Entrevista: Arnold Schwarzenegger

Fomos até a Califórnia para bater um papo com a principal estrela das eleições para governador mais cinematográfica da história.

Entrevistar o ator Arnold Schwarzenegger, candidato a governador do estado da Califórnia, foi mais fácil do que parecia. Os marqueteiros da campanha de Schwarzzie reservaram boa parte do tempo do candidato para entrevistas com a imprensa internacional. Como os assessores do ex-fisiculturista não conheciam a linha editorial do Cocadaboa, bastou mandar nossas estatísticas comprovadas com mais de um milhão de acessos mensais ao site e a equipe do ator logo aceitou colocá-lo em uma conferência via internet conosco. O papo transcorreu bem, mas no fim da entrevista, algum assessor de Schwarzzie acessou a versão em inglês do Cocadaboa feita pelo Google e a conversa teve que ser interrompida. A equipe do candidato proibiu a publicação da entrevista, dizendo que Schwarzenegger se reservava ao direito de negar qualquer declaração registrada por nós. Decidimos correr o risco de sermos processados e publicar a entrevista mesmo assim.

Cocadaboa: Mr Chwarzeneggerr, muitos de seus colegas comentam que seu caso é completamente diferente do de Ronald Reagan, ator que virou presidente dos Estados Unidos, já que o senhor não chegou realmente a ser um ator. Essas afirmações maldosas o incomodam mais do que a falta de criatividade da imprensa, que sempre se refere ao senhor como o Exterminador do Futuro?

Arnold: Vocês podem ter certeza que as pessoas que estão fazendo comentários maldosos engolirão cada sílaba pronunciada contra a minha candidatura e colocando em dúvida a minha capacidade. Tudo bem que eu faço um tipo “anabolizado idiota”, com raciocínio lento e que fala travado feito um robô. Mas já se foi o tempo em que para ser político era preciso ser um grande acadêmico. Hoje em dia não é preciso sequer ser alfabetizado. Veja o seu presidente Lula, por exemplo... E ainda friso que eu, ao contrário dele, consegui aprender a falar inglês.

Cocadaboa: Mr Sharzinegger, o senhor teme não conseguir ser eleito por inabilidade do eleitorado americano? Afinal, se na última eleição presidencial muita gente teve dificuldades em votar em nomes fáceis como George Bush e Al Gore, com um nome complicado como o seu há mais chances de os votos serem anulados, certo?

Arnold: É, isso realmente seria um problema, pois americanos não são bons em decorar nomes (ainda mais na hora de votar). Para vocês terem uma idéia, o nome do Bill Clinton é “William Jefferson Clinton”. Se ele não tivesse trocado “William Jefferson” por algo mais “resumido e idiota” como “Bill”, certamente nunca seria eleito. Por sorte, já sou detentor dos direitos autorais sobre o nome “T1000” e é com ele que vou concorrer.

Cocadaboa: Mr Scwharnezzer, há boatos que dizem que o senhor, como austríaco de nascimento, sonha repetir a trajetória política de um famoso compatriota, Adolf Hitler. A história procede?

Adolf quem? História? Não era muito bom nisso. Meu negócio era mais Educação Física...

Cocadaboa: Mr Schincazenegger, as pesquisas indicam que o senhor deve derrotar seus concorrentes na eleição para governador da Califórnia. Mas o senhor acha que sua vitória estará ameaçada caso outro partido lance a candidatura de Sylvester Stallone, que no passado foi seu grande rival nas bilheterias?

Arnold: É, nós estamos com medo que isso aconteça. Provavelmente eu o venceria de lavada no primeiro turno. Mas depois disso, ele tomaria um esporro da mulher e ficaria abalado com a morte de seu principal cabo eleitoral. Ele entraria em depressão e iria treinar no meio da Sibéria, correndo na neve, cortando tocos de lenha e puxando trenós. Isso faria uma força inexplicável despertar no seu mais profundo “eu interior” e no segundo turno, na última urna, ele viraria a disputa e me venceria por um voto.

Cocadaboa: Mr She-Razinegger, informações de bastidores dão conta que depois que o senhor virar governador da Califórnia, seu agente vai lhe oferecer o papel de presidente da república nas próximas eleições. O senhor já está se preparando para mais esta atuação? Ou acha que ter sido Mr Universo uma vez já foi o suficiente?

Arnold: Eu já estou em um momento diferente de minha carreira. Deixei de interpretar personagens burros e idiotas para me dedicar a trabalhos mais complexos, como um policial que vira professor de jardim de infância e um homem que fica grávido. Voltar a fazer um tipo imbecil para concorrer em igualdade com o Bush seria um retrocesso no meu trabalho artístico.

Cocadaboa: Mr Shazannegger, é verdade que se por acaso perder a eleição o senhor vai quebrar a cara de todo mundo?

Arnold: Não, vocês trocaram as bolas. O povo vai quebrar a cara caso eu vença. Aí sim, eles vão ver o que é ficar na merda...


O Calunia & Difamação é escrito por Odisseu Kapyn nas perguntar e mrmanson@cocadaboa.com">MrManson nas respostas.

as 29/08/03, 02:53

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