Categoria: MEM
Semana passada li o texto do camarada Adaílton Persegonha (O Pior do Carnaval), e mesmo sendo fã de carnaval tive que concordar com muita coisa que ele criticou. Principalmente quando apontou os repórteres, as rainhas-atrizes da bateria e os malas do camarote da Brahma. Neste ponto Persegonha criticou muito acertadamente.
Publicado originalmente em fevereiro de 2002.
O MELHOR DO CARNAVAL

Semana passada li o texto do camarada Adaílton Persegonha (O Pior do Carnaval), e mesmo sendo fã de carnaval tive que concordar com muita coisa que ele criticou. Principalmente quando apontou os repórteres, as rainhas-atrizes da bateria e os malas do camarote da Brahma. Neste ponto Persegonha criticou muito acertadamente.
Um outro ponto a se criticar é a qualidade dos sambas enredo, que nos últimos anos têm passado cada vez mais desapercebidos. Os sambas enredo ficaram muito previsíveis e cada vez mais estão encaretando. Esse ano eu ainda não estou por dentro dos sambas, mas corre a boca pequena que eles estão surpreendentemente bons. Temos que ouvir pra crer.
Três coisas porém eu tenho que ressaltar sobre o carnaval. Coisas que merecem todo o nosso respeito e admiração, porque realmente são de emocionar qualquer cu de ferro vampiro madrugador.
A primeira delas é a bateria da escola. Eu do alto dos meus 50 anos de experiência desfilando na bateria de uma famosa escola, tenho a dizer-lhes que tocar, ou mesmo estar perto de uma boa bateria, é das coisas mais arrepiantes que existem. É um som ensurdecedor e perturbador (no bom sentido) quando entram 300 malucos enfiando a chinela nos instrumentos. Tem convenção pra entrada da bateria, pra saída, convenção no meio do samba, paradinha e o caralho a quatro. E tudo isso feito por 300 malucos controlados normalmente por um diretor de bateria e vários auxiliares, que quase sempre são uns caras zangados e enfezados, que quando vêem alguém que não sabe tocar, vão logo bradando: - "larga a peça aí no chão, meu chapa!!!". E isso agora que os tempos são outros. No tempo do meu idoso pai, que ainda é o maior batedor de caixa da zona sul, os mestres de bateria não titubeavam em furar os couros da pele das peças da rapaziada que não tinha afinidade com o ritmo. Isso quando não furavam o couro do próprio atrevido.
Este ano se vocês prestarem atenção, poderão me ver em carne osso no Sambódromo na bateria da preto e dourada da zona sul, às nove horas do dia dez.
Outro ponto à se destacar, são as belas mulatas que dão aula de vitalidade, ritmo e energia. Desde as passistas mirins até aquelas gostosas estilo Sargenteli, todas tem o samba correndo nas veias e transbordam de suor e raça na avenida (que frase poetica, héin?!).
É um grande erro substituir essas meninas das comunidades das escolas, por modelos siliconadas que sambam duro pra cacete, parecendo umas garças-pulgas-débeis saltadoras.
A terceira coisa fabulosa do carnaval carioca, é um bloco psico-bozo que desfila pelas madrugadas de Copacabana e tem o bonito nome de Charanga 3-D. Este bloco desfila pela orla de Copa, em plena madrugada, juntando maluco de toda espécie: moleques de rua, putas, travestis, bêbados, funkeiros, índios, cafuzos, gringos, pardos, albinos, palhaços, budas tinhosos, esquilos, lontras, artistas consagrados na turminha pop-cocô, e pessoas rodadas em geral. E isso tudo ao som de batidas moderninhas que não tem nada a ver com samba, mas que são muito boas. O bloco mistura instrumentos de escola de samba, com peças de ferro (incluindo uma geladeira ambulante) e sintetizadores que fazem um barulho danado. Podemos dizer que a Charanga é um vovô do agora famoso Monobloco.
Vale a pena conferir o desfile. Este ano será somente no dia 12 (segunda).
Eu não tô com muito saco de indicar discos por isso vou faze-lo rapidamente.
Como na minha primeira coluna aqui no Cocadaboa eu indiquei o melhor disco de samba que eu conheço, o disco "Axé", do falecido Candeia, agora eu vou indicar mais quatro discos que não tem a menor chance de erro. São quatro discos de samba de primeiríssima qualidade:

ATAULFO ALVES E SEUS SUCESSOS - Ataulfo Alves (1966)

CARTOLA - Cartola (1976)

CLEMENTINA E CONVIDADOS - Clementina de Jesus (1985)

SAMBA MINHA VERDADE SAMBA MINHA RAIZ - Dona Ivone Lara (1978)
Pois é garotada boa, o carnaval tem várias coisas malas, mas mora dentro do meu coração (snif, snif snif....!!).
Tundumbaticundumprocurundum...........
Obs: Como já dizia o mago Gandalf : - "O carnaval é o maior perigo para os casamentos"
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