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Mazolinha e as Meninas

Pra quem não sabe, Mazolinha é meu filho. Menino bonito, esperto, astuto, gente boa. Andou até escrevendo umas colunas aqui enquanto eu estava ausente.

Publicado originalmente em agosto de 2002.

Mazolinha e as Meninas

Pra quem não sabe, Mazolinha é meu filho. Menino bonito, esperto, astuto, gente boa. Andou até escrevendo umas colunas aqui enquanto eu estava ausente.
Nascido e criado em Lumiar, sempre foi uma criança feliz. Andava nu pelas cachoeiras, pegava goiaba no pé, soltava pipa, jogava bola com os cães, tacava merda no ventilador e outras atividades que criança costuma fazer.

Saudável "todavida", sempre andava rodeado de menininhas querendo-lhe sapecar beijinhos no rosto e coisas mais. Certas vezes até brincavam de "mostra a sua que eu mostro o meu" e etc. Tudo muito normal.
Na puberdade também foram freqüentes as garotas ao seu redor. Sempre recebia visitas de moças bonitas que ficavam horas a fio trancadas em seu quarto. O garoto era bom. Nunca tava na seca.

O tempo foi passando e Mazolinha foi amadurecendo e criando juízo. Agora com quase 23 anos está noivo de uma linda menina-peixe, que segundo ele: - "é a mulher da minha vida!" (se é que isso possa existir!). O fato é que ele tava nos trilhos, andava muito bem comportado. Digo andava porque algo de sinistro veio a lhe acontecer nestes últimos dias.

Semana passada o menino foi assistir aos desfiles de moda que aconteceram no Museu de Arte Moderna (MAM). Mazolinha ganhou convite e foi sozinho ao evento. Chegando ao local, sentou-se calmamente no seu lugar. Assistiu a todos os desfiles na maior placidez, sem se ouriçar com aquele bando de aviões que passavam na passarela pra lá e pra cá.
Até que de repente a vaca foi pro brejo.
Ao lado do menino sentou-se a Vovó Mafalda.

Puta que o pariu!! O único ser morto-vivo que não podia ter se sentado ao lado de Mazolinha, era a porra da Vovó Mafalda. Ele era louco por ela. Desde menino que ele tinha uma espécie de obsessão pela palhaça. O Pequeno Mazola ficava doido vendo a velha Mafalda dançando "Chuveiro, chuveiro não faz assim comigo, chuveiro não maltrate o meu amigo...". O garoto até foi ao psicólogo se tratar deste fascínio doentio, o que não adiantou de nada.

Na hora em que se deparou com Mafalda, Mazolinha surtou e agarrou-a pela cintura enchendo-a de beijos. Esqueceu-se de tudo e de todos. Só queria saber de desfrutar daquele momento. Beijou muito aquela boca suja de palhaça decadente, não ligando à mínima para quem estava ao redor. Meteu a língua lá dentro. Foi tudo de bom!! Um momento mágico para nunca mais ser esquecido por ele.

Imediatamente, enquanto o menino ainda estava nas nuvens, Mafalda se pôs a espernear e berrar como uma porca rosada tentando se desvencilhar de Mazola. E foi aí que a merda se deu. Vovó tinha um revolver escondido em seu roupão florido e num gesto de muita rapidez meteu um balaço no pé direito de meu filho, que imediatamente largou a senhora Bozo e saiu se arrastando até o hospital mais próximo.
Mazolinha se fodeu! E é por isso que ele ficará sem jogar bola por mais alguns dias, desfalcando o time de Monsieur-Dumbo.

Em virtude deste problema clínico de meu filho, tenho escutado dois discos relacionados à fé e a religião. Ambos muito bons para dar força nestas horas aflitivas.

O Primeiro é um disco de macumba de um tal J. B. de Carvalho. Muito batuque de terreiro. Tem até uma versão de Jesus Cristo (Roberto Carlos/Erasmo Carlos) em ritmo de candomblé. O LP é de 1971. Tem bateria, baixo e até guitarras elétricas. Tem também uns diálogos engraçados.
Outras músicas legais são: "Capitão da Mata", "Seu Tuniquinho Exú", "Canto para Inhaçã", "Seu Ogum Rompe Mato", "Meia Noite" e "Rei Oxalá".
O suingue rola solto com os tambores e com o canto de seu J. B. de Carvalho. Me lembrei até do tempo em que havia um terreiro de Candomblé atrás de minha casa.

O outro disco é de uma banda evangélica dos anos 60 chamada Os Cantores de Cristo. O nome do disco é Olhando o Infinito. É uma merda boa. Tudo meio Jovem Guarda. Tem órgão hammond e vários vocais e solos fodidos. As letras também não ficam atrás: "...eu preciso de você, você precisa de mim, nós precisamos de cristo e vamos sair por aí...". Demais!
Isso é que musica religiosa de primeira. Não é essas merdas que esses padres bundas mole andam cantando por aí.
Compreenderam?!

Até amanhã se deus quiser. E se deus não quiser também.

Obs: Não tô doido não porra!

MEM
mem@cocadaboa.com

as 14/01/03, 22:52

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