Categoria: P.I.R.U.

Se a Fala Falasse

Veja bem a foto!

A Falta de reconhecimento está atrelado ao fato de estarmos falando de Buzolina, personagem famosa da década de 80 que contracenava em palco com Bozo, o palhaço chincheiro do SBT. E agora, passada a época das eleições, o que pude perceber é que esta primeira eleição a Presidente foi o que houve a maior repetição de discurso.

Publicado originalmente em outubro de 2002.

Se a Fala Falasse
(Ou a Falácia dos Discursos dos Candidatos)

Veja bem a foto!
A Falta de reconhecimento está atrelado ao fato de estarmos falando de Buzolina, personagem famosa da década de 80 que contracenava em palco com Bozo, o palhaço chincheiro do SBT. E agora, passada a época das eleições, o que pude perceber é que esta primeira eleição a Presidente foi o que houve a maior repetição de discurso. Enquanto que a eleição de 1998 foi uma eleição de cartas marcadas, esta mostrou que a total falta de perspectiva brasileira delimitou nossos candidatos a uma busca pelo que falar. Todos os candidatos mostraram estar falando da mesma coisa, a mesma base de governo, porém com bases discursivas totalmente trocadas. Desde o peronistta Mussolínico Ciro ao Malufista Cubano Lula, o que se estendeu foi uma severa busca de novos valores de discurso, nessa eleição sem opções previamente ditas, o­nde desta vez o povo teve que realmente pensar para poder chegar a um denominador comum e eleger algo.

Mas mesmo assim, as antigas campanhas eleitorais já sobrejulgavam um belo candidato, e como, este ano, com o surgimento de uma Bigoduda de nome Roseana, a indefinição direitista, após a sua saída, fez com que a imagem de um personagem de esquerda se fortalecesse e se fizesse forte o bastante para chegar a alguma coisa. Querendo ou não, esta é a primeira eleição o­nde Lula, com um discurso mais centrado, porém menos analfabeto, chegou perto de vencer em Primeiro Turno, e não de iniciar a campanha com a dianteira e suar a camisa para chegar ao Segundo. Não vou negar que já pensei que o Brasil, em si é, no fundo, no fundo, ligado a uma esquerda tardia, porém tonificante do nacionalismo exacerbado do Brasileiro, mas que sempre fora vencido pelo discurso regido com maestria dos direitistas. Desta vez, o povo brasileiro não foi comprado com um bom papo.

O que mais me surpreendeu foi como a imagem da Globeleza Patrícia Pillar veio a ser usada nestas eleições. Comparar à Evita Perón é até pouco, compará-la a Valéria Valença, travestida de Ana Maria Braga é o que mais me deixou assustado. O que nos favorece é que contra a campanha de Ciro Gomes, existia alguém, na verdade, somente um que tinha como acabar com a campanha de Ciro: o próprio. Com a declaração mais óbvia do que machista sobre Patrícia Pillar, sua campanha foi a pique e nem mesmo o seu Discurso Mussolínico de revalorização do Brasil a partir de sua beleza, reintegralizando o seu valor - sim, Patrícia é valor brasileiro - contudo o seu erro estava em ser feio, e não levantar a mão a esta "Alemanha travestida de América". Pobre Homem.


Última Foto tirada de Patrícia Pillar, Evita Perón e Valéria Valença juntas, em um Pub na Argentina


Na verdade, deixe-me confessar; não vou negar que votei em Ciro Gomes na eleição anterior. Fui sortudo, agora, por ter lido demais sobre eleição.
José Serra, pena, era o mais insosso de todos os quatro personagens. Sua fraca atuação e sua voz assassinada pelo tempo, corroeram a sua campanha, que por sorte, tinha como concorrentes outros dois de discurso forte, mas de decadência discursiva. Serra era o único candidato que não tinha tiques nervosos para falar. Suas palavras eram boas, suas frases eram agigantadas (Oito milhões de empregos!!!) por demais e seu "Boss" era um presidente falacioso e de baixa fama, a popularidade de Fernando Henrique em nada contribuiu para uma alavancada grossa nos números de Serra.

Aqui no Rio, a exemplo disso, com uma história ainda mais triste, surgiu Solange na imagem de César. Antes seria Eduardo Paes, em que esse vingaria como Governador ou então estaríamos a viver o 2° turno, mas Solange era daquelas em que a figura não convenceu. Em seu debate, a sua forma de falar estava flácida, com falta de fluência. O eleitor carioca, que acredita em César, por sua imagem de louco que faz, não caiu nas garras do Niteroiense, mas foi seduzido pela mãe que comanda as criancinhas carentes. Pararei de falar por aqui, por motivos de família (não quero perder a minha esposa à toa, se me permitem dizer).

Já Garotinho, com o mesmo tipo de fala de Edir Macedo na época dos Diretas Já de 1984, foi aos poucos fluindo em direção ao povo mais carente e de carne mais virgem para ser destrinchada. Em todas as escolas em que trabalho, não foi nem um , nem outro, foram todos os serventes e ajudantes do colégio oriundos de uma classe mais baixa, que falavam no que seria "A Verdadeira Atuação Divina na Presidência". Uma evangelização de cabo a rabo - literalmente -, até mesmo nas escolas de um grande poder aquisitivo em que trabalho no Raio de Janeiro:

- Professor..., em quem o senhor irá votar?
- Ainda não sei, Senhor..., esta eleição não apresentam bons candidatos.
- Como não Professor...? Garotinho...

O nome do candidato foi mágico em todos os corredores daqui da Barra da Tijuca e do Recreio dos Bandeirantes, bairro dos emergentes daqui do Rio, a Zona Sul está em baixa. Garotinho e sua prole se tornaram fardos das manhãs de 2ª e 3ª feiras, durante essa era de eleições. E somada a aquele cacoete de sempre levantar a mão para falar e mostrar suas proposições, o martírio de já não ter mais programas em função desta apresentação de vozes, pessoas idéias imagens mensagem e segue e segue e segue, a falta de fôlego e raiva cotidiana.

Como sempre, estou escrevendo esse texto na raiva.

E para falar agora em Lula, será ainda mais asmático ainda (queria poder escrever como Kid, um texto em cinco minutos). Não passei esse tempo todo sem escrever à toa, passei o tempo todo pensando em escrever sobre o quadro dos candidatos e sobre seus discursos, como seriam e dividir em quatro edições, mas não havia tempo, a cada dia era uma mudança nova. Lula foi quem mais me chamou a atenção, a mudança do barbudo para Papai Papudo petista mas com idéias progressistas está bem além do que o PT, em si, é capaz de fazer. Sempre achei que a única parte lúcida do PT mesmo era Mercadante, este é um homem com verdadeiro caráter de esquerda ou de alguém capaz de lutar pelo Brasil, mas o Lula, a priori,era um Fantoche e ainda é um fantoche, que tenho muito medo de se vender ainda mais que Fernando Henrique, eu sei, eu também votei nele, por falta de opção, também votei no Serra, mas será que temos opção melhor do que o voto branco? Devemos mesmo é aproveitar que Lula está de pernas abertas e colocarmos bem lá dentro antes mesmo que ele coloque na gente. Aproveitemos.

Porém, ainda estou tal qual cego em tiroteio, surdo tocando bateria, maneta querendo se masturbar e se acariciar, mas cancelar tudo não é uma boa alternativa? Aqueles que o fizerem, depois falem comigo.


Foto do Último Brasileiro que votou.

P.I.R.U. - sem rumo e sem destino, sem lenço e sem documento, or maybe Lucy in the Sky of Diamonds. (Strawberry Fields Forever)


E no detalhe, foto minha, tirada de perfil, recebendo o beijo caliente de uma fã.
piru@cocadaboa.com

as 15/01/03, 23:50

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