Categoria: MEM
Hi !!
Desculpem minha ausência nas semanas anteriores, mas é que eu estava sofrendo de terríveis traumas psicológicos causados por uma invasão de macacos babões em minha vida.
Publicado originalmente em agosto de 2001.
Jesus Salva, babaca!!!!!!
Hi !!
Desculpem minha ausência nas semanas anteriores, mas é que eu estava sofrendo de terríveis traumas psicológicos causados por uma invasão de macacos babões em minha vida.
Como dia 13 de julho foi o dia internacional do rock; e ultimamente o nosso rock brasileiro vem "perdendo" grandes artistas, seja por morte, acidente, ou opção religiosa; resolvi fazer uma homenagem merecida a três bandas do rock nacional. Então ai estão três grandes discos.
Cabeça Dinossauro - Titãs/1986
Essa primeira homenagem vai para os Titãs, que passaram por maus momentos, nestas últimas semanas, com a morte do guitarrista Marcelo Frommer, vitima de um atropelamento sinistro.
Considerado por muitos e também por mim como um dos melhores discos de rock brasileiro de todos os tempos, Cabeça Dinossauro marcou e ainda marca época na nossa música.
Eu me recordo que na época em que o disco foi lançado, eu já estava entrando na fase do Condor, mas nem por isso deixei de ir naqueles shows inesquecíveis que os Titãs fizeram aqui no Rio, principalmente os do Morro da Urca. Estes shows, por incrível que pareça ficavam vazios. O público carioca não entendia muito bem o som dos paulistas. Aqui, o buraco era mais embaixo, eles não tinham tanta aceitação por parte da galera que se ligava em música. Só um ano depois é que estourariam aqui também. Mas os shows eram do caralho. Ficava meia dúzia de manés, todos bêbados de Keep-Couler, pulando pra cacete feito retardados mentais, ao som de músicas que iriam virar verdadeiros clássicos do nosso rock.
Bons tempos!! Tempos estes, só comparáveis, aos meus tempos de criança em que eu via o Botafogo de Garrincha, Didi e Nílton Santos entrar no gramado do Maraca de camisas de manga cumprida, prontos para trucidar os adversários. Isso sim é que era futebol!! Não é igual a esse bando de amarelões de hoje em dia, que só querem saber de encher o rabo de dólar!! Mas isso é outro papo.
Voltando ao campo musical, Cabeça Dinossauro, é sem dúvida o melhor álbum dos Titãs. O disco tem músicas ótimas. Umas são meio porradas, outras meio reggaes, e outras meio "experimentais". As letras são excelentes, e tratam de assuntos polêmicos como a polícia, a família, o Estado, a igreja e o comportamento humano em geral (ah möóôleque bom!!). Todas as canções são boas, e a maioria delas foi e continua sendo hit até hoje, como é o caso de "AA UU", "Polícia", "Bichos Escrotos" e "Homem Primata".
O meu grandioso gosto musical me diz que as melhores canções do LP são: "Porrada" (boa pra cacete), "O Quê" (boa pra caralho), e "Cabeça Dinossauro" (boa da porra). Não é por acaso que ambas as três músicas tem o dedo do Arnaldo Antunes.
Este foi o primeiro disco dos Titãs a estourar mesmo nas paradas, e também foi o primeiro disco da banda a ter a produção e a direção artística assinada pelo ex-mutante Liminha.
Os Titãs na época eram: Arnaldo Antunes (voz), Branco Mello (voz), Charles Gavin (bateria e percussão), Marcelo Frommer (guitarra), Nando Reis (baixo e voz), Paulo Miklos (voz e baixo), Sergio Britto (teclados e voz) e Toni Bellotto (guitarra).
Após este disco a banda ainda gravou mais quatro grandes discos: "Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas" (1987), "Go Back" (ao vivo - 1988), "Õ Blesq Blom" (1989) , "Tudo ao Mesmo Tempo Agora" (1991).
Depois da saída de Arnaldo (1992), o grupo não fez trabalhos tão bons quanto os anteriores, levando muitos fãs pra merda. Porém com o cd "Acústico" (1997) eles conseguiram atingir seu máximo de vendas, passando da casa dos milhões de cópias vendidas por todo o país.
Atualmente os Titãs estão preparando um novo disco, que segundo fonte segura de informação, promete voltar aos velhos tempos. Assim esperamos.

O Passo do Lui - Os Paralamas do Sucesso/1984
A segunda homenagem da noite vai para o vocalista e guitarrista do Paralamas do Sucesso, Herbert Viana, que sofreu um grave acidente de ultraleve há alguns meses atrás, mas que já vem se recuperando.
Pra começo de conversa, o Paralamas é uma puta banda. Eu podia indicar aqui, mais outros dois "clássicos" discos da banda (Selvagem - 1986; e Bora Bora - 1988), mas preferi O Passo do Lui por possuir uma das melhores músicas da banda: "SKA". Esta música é muito foda. Quando eu costumava ser DJ nas festas da casa da Dinda, ninguém ficava parado quando rolava este som, até mesmo tia Zulu se levantava e ia balançar o esqueleto ao som da banda (esta semana eu to saudosista pra cacete).
O lado "A" do LP, é recheado de belas músicas, "Óculos", "Meu Erro", "Fui Eu", "Romance Ideal" e a já citada "Ska". No outro, logo "de prima" temos a boa "Mensagem de Amor", que recentemente foi regravada por um jovem moço de talento da Bahia, chamado Lucas Santtana, e teve destaque na novela "Laços de Família" como tema de amor entre os personagens da puta Capitú e do doente mental Paulo.
É bom se destacar a competência da "cozinha" do Paralamas. Bi Ribeiro, no baixo, e João Barone na bateria, dão um show de bom gosto e pegada nas músicas. São dois mestres do universo. Herbert Viana não fica atrás, cantando as músicas com sua voz peculiar, que de longe já se consegue logo identificar de quem é.
Falando em sua voz peculiar, Herbert certa vez deu uma ótima declaração a respeito destes guitarristas virtuosos, tipo Steve Vai, Joe Satriani, Yngwe(?) Malmestein(?) e etc, que imperaram por um tempo como modelos de bons guitarristas. Quando perguntado por um jornalista, se ele apreciava o som desta galera, Herbert respondeu que podia-se pegar toda essa gente, amarrar dentro de um saco de pano, e jogar dentro de um rio bem fundo, cheio de piranhas. E depois ainda acrescentou: "eles podem ter muita técnica, muita rapidez, mas nunca vão conseguir fazer um riff de guitarra tão emocionante quanto o que o Keith Richards fez em Satisfaction". Assino embaixo.
Espero que Viana consiga se recuperar, e volte logo a compor, tocar e dar concertos. Aliás, os shows do Paralamas são sempre grandes shows. Me recordo de um na praia de Ipanema em 1992, em que eu e meu camarada Benjãomin bebemos todas e ... (PARA DE CANTAAAAARRRRR!!!)
Raimundos - Raimundos/1994
Esta última homenagem vai para o Raimundos, que encontrou seu triste fim pelo simples fato de seu vocalista ter pirado, e trocado a banda por uma devoção maluca a uma seita caça níqueis. O cara de uma hora pra outra resolveu virar evangélico e mandar o resto pra puta que o pariu!! Caralho que porra é essa??!! Tudo bem que o maluco devia ter uma vida junkie do caralho, e devia estar de saco cheio daquelas letras e daquelas músicas, que já estavam ficando muito chatas. Mas chegar a ponto de virar evangélico e largar a banda, é muita maluquice. O cara ao se tornar evangélico está assinando um tratado de burrice. Basta olhar para o lado e ver quem são seus companheiros de religião: Monique Evans, Baby do Brasil, Garotinho, Marcelinho Carioca, e o "patrão-mor", o verdadeiro "coisa ruim" Bispo Macedo (podem me chamar de ignorante, mas pra mim Sara Nossa Terra e Universal do Reino de Deus, é tudo a mesma merda).
Estes acontecimentos curiosíssimos que aconteceram com a banda nestas últimas semanas, me levaram então a fazer esta merecida homenagem aos caras.
Embora eu não aprecie o "conjunto da obra" da banda, o Raimundos teve sua importância no "cenário roqueiro" daqui do Brasil.
Em 1994 com o lançamento do seu primeiro disco, a banda abriu mercado para um monte de bandas novas (a maioria delas umas grandes merdas), que começaram a basear seu som numa mistura de vários estilos. Nesse primeiro disco, o Raimundos, realmente mistura hard-core (bom hard-core, diga-se de passagem) com forró, e mais do que isso, o faz de uma maneira muito original. O então vocalista Rodolfo, cantava as letras como se tivesse fazendo repentes em cima das bases bem pesadas das músicas. As letras são totalmente debochadas e engraçadas, falando de sacanagem quase que o tempo todo. É certo que nos discos posteriores esta química já não funcionou tão bem. O som da banda tornou-se mais repetitivo e chato, com as letras tornando-se cada vez mais cansativas (com algumas exceções).
O grande problema do advento do Raimundos ao nosso cenário musical, foi que na rebarba do sucesso da banda vieram várias outras bandas chatas (Os Theobaldos , Tihuana, Sheik Tosado, O Surto, Comunidade Nin-Jitsu, Tianastácia e mais uma porrada de desconhecidas) que adotaram um discurso "novo". O grande lance dessas bandas era fazer uma mistura de estilos. Então quando perguntadas sobre qual o estilo de som da banda, a resposta passou a ser sempre baseada no mesmo clichê: "Nosso som é uma mistura de vários estilos. Nós somos antenados; misturamos forró com rock, maracatu com música eletrônica, frevo com funk, hip-hop com axé e etc. Mas isso tudo numa roupagem toda nossa".
Não que não se possa fazer isto, ou que fazer estas misturas não seja agradável; Chico Science e Nação Zumbi faziam isso muito bem, de forma genial, assim como o próprio Raimundos. O que se passou e se passa, foi que um monte de bestalhões adotou este discurso como se fosse a coisa mais moderna e inteligente que se pudesse fazer dentro da música brasileira.
Outro aspecto interessante que o Raimundos, e outras bandas contemporâneas a eles trouxeram, foi a volta do rock brasileiro como um "produto" vendável . As grandes bandas nacionais dos anos 80, como Paralamas, Titãs, Ira!, Barão e etc, passavam por uma fase ruim de vendagens, o que fazia com que as rádios voltassem suas atenções para outros gêneros de melhor vendagem como axé, dance e sertanejo. Com o lançamento de novas bandas como Raimundos, Planet Hemp, O Rappa e Chico Science, as rádios começaram a voltar suas atenções novamente para o rock, coisa que já acontecia no mundo inteiro graças ao "fenômeno Nirvana".
Nesse primeiro disco, o Raimundos estava muito bem no lance. Além das letras engraçadas , sacanas e debochadas, as músicas eram fáceis de memorizar e boas de se ouvir, possuindo boa originalidade. A influência de Ramones é nítida na pegada punk das canções, assim como a influência de boas melodias "bregas" vindas do norte do nosso país. Nega Jurema, Palhas do Coqueiro, Puteiro em João Pessoa, Marujo, Cintura Fina, Minha Cunhada, Carro Forte, Deixei de Fumar/Cana Caiana, são grandes músicas e são bons exemplos deste jeito peculiar da banda.
Queiram ou não queiram, o Raimundo marcou época, influenciando positivamente ou negativamente a garotada. Até Mazolinha, meu filho mais novo, foi contagiado pela banda. O garoto tinha uma banda que tocava algumas covers do Raimundos. Acho que o nome do conjunto era Detentos, ou Flores do Cemitério, ou algo parecido.
Com tudo isto dito acima, vale a recomendação do primeiro disco dos caras. É um grande disco. Quanto aos outros que se seguiram, nada a declarar.
Obrigado
Pau no cu do Você Decide!!!!! Viva A Gata Comeu !!!!!
Envie para um amigo:





