Categoria: MrManson
Quem teve saco para escutar a Rádio Cocadaboa #1 deve se lembrar da minha idéia de fazer brinquedos politicamente corretos, para que as crianças aprendam a conviver com as diferenças desde cedo. Nossa sociedade não pode continuar aceitando aquelas piadinhas inocentes da hora do recreio, tipo: "quando preto é gente?", "quando o pobre sobe na vida?" ou "quando leproso come carne moída?'. Como dizia minha professora de Econometria: "aprender brincando é a melhor forma de aprender".
Publicado originalmente em julho de 2001.
BRINQUEDOS PARA UM MUNDO MELHOR
Quem teve saco para escutar a Rádio Cocadaboa #1 deve se lembrar da minha idéia de fazer brinquedos politicamente corretos, para que as crianças aprendam a conviver com as diferenças desde cedo. Nossa sociedade não pode continuar aceitando aquelas piadinhas inocentes da hora do recreio, tipo: "quando preto é gente?", "quando o pobre sobe na vida?" ou "quando leproso come carne moída?'. Como dizia minha professora de Econometria: "aprender brincando é a melhor forma de aprender".
Claro que bonecos negros e asiáticos já podem ser encontrados no mercado, mas eles não vêm com as instruções necessárias. Resultado: os filhos de socialites compram esses bonecos para servir exclusivamente como empregados, agravando ainda mais a sua índole perversa. É necessário aumentar essa gama de produtos, a lista é quase infinita. Poderiam ser lançados a Barbie paraplégica, o Ken com vitiligo, a Suzy mãe solteira, os Comandos em Ação siameses, o Playmobil cego e muitos outros.
O aprendizado não precisa ficar restrito aos bonecos. Outros jogos podem ser adaptados ou inventados para que a utopia de uma sociedade sem preconceitos fique mais viável. Poderia ser feito um Super Trunfo sobre religião, onde os jogadores comparam dados como número de fiéis, privações impostas, número de feriados e ações extremistas, por exemplo:
- "Eu tenho a carta dos católicos, no batizado só preciso molhar a cabeça com água!"
- "Uhu! Eu tenho a carta dos judeus! No batismo tenho que cortar o prepúcio do meu pau! Sofro muito mais, ganhei!"
Outra adaptação interessante seria a do Jogo da Vida. Pra começar, as profissões poderiam ser modificadas para decorador, designer de moda, pai de santo e bicheiro (advogado, médico e físico são coisas muito caretas). Na hora do casamento deveria ser permitido escolher um parceiro do mesmo sexo e iniciar uma família alternativa. Esse negócio de separar as raças em duas cores (azul claro e rosa) também não é legal. Bonequinhos pretos, brancos, mulatos, mamelucos, amarelos e cafusos deveriam ficar disponíveis para cada jogador se sentir mais à vontade na hora da escolha.
Não adianta ficar esperando a solução de braços cruzados (principalmente se sua mãe tomou talidomida durante a gravidez). Nós do Cocadaboa resolvemos colocar a mão na massa e realizar este projeto. Nossa subsidiária infantil já desenvolveu uma linha de protótipos especiais para educar nossas crianças, a patente está disponível para que qualquer fabricante de brinquedos possa colocá-los no mercado. Nós não cobraremos royalties e direitos autorais, tudo que queremos é um mundo melhor.
Perny Perneta:
A única boneca do mundo com perna mecânica. Com ela seus filhos aprenderão a respeitar aquele amiguinho deficiente que não pode jogar futebol. Nunca mais as brincadeiras do tipo "fulano é um perna de pau" serão escutadas em nossa sociedade.
Policial Gay:
Brinquedo muito útil. Ao mesmo tempo ensina para sua filha a anatomia correta dos homens, ele acaba com o tabu da imagem do policial como figura sisuda e ameaçadora. Seus filhos poderão literalmente brincar de descer o cacete no PM, ficando mais à vontade no futuro, quando chegar a vez deles tomarem uma dura. Advertência: o físico avantajado do boneco pode agravar o trauma do seu filho por ter um pinto pequeno.
Playmobil Ku Klux Klan:
Ideal para as crianças afro-brasileiras de classe média. Desde cedo elas conviverão com a imagem do diferente, brincando e se familiarizando com os amiguinhos de capuz branco. Seus filhos aprenderão a responder o ódio racial com amor, sem alimentar sentimentos nefastos como a sede por vingança.
Barbie Martinha, a Prefeita de SP:
A classe política é uma das que mais sofrem com o preconceito da sociedade. Com Martinha seus filhos vão poder acabar com esse mito de que político é tudo ladrão e não liga para o povo. Muito útil para ver que os nossos governantes não se importam apenas em roubar verba pública e colocar no cu do cidadão. Martinha mostrará que atividades como tomar chá no Coutry Club e fazer compras em Paris podem ser uma parte importante do dia-a-dia de um político. Advertência: O marido banana e o filho problemático são vendidos separadamente.
Aguardem as próximas edições para conhecer nossos novos produtos. Não deixe de entrar em contato com o SAC da Estrela pedindo para que nossa linha de brinquedos politicamente corretos seja fabricada.
MrManson, na luta por um mundo melhor.
Agradecimento: Cris, por ter mandado as fotos e ter saco pra ler a gente.
mrmanson@cocadaboa.com
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