Entrevista: Marc Vivien Foe

Fomos ao além para entrevistar o jogador camaronês que morreu subitamente durante um jogo.

Desta vez fomos além nos nossos esforços para conseguir entrevistas reveladoras. Fomos além, mesmo. Decidimos entrevistar Marc Vivien Foe, jogador camaronês que morreu na semana passada durante o jogo contra a Colômbia. Para entrar em contato com o craque, procuramos um médium espírita de talento. Tentamos alguém da família Gaspareto, mas eles cobraram muito caro para nos ajudar. Sem orçamento, tivemos que apelar para um tabuleiro de oui-ja, também conhecido como Jogo do Copo. Invocamos o espírito de Foe e deu certo. Ele apareceu e tivemos um bate-papo descontraído, ainda que meio demorado, já que levava certo tempo até formar frases indo de letra em letra no tabuleiro. No fim da conversa, Foe nos surpreendeu pedindo que sacrificássemos uma galinha e deixássemos uma pinga no meio do campo do Maracanã, durante um jogo, em homenagem a ele. Como nos recusamos a nos submeter a uma situação constrangedora como essa, Foe ficou aborrecido, disse que não permitiria a publicação da entrevista, estourou o copo de requeijão que estávamos usando e sumiu. No entanto, decidimos correr o risco de ser obsediados e publicamos a entrevista mesmo assim.

Cocadaboa: Foe, o que foi que aconteceu para que você morresse no meio do jogo? Faltou perna?

Foe: Nada disso! O que faltou foi pressão arterial! A culpa é daquele bosta do Galvão Bueno. Ele ficou enchendo o nosso saco, falando que jogador bom tem que colocar o coração no bico da chuteira. Deu no que deu...

Cocadaboa: Você aceitou algum presente da seleção colombiana antes da partida?

Foe: Não. Mesmo sentindo que minha carreira já estava no final, recusei os agrados colombianos. Mas já que o “protocolo de cortesia” das partidas foi mencionado, aproveito para dizer que fiquei muito chateado com o meu marcador. No final da partida ele não quis trocar de camisa comigo. Acabei tendo que me contentar com um paletó de madeira.

Cocadaboa: O que você achou da seleção de Camarões perder na morte súbita a final para a França na Copa das Confederações?

Foe: Eu achei uma das homenagens mais lindas na história do esporte. Tinha um pôster meu no banco de reservas, todo mundo vestiu a minha camisa e, para completar, meus companheiros de equipe fizeram questão de 'se foeder' na morte súbita. Foi lindo!

Cocadaboa: Você concorda com os planos da seleção de Camarões de continuar escalando você para os jogos, alegando que teria vantagem nas disputas corpo-a-corpo e que poderia marcar belos gols espíritas?

Foe: Estou estudando esta hipótese, mas só quero aceitar se for para jogar enfiado. Lá na “zona do agrião” mesmo, a sete palmos da entrada da área.

Cocadaboa: Você ficou magoado com as piadas de humor negro que fizeram contigo, como as do site que teve que retirar suas brincadeiras do ar por protestos do público?

Foe: Nem um pouco, muito pelo contrário. Transformei cidadãos comuns em humoristas profissionais! Graças a mim, qualquer idiota se sentiu capaz de escrever uma gracinha óbvia ou fazer um trocadilho escroto, se achando um grande “piadista”. Se minha morte serviu como um alento para alegrar vocês e suas vidas tão patéticas, parto deste mundo com a sensação de dever cumprido.

Cocadaboa: Você achou de mau gosto a declaração do técnico da Colômbia, dizendo que no futebol era preciso matar um leão por dia, numa referência velada ao apelido da seleção de Camarões, os Leões Indomáveis?

Foe: Ele é muito falastrão. Acabou tomando um gol e teve que calar a boca. No futebol, não se pode cantar vitória antes da hora, todo mundo sabe que esse jogo é um caixão de supresas.

Cocadaboa: Como está a situação aí no céu em termos de futebol? Vocês podem jogar bola aí? Estão para fazer alguma contratação de peso nos próximos dias?

Foe: Céu? Tá maluco rapá? Aqui não tem virada de mesa como no Clube dos 13 não! Aqui no além a gente tem que suar a camisa, mostrar que merece 'subir' jogando. Estou em uma equipe no purgatório. Se a gente ficar entre os dois primeiros, ganhamos o direito de entrar no paraíso, mas se ficarmos entre os dois últimos a gente 'desce'.

Cocadaboa: Você pretende reencarnar em Camarões mesmo ou em algum país que tenha uma seleção mais competitiva?

Foe: Já entrei em contato com o meu procurador e ele tá para descolar uma reencarnação no Brasil. Sempre foi meu sonho jogar aí! Mas só aceito se for em um time bom. Dispenso Vasco, São Caetano e outros 'eternos vices'. Prefiro morrer subitamente do que morrer na praia todos os anos.

O Calúnia e Difamação é escrito por Odisseu Kapyn nas perguntas e mrmanson@cocadaboa.com">MrManson nas respostas.

as 02/07/03, 01:52

Envie para um amigo:

Mercado Livre

Categorias: Artigo (3) · Avisos (21) · Calúnia e Difamação (1) · Cocadaboa News (9) · Cotidiano (25) · Crítica (12) · Jabá (9) · O que vi (128) · Respostas (11) · Top 10 (2) ·
Textos antigos: Adaílton Persegonha (34) · Autores Convidados (31) · Blog (1785) · Calúnia e Difamação (43) · Cocada Responde (45) · Cocadaboa News (151) · Eddie Torres (45) · MDF News (12) · MEM (55) · Mensagens do Editor (25) · MrManson (101) · Odisseu Kapyn (57) · Ombudsman Girl (31) · P.I.R.U. (39) · S.A.C.aneie (35) · Sherlock Holmes da Silva (36)

· ·

· · · · eslovenia
BlogBlogs.Com.Br

Atenção: Nosso conteúdo é 100% humorístico e/ou mentiroso. Quer nos processar? Boa sorte, estamos hospedados na Eslovênia.