Categoria: Odisseu Kapyn

O 2002 que não aconteceu!

Neste fim de ano você vai ficar de saco cheio de tanto ver retrospectivas sobre 2002. Você já sabe que vai ver Ronaldinho marcando gol na Copa, Lula vencendo a eleição, os assassinatos mais chocantes e alguns escândalos sexuais. Qual é a graça de ver o que já aconteceu? Mais interessante é saber como seria o ano se pequenos contratempos impedissem o rumo da história que vimos se desdobrando na mídia em 2002. Com vocês, a retrospectiva do 2002 que não aconteceu.

O 2002 que não aconteceu!



Neste fim de ano você vai ficar de saco cheio de tanto ver retrospectivas
sobre 2002. Você já sabe que vai ver Ronaldinho marcando gol na
Copa, Lula vencendo a eleição, os assassinatos mais chocantes
e alguns escândalos sexuais. Qual é a graça de ver o que
já aconteceu? Mais interessante é saber como seria o ano se pequenos
contratempos impedissem o rumo da história que vimos se desdobrando na
mídia em 2002. Com vocês, a retrospectiva do 2002 que não
aconteceu.


Pouco antes das eleições do primeiro turno, Duda de Mendonça,
o publicitário da campanha de Lula, toma um porre e no auge da bebedeira
telefona para o candidato petista de madrugada e diz que ele deve raspar a barba
para aparecer no debate do dia seguinte. Lula segue a orientação,
vai para o banheiro, procura um barbeador e não acha. Encontra apenas
uma navalha. Ainda meio tonto de sono e sem experiência no uso do instrumento,
Lula acaba perdendo mais um dedo da mão já desfalcada. Nervoso
com o sangue que jorra, Lula acaba também cortando parte da língua.
Sem a barba, sem a língua presa, sem usar vermelho (A hemorragia do acidente
lhe causou pavor da cor) e com apenas oito dedos, Lula perde seu carisma. Nem
os velhos companheiros o apóiam mais, dizendo que o candidato mudou demais.
Regina Duarte vai à televisão vestida de viúva Porcina
e diz que tem medo do Navalhada, fazendo um trocadilho com o nome do vilão
da novela Roque Santeiro e o novo apelido de Lula. É o fim da candidatura
petista. Serra, agora com implante de cabelos (para passar uma imagem de oposição
a tesouras e navalhas), fica extremamente atraente ao eleitorado feminino e
ganha a eleição no primeiro turno. Há boatos que ele estaria
tendo um caso com Patrícia Pillar.


Pouco antes de embarcar para a Coréia, Ronaldinho assiste a um episódio
de Pokémon e tem uma convulsão com as luzes do desenho. Durante
a crise, cai da janela e fica tetraplégico, gerando material para impiedosas
piadinhas aludindo ao "tetra". Romário é convocado no
lugar do craque. No Japão, foge da concentração levando
Kaká de madrugada para uma casa de gueixas. O jovem atleta de Cristo
perde a virgindade e larga a religião. O incidente cria um clima de instabilidade
na Família Scolari, já que os outros jogadores evangélicos
da Seleção pedem que Romário seja punido e não jogue
mais. Felipão perde a cabeça e briga com toda a equipe. O clima
de desunião faz com que os jogadores briguem em pleno campo, no jogo
da semifinal, contra a Turquia. O ápice da confusão se dá
quando Juninho chama Romário de baixinho, os dois trocam sopapos e são
expulsos. A Turquia vence o jogo com facilidade, numa goleada histórica.
Mas os turcos perdem a final para a Alemanha, que se torna tetracampeã
como o Brasil.


No meio do ano, Suzane von Richthofen flagra o namorado na cama com outra patricinha.
Ela parte para cima dos amantes, mas o rapaz a domina e lhe dá uma surra
exemplar. A moça rompe o namoro, chega em casa toda cheia de hematomas.
Os pais da menina ficam horrorizados com a situação e mandam o
segurança da família ir às forras com o sujeito. O brutamontes
se excede e acaba matando o ex-namorado de Suzane. As investigações
sobre o caso são logo arquivadas depois que os policiais recebem dinheiro
para esquecer o caso. Suzane marca casamento para o fim do ano com o novo namorado
que arranjou, Thirso, o ex-participante do programa Big Brother que ficou famoso
por se revoltar contra a suposta traição de sua colega Manuela
e dar-lhe um tapa na cara, ao vivo para todo o Brasil. O casal Thirso e Suzane
fica famoso e mocinha é reverenciada como mais uma das musas das revistas
de celebridades.


