Categoria: MEM

Parabéns Velho Veado !!

Amigos!!! Completei 67 anos de vida semana passada e ganhei vários presentes magníficos. Porém, dentre eles um se destacou. Este presente chegou do mundo dos telefones, um presente especial e espacial. Vou especificar o caso melhor aqui em baixo.

Publicado originalmente em setembro de 2001.

Parabéns Velho Veado !!

Amigos!!! Completei 67 anos de vida semana passada e ganhei vários presentes magníficos. Porém, dentre eles um se destacou. Este presente chegou do mundo dos telefones, um presente especial e espacial. Vou especificar o caso melhor aqui em baixo.


A Spectrum of Infinite Scale - Man Or Astro-man? / 2000

(A foto é de outro disco, mas foda-se)

Há cerca de três meses atrás eu estava calmamente em minha casa trabalhando na próxima coluna que iria mandar para o Cocadaboa, quando fui surpreendido pelo toque do telefone.
Ao atender o aparelho, notei uns sons muito estranhos. Sons estes que se assemelhavam com aqueles que emitimos pelo estômago quando estamos com necessidade de comer. Intrigado com aquilo que escutava, fiquei alguns minutos ouvindo aquela bizarrice. Contudo, com o passar dos minutos comecei a me irritar, e esbravejei uma série de palavrões contra o contínuo barulho, que insistia em me atordoar e me instigar.

Foi então que aconteceu o inesperado. Quanto mais eu berrava palavrões junto ao telefone, mais o barulho se intensificava. Para testar, comecei a berrar cada vez mais alto: - "Filho da Puta , Filho da puta, Filho da puta!!!!!", até que subitamente fui paralisado com um som extremamente alto e agudo, que de alguma forma me desnorteou e me transportou para dentro do telefone. Como num passe de mágica eu tinha sido transportado para dentro do aparelho telefônico (não sei como eu sabia que o local era realmente meu aparelho telefônico, mas simplesmente eu sabia).

À primeira vista dentro do telefone as coisas eram bonitas e legais. Logo no início me deparei com um caminho cheio de luzes coloridas e brilhantes que piscavam sem parar. Em decorrência das luzes, eu tive algumas convulsões, mas pensei logo no Ronaldinho na final da Copa de 98, e me senti forte o bastante para avançar pelo caminho que tinha pela frente. E que caminho!! No telefone o caminho não é uma linha reta, mas sim curvas em forma de espirais como se fosse o fio do aparelho.

Segui adiante, até que me deparei com uma sala parecida com uma indústria de aparelhos eletrônicos. Vários chips, computadores esquisitos, e máquinas bizarras; todas inutilizadas e paradas.

Ao olhar para o centro do local avistei uma espécie de palco, todo prateado, com instrumentos musicais iguais aos nossos. Logo acima vi várias caixas de som gigantescas que ficavam suspensas por ganchos de ferro que pareciam vir do infinito. Fui me aproximando do palco e pude constatar que os instrumentos eram normais (como foram parar lá, eu não faço idéia). Havia duas guitarras, uma Gibson igual a do Angus Young (porém esta tinha alavanca) e uma Fender Jazz Master. Havia também um Precision Bass, e uma bateria Gretsch das antigas; além de alguns computadores e de um Theremin(??).

É lógico que não pude resistir. Sentei-me na bateria e comecei a tocar. Quando começava a esquentar, ouvi uma canção cantada por muitas vozes e marcada pelos sons de vários passos, como se fosse uma parada de 7 de Setembro. Tratei de me esconder pois a cantoria vinha em minha direção, e eu não sabia o que poderia acontecer comigo.

O local mais apropriado para me esconder, foi embaixo do palco. Dali pude ver uma multidão de telefones com diferentes formatos.Uns eram celulares, outros orelhões, e outros telefones sem fio, mas ambos cantavam uma única música em sua língua nativa e marchavam em direção ao palco prateado.

Pois bem, atrás destes telefones vinham quatro figuras sendo carregadas num veículo que levitava como uma gaivota parda bonita. Com aspecto de seres humanos, e vestidos com roupas de frentistas e óculos de soldador, estes seres foram conduzidos até o palco, o­nde empunharam seus respectivos instrumentos e desandaram a tocar.

Assim que a primeira nota foi proferida, meus ouvidos foram ao delírio e como que dois imãs desgovernados, me levaram direto para cima do palco.

Os telefones nem notaram minha presença no lugar, já que estavam todos hipnotizados com o som das criaturas.

O som era excepcional. Algo diferente das bandas daqui da terra. Era uma mistura de surf-music dos anos 60, só que mais agulhada, com pitadas de sons eletrônicos. E a postura no palco fazia lembrar muito a magistral banda americana DEVO. Do caralho!!!

