Categoria: P.I.R.U.

Siririca: Necessidade Básica II

Eu cresci.



E não somente obstante na razão e proporção de estar aqui, com o dedo ereto e pronto para muitos mais momentos, eu sei que cresci. Vieram mais e mais mulheres, mais e mais momentos, mais e mais horas de toques e desesperos, eu sei muito bem o quanto volumetricamente eu cresci.

Publicado originalmente em junho de 2002.


(o regozijo, A risada do Capiroto, as lágrimas pulsantes)

Eu cresci.

E não somente obstante na razão e proporção de estar aqui, com o dedo ereto e pronto para muitos mais momentos, eu sei que cresci. Vieram mais e mais mulheres, mais e mais momentos, mais e mais horas de toques e desesperos, eu sei muito bem o quanto volumetricamente eu cresci.

E eu me prendi.

Estou preso a uma cama, em um manicômio, entorpecido pelo cheiro de várias e várias enfermeiras que rondam à minha volta, cortando o ar endemoniado, olhos arregalados, suor e agulhas a minha pele, preciso de vocês. Aos vinte e cinco anos, oito mil e quinhentas horas de dedo e dedo e dedo, e não mais que dedo, percebo que o atrofiamento de todo o resto do meu corpo, agora sim, estão a me fazer falta para dar força ao dedo. Suspiro, e percebo que o meu diafragma ainda tem forças para jorrar sangue a meu indicador, e ainda há enfermeiras.

Eu ainda estou aqui.

Tocando o frio ferro desta cama, uma enfermeira com o mesmo sorriso da minha primeira mulher, desatarraxa o nó da pulseira de couro que torneava o pulso da minha mão esquerda e deixa o calo que se tornou o meu punho inteiro exercer a sua sina. E que sina!

O que nós homens temos que perceber é que as mulheres mesmo não conseguem ficar sem o nosso pendão, o fruto de toda a sociedade masculina ser internalizadamente safada ,é pois, que a mulher assim deseja, assim quer, assim o faz possível de existir, e se um dia o qual eu for romântico por excesso, eu sei, tu sabes, nós todos saberemos que nunca mais haverá um beijo, nunca mais haverá um aperto, nunca mais haverá o selvagerismo do ato sexual, até porque, mulher que é mulher mesmo não gosta de homem bonzinho, não gosta do eterno-carinhoso, não gosta daquele que só sabe vir com flores e não vem sem o cinto das calças. O que vale mesmo é saber que dentro daquela imagem de santa está o pulsante sangue do Capiroto, mais conhecido por Diabo, Bicho Feio, Demônio, e eu sei que nenhuma mulher em sã consciência emocional já não lhe disse que estava com o demônio na cabeça. A carne mesmo é endemoniada, e meu dedo, agora sambando em baixo dessa enfermeira, é a caneta que assina a venda da alma dessa safada ao diabo, e eu, apenas um instrumento de apoio ao contrato eterno com o pecado, sofro mais e mais por essa minha necessidade por goza de mulher. E em meus olhos fixos, eu perco a visão e atrofio as pálpebras neste batuque incessante de bocas, pêlos, risadas sarcásticas e a verdade por saber que somente eu vou para o céu, por saber que cumpri o meu papel por esse amor que eu sinto e se você também o sente, tu também irá me encontrar.

José Francisco Rego - mais conhecido como Cisco Rego, que agora não Cisca, atocha.

P.I.R.U. - Poeta Irresponsável Ruminante e Urinador. Que não toca tão bem quanto o seu amigo acima, mas que sente que o calo também tá se formando.
piru@cocadaboa.com

as 15/01/03, 23:48

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