esperma. Eu fiquei meio nervoso, não sabia como reagir e fiz a pergunta mais estúpida do mundo: “Tá, mas como faz isso?”. Ele abriu um sorriso de meia boca e me deu um potinho. Apontou uma porta nos fundos da sala e disse: “Vai ali dentro, o esperma tem que ficar no potinho, claro. Quando terminar é só sair. Tem uma pia lá também pra lavar a mão”. E eu fui.
E esse deve ser o segredo mais guardado nas faculdade de medicina, porque ali estava a explicação que eu vinha buscando há anos. Que tipo de homem se torna urologista? Os punheteiros! Aquilo era o paraíso da punheta. O Éden de Onan!
Tinha um armário daqueles de arquivo com etiquetas em cada pasta: “Playboy”, “Sexy”, “Brazil”, “Internacional”, “Ele Ela” e outras menos votadas. Tinha um vídeo K7 e um acervo inacreditável de filmes pornô. E, viva a tecnologia, um computador com os bookmarks mais incríveis que já vi na minha vida!
Meti na cabeça que não haveria perigo de sujar a minha mão em nada do que eu mexesse ali, afinal de contas ele havia sido bem claro: o esperma tem que ficar no potinho.
Fui direto ao meu ponto fraco, àquela revista que eu sabia que me faria ter quase que uma ejaculação precoce, a incomparável Luciana Vendramini, com 16 anos, na Playboy. Mas esse foi um momento íntimo e eu vou poupar vocês dos detalhes.
Dali eu entreguei o pote pro médico e ele mandou eu voltar em trinta dias. Me receitou um antibiótico, porque certas bactérias no cu dos outros é refresco, mas no piru fazem um mal danado.
Karno Evilio
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