Ao final da apresentação, os seres me avistaram no palco, e ordenaram que alguns telefones me aprisionassem e me levassem ao encontro deles mais tarde. E foi o que aconteceu. Depois de passar horas numa sala cheia de lulas, mariscos e sergios chapelens, dois telefones celulares vieram ao meu encontro e me carregaram para uma mesa de jantar o­nde as quatro criaturas se encontravam comendo silenciosamente. Sentei-me, e me foi servido uma espécie de filé à francesa bom pra caralho.

Foi então que um dos seres começou a falar comigo em inglês. Como eu faço a bosta da Cultura Inglesa não fiquei na mão, e prontamente comecei a elaborar um diálogo com a criatura.

Para minha surpresa as criaturas eram alienígenas dotados de inteligência acima do normal (eram mais espertos que o contador), e começaram a relatar que moravam dentro dos telefones de cada habitante de nosso planeta. Contaram-me também que a raça deles foi destruída há 10.000 anos atrás (mesmo ano em que nasceu Raul Seixas), e eles (os últimos 4 de sua espécie) vagaram pelo espaço até conseguirem se instalar em nossos telefones. Desde então eles não só convivem pacificamente com a raça dos telefones, fazendo apresentações gratuitas em fábricas e casas noturnas, como exercem uma liderança ditatorial sobre as pobres criaturas.

A criatura chefe, cujo nome era HCIRE, me falou que sua espécie chamava-se Man Or Astro-man?, e que quando me avistaram, acharam que eu poderia ser útil ajudando-lhes com o trabalho de rodie nos próximos shows. Eu respondi que topava, pois havia me amarrado no som deles, e além do mais iria ser uma experiência no mínimo inusitada. Porém ressaltei que não poderia ficar por muito tempo ali, pois tinha família, filhos (Mazolinha e Josimar), time de futebol e um belo emprego no Cocadaboa.
Eles aceitaram minha condição, e então eu pude trabalhar no próximo show que eles iriam fazer.

Foi ai que trabalhei como rodie do Man Or Astro-man?. Algo que nunca tinha feito na minha vida, e que pude constatar não ser um trabalho fácil. Todo momento do show exige o máximo de atenção. Se solta um cabo, tem que consertar; se cai o prato da bateria, tem que ajeitar; tudo isso além de ter que pegar cerveja pros artistas e etc. (não se espantem, alienígena também bebe!!).

Mas foi um trabalho muito maneiro, principalmente pelo fato de eu ter me relacionado com seres de outro planeta, e ter podido falar-lhes um pouco sobre nossa música terrestre.
Na hora da despedida, um deles me prometeu que certo dia eu iria acordar, e dar de cara com uma surpresa, mas não disse o que seria.

Logo depois me deu uma lata de Red Bull e me obrigou a toma-la inteirinha. Quando acabei, criei asas e assim pude retornar pra casa voando como uma gaivota parda bonita (ai santa!!).

Até a semana passada, nada de chegar a tão esperada surpresa. Foi aí então, que no dia do meu aniversário, acordei e avistei em cima da cômoda de minha mansão, um objeto luminoso que mais parecia um lindo melão maduro. Quase não conseguia olhar para o bicho. Porém fechei os olhos e fui chegando perto até alcança-lo com as minhas mãos. Ao segura-lo pude verificar que parecia um disco de vinil, e depois ao abrir os olhos realmente tive minha constatação final. Era um vinil dos seres do mundo dos telefones. Era o tão aguardado presente que o Man or Astro-man? me devia. Um vinil novinho, brilhando de tão novo e bonito. Ao lado uma mensagem que dizia assim: "ÊCOV MOC AJETSE AÇROF A EUQ". Não me perguntem o que quer dizer, que eu desconheço esta linguagem.

Na mesma hora pus o disco na vitrola e pude admirar um dos melhores discos destes últimos 10.000 anos. Além da capa e do encarte serem sensacionais, e os discos serem vermelhos (é um álbum duplo); o som do vinil é bom pra caralho e as músicas são esplêndidas.

Aqui no Brasil eu posso dizer que sou o único que possui esta maravilhosa e preciosa obra intergaláctica. Mas para meus fiéis leitores, aconselho a compra deste álbum em cd, pois é bom de chorar, e deve estar a venda nas melhores lojas da cidade.

Abracetas

Vamos dar 3 vivas: um para o Los Hermanos, um para a Hildegard Angel e um para o Sr. Manson!!!! ViVa, ViVa, ViVa!!!!

MEM
mem@cocadaboa.com.

as 14/01/03, 22:38

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