Categoria: MEM
Estou de volta companheiros. Passaram-se três meses desde nosso último encontro. Durante este tempo todo comi o pão que o diabo amassou. Isso mesmo o Diabo, capeta, coisa ruim... Eu dei um pulinho no inferno e me encontrei com ele. Chegando lá olhei bem nos olhos dele e o mandei chupar cajú, dei meia volta e retornei pra dizer como é que foi a aventura. Lição de vida.
É, vida essa que apronta um monte de cagadas conosco e exige que a cada momento nós tenhamos que remexer nossa bunda flácida e tocar a boiada em frente. Mas as coisas ruins passam (ou não) e temos que ser fortes como curupiras megalomaníacos para aguentar o tranco. Por isso, agora todo dia pela manhã canto o lema dos guarda-vidas: “UH eu não posso parar, se eu paro eu penso, eu penso eu caio...”
Ainda com lembranças vivas do inferno em minha memória, me disponho a escrever sobre diferentes assuntos que têm me intrigado nestes últimos tempos. Vamos lá.
O primeiro e mais importante de todos é o relacionado à novela de Manoel Carlos. A viradinha de língua da Natalia do Vale vem despertando paixões, assim como as duas sapatas, que se Deus é pai um dia ainda se enroscarão bonito. Mas não é isto que importa. O importante é a criança Salete. A menina é a melhor atriz dos últimos tempos da teledramaturgia nacional. Ela é muito engraçadinha e trabalha como se já tivesse 50 anos nas costas. Salete me deu até vontade de colocar mais filhos no mundo, de dar uma irmãzinha de “chiquinhas” no cabelo para meus filhos Mazola e Josi. Além disso a pequena ainda mostra grande maturidade ao aturar com muita calma o mala-mestre do Toni Ramos, que vale ressaltar, quando sopra o saxofone parece um bicho malvado. Que horror Toni! Avante criançola!
Outro assunto. Assistindo ao RJ-TV durante toda minha estadia no inferno pude perceber que quando as matérias feitas ao vivo vão ao ar, um homem de mais ou menos 65 anos, de cabelo pintado vestindo terno e gravata, com pinta de funcionário público burocrata aposentado, aparece sempre de papagaio de pirata atrás da repórter com uma grandessíssima cara de imbecil, fingindo ser importante. O velho é onipresente, seja em Bangu ou no Leblon ele está sempre lá no seu cantinho. E pior, se ele ficasse quieto tudo bem, mas não, sempre que percebe que está sendo filmado o coroa saca seu telefone celular e se põe a mexer os lábios como se estivesse falando com alguém. Imagino que este ser louco, muito louco. Prestem atenção nele. Que merda. O pior é que eu já avistei esta figura pessoalmente no cruzamento da Av. Rio Branco com a Sete de Setembro e constatei que ele é real, de carne e osso.
Também digo a vocês que minha avó de mais de cem anos tem uma amiga de noventa e seis anos que possui o apelido de “Jovem”. Imaginem a cena. Minha avó falando assim: - “meu neto, traz um cafezinho para mim e para a Jovem”. Aí você leva o café e dá de cara com a tal “Jovem”, e percebe que ela é mais velha que o Lousadinha e que o Carlos Lessa juntos.
Pau no cú de todos que são contra as reformas governamentais e muitos vivas para o Botafogo de Futebol e Regatas, melhor time do Rio no Brasileirão.
Se tudo (es)correr bem por aqui, prometo não desaparecer mais. Sr. Manson já tava arrancando os cabelos.
Tenho ouvido muitos discos ultimamente vou lhes indicar os quinze mais dos últimos três meses:
- Los Hermanos – Ventura (2003) – Brasil rock bonito
- Donovan – Fairytales And Colours (1998) – Escócia folk bonito
- Gasoline – Take It To The People (2001) – Japão rock violento
- Kenny Dorham Septet – Blue Spring (1959) – Jazz muito agradável
- Baden Powell e Vinicius de Moraes – Os Afrosambas (1966) – macumba-bossa-poeta-bêbado-bom-vilões-bons
- The Velvet Underground – VU (1984) – Radical
- Woody Guthrie – Bound For Glory (1958) – O cara de quem o Bob Dylan era fã
- Nara Leão – Nara (1964) – Voz e músicas lindas
- Carl Perkins – Dance Album Of Carl Perkins (1958) – Rock’n’roll
- Curtis Mayfield – Curtis (1970) – Sou(l) negão
- The Kinks – Singles Collection (1999) – 60’s eram do cacete
- Belchior – Alucinação (1976) – Nordestino lutador
- Tom Waits – Alice (2002) – Muito classudo este disco. Voz do cara sinistra como sempre.
- Thelma – Thelma Canta Nelson do Cavaquinho (1966) – O Nelson é um mestre e a Thelma manda bem nas interpretações. Tem até hammond!
- Crosby, Stills, Nash & Young – Déjà Vu (1970) – Country rock setentão
Saúde pra todos.
Obs: Apagador 4 horas, apagador 4 horas....
MEM
mem@cocadaboa.com
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