Uma grave crise financeira assola os Braule Pinto, uma pacata família
de Brasília que ainda tenta digerir o seqüestro de seu filho Pedrinho,
há dezesseis anos. A mãe da família, Auxiliadora, se sentindo
insegura, busca abrigo nos braços de um velho amigo apaixonado por ela
desde a faculdade. O chefe da família, Jairo, fica sabendo do romance
e acaba achando que o caso é antigo. Mas fica quieto, pois não
pode arcar com as despesas de uma separação no momento. No meio
de todos esses problemas, surgem suspeitas de que um garoto chamado Oswaldo,
morador de Goiás, possa ser o pobre Pedrinho. Jairo pensa na boca extra
que teria que alimentar nesses tempos de dificuldade financeira e ainda conjectura
sobre a verdadeira paternidade de Pedrinho. O medo de passar por marido traído
diante da mídia o ajuda a decidir deixar essa história de Pedrinho
no passado. O garoto Oswaldo continua levando uma vida tranqüila ao lado
da mãe, ladra de bebês.


O diretor de jornalismo da Rede Globo fica recebe um memorando da família
Marinho dizendo que precisa fazer grandes cortes na redação, já
que a empresa enfrenta problemas financeiros com o prejuízo de sua TV
a cabo. Ele olha a folha de pagamento e vê que um dos maiores salários
é o de Tim Lopes. Pensa um pouco sobre a situação do repórter,
acha que como ele já é conhecido pelos traficantes cariocas talvez
não seja mais tão útil para fazer reportagens de denúncia
contra os criminosos. Decide investir em um novo funcionário e inclui
o nome de Tim na lista de passaralho (termo usado para designar demissões
em massa nas redações). O repórter logo consegue emprego
na produção do programa de João Kleber, descobrindo casos
escabrosos para serem explorados na TV. É apenas uma fonte de renda para
sustentá-lo enquanto escreve um livro-bomba sobre os bastidores da Globo.
No fim de 2002, Tim Lopes é um nome proibido de ser mencionado na emissora,
exposta pelas denúncias do best-seller de Tim. Elias Maluco continua
fornecendo drogas para o consumo de jornalistas do Rio.


Na hora de fechar o elenco para rodar Cidade de Deus, Fernando Meirelles recebe
uma inesperada cota de patrocínio da Record. Para contar com o investimento
milionário, Fernando precisa apenas dispensar os atores amadores com
quem pretendia trabalhar e usar artistas conhecidos da emissora do bispo Macedo.
Eliana e Adriane Galisteu são apenas alguns dos nomes que passam a integrar
o elenco do filme, ao lado de Simony, Afro-X e Compadre Washington, que já
vinham sendo sondados para o programa Turma do Gueto. Outra exigência
da Record é que não sejam usados palavrões no roteiro.
A produção acaba sendo um retumbante fracasso de público
e crítica, ficando apenas uma semana em exibição. Uma das
maiores zombarias feitas sobre a produção é a citação
de uma patética passagem do filme: "Por Jesus! Não me chame
de Dadinho. Meu nome agora é Zé Pequeno, céus!", dita
por Netinho. Xuxa e os duendes foi o filme mais visto do ano.

O pediatra Eugênio Chipkevitch tem um sério problema intestinal
e procura um colega especialista. Durante o tratamento, acaba se interessando
pelo ramo. Passa a ler tudo sobre o assunto, faz alguns cursos e acaba abandonando
a pediatria. Como conseqüência, deixa a pedofilia e passa a praticar
coprofilia. Chipkevitch se afasta dos amigos pedófilos e escapa de ser
pego em uma grande investigação da Polícia Federal sobre
o crime. No mercado negro dos vídeos pornôs, o ex-pediatra é
tido como o rei da coprofilia, usando amostras de exames de fezes de seus pacientes
em suas orgias.


Paulo Coelho decide aceitar um desafio de Padre Quevedo em um quadro do Fantástico.
O religioso especializado em paranormalidade consegue provar facilmente que
Paulo Coelho não é mago. O escritor passa a ser motivo de piadas
no mercado literário. Na França, um dos países onde mais
se vendem obras de Paulo Coelho, o escritor põe tudo a perder quando
tenta se defender numa coletiva de imprensa e diz que seus livros são
mais importantes que os de Saint Exupéry e que Brida é mais profundo
que O Pequeno Príncipe. Suas vendas despencam por lá. A situação
só piora quando Paulo Coelho vai ao Programa do Jô. O humorista
contrata um grupo de redatores que o ajudam a fazer graça com o escritor,
que não tem nem oportunidade de falar, como todos os entrevistados de
Jô. Quando uma vaga é aberta na Academia Brasileira de Letras com
a morte de Roberto Campos, Paulo Coelho é descartado e Jô Soares
é convidado para ocupar duas cadeiras na associação.


Odisseu Kapyn

odisseu@cocadaboa.com

as 16/01/03, 20:05

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