Categoria: MrManson
A Guerra no Iraque foi um tédio completo. Sobraram jornalistas e faltaram notícias.
Se dependerem das guerras atuais, as pessoas que curtem jogos como o “Medal of Honor” estão lascadas. Em pouco tempo este formato que explora as batalhas da Segunda Guerra Mundial vai ficar saturado e os desenvolvedores terão que lançar novas versões inspiradas nas guerras modernas, como esta recente invasão do Iraque. Vai ser o fim da picada.
Qual a graça desses combates? Tecnicamente, isso nem pode ser chamado de guerra. “Guerra”, por definição, se refere a um conflito aonde os dois lados entram efetivamente em combate. É como uma luta. Se eu pegar um moleque de sete anos e enfiar a porrada, não posso dizer que “lutei”. Acho até que o Iraque teria mais sucesso caso os seus apelos tivessem sido encaminhados para a delegacia de proteção ao menor. Esse negócio de contar com o Conselho de Segurança foi a maior furada.
A falta de animação no “front” foi tanta que a mídia precisou ficar criando factóides para se alimentar. Foi o que fizeram com a invenção do tal “fogo amigo”. Nos apresentaram essa merda como uma grande novidade, algo escandaloso e capaz de “mudar a história de um conflito”. “Que absurdo! Aliados se matando!”
Porra, fogo amigo existe desde a época do William Wallace (“Coração Valente”, seu idiota)! Ou vocês acham que no meio daquela confusão com monte de barbudos sem uniforme se digladiando em um campo de batalha lamacento alguém sabia diferenciar quem era amigo ou inimigo? Nego saía passando o rodo e o último que ficasse de pé ganhava. Antigamente a porradaria tinha tanto “conteúdo”, tanta “animação”, que o fogo amigo era um personagem secundário. Ninguém dava a mínima.
Hoje em dia quase ninguém morre! Os EUA nem vão poder homenagear as poucas vítimas com um tradicional “túmulo do soldado desconhecido”. Já deu até para decorar o nome da dúzia de manés que morreram, eles são “soldados mais do que conhecidos”. Chamei de “mané” sim! Não é desrespeito, é a realidade. Um “marmanjo” que apanha de uma “criancinha de sete anos” não merece o mínimo respeito. Um soldado americano que morre numa merda de batalha como essa só pode ser retardado, do tipo de gente que vê um botão vermelho dentro de um helicóptero com os dizeres “não aperte” e mesmo assim não resiste. Pronto! O cara e mais todos os passageiros ganham uma viagem de volta dentro de uma sacola preta. Triste, eu sei. É melhor rir para não chorar. São as contingências da vida moderna, da “guerra inteligente” feita com o simples “apertar de botões”.
Acho que se guerra do Iraque tivesse durado mais um mês, esses casos de “idiotice aguda” (que provavelmente explicariam 90% das baixas) iriam começar a ser divulgados. O Pentágono não seria capaz de abafar manchetes tão hilárias por muito mais tempo... “Sargento faz confusão entre rifle de ‘paint-ball’ e rifle verdadeiro”. “Entupimento de latrina termina em tragédia biológica”. “Soldado com ‘larica’ morde granada por engano”...
Mas nem tudo nessa guerra foi inútil e sem sal. O número de jornalistas mortos bateu todos os recordes. Mais uma vez: não é desrespeito, é a realidade. Você, uma pessoa normal e evoluída, ficaria andando para cima e para baixo em um campo de batalha carregando uma câmera (que de longe parece uma bazuca) e um microfone (que de longe parece uma granada) esperando sair ileso? Só consigo imaginar uma coisa que seja mais “sem noção” do que isso: aqueles carinhas que ficavam carregando um estandarte e tocando um tambor nas já mencionadas batalhas da época do William Wallace. Fala sério! Se eu estivesse em um campo de batalha, empunhando uma espada e com permissão para matar qualquer um impunemente, a minha primeira vítima seria o babaca que se enganou, achando que estava indo para um desfile das Escolas de Samba.
MrManson
mrmanson@cocadaboa.com
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