E que venha a Guerra!

O Assunto do momento todo mundo todo mundo sabe qual é: a iminência da Guerra Americana (contra quem ainda não sabemos).

Os gringos estão numa de horror, recrutam soldados, fecham aeroportos, dão polimento nos mísseis, cantam o hino, compram bandeirinhas; essas coisas patrióticas.

Vão todos os dias na TV para fazer ameaças aos pobres muçulmanos que, a essa altura, já estão combinando os detalhes de seu encontro com Maomé, Aiatolá Khomeini, e os outros irmãos que já foram para o seio de Alah.

Publicado originalmente em setembro de 2001.

E que venha a Guerra!

O Assunto do momento todo mundo todo mundo sabe qual é: a iminência da Guerra Americana (contra quem ainda não sabemos).
Os gringos estão numa de horror, recrutam soldados, fecham aeroportos, dão polimento nos mísseis, cantam o hino, compram bandeirinhas; essas coisas patrióticas.
Vão todos os dias na TV para fazer ameaças aos pobres muçulmanos que, a essa altura, já estão combinando os detalhes de seu encontro com Maomé, Aiatolá Khomeini, e os outros irmãos que já foram para o seio de Alah.

Países Aliados, convidados para a festa da beligerância, é o que não faltará, já que parece ser uma honra lutar por uma causa americana.
O Fernandão, todos sabemos, já está de malas prontas.

Todavia, pergunto a você: Há algum seguidor do islã tentando bombardear a mais maravilhosa das antenas da Avenida Paulista; ou nosso fabuloso relógio da Central do Brasil?
Pergunto ainda: Quando há uma guerra de quadrilhas nos morros cariocas (e há todos os dias) algum país vem se oferecer para lutar sob nosso pavilhão estrelado?
Claaaro que não!

Então, por que deveríamos ir junto para essa guerra?
A resposta é simples: Nossa nação lucraria muito com ela.

Todo mundo sabe que brasileiro é um povo historicamente cagão. Não há um trechinho da História Mundial em que o Brasil tenha se destacado por sua nobreza e bravura.
Nem na Segunda Guerra, quando nossos pracinhas foram para a Itália, há provas de nossa eficiência bélica. Pra começar já chegamos atrasados, e na volta só contamos e recontamos a mesma ladainha da "Grande Tomada do Monte Castelo".
Portanto, ir para a guerra seria uma oportunidade única de parecer que a gente se interessa por outra coisa que não sambar e jogar tênis (já que futebol agora é coisa de Francês).

Inclusive descobrimos recentemente que "Monte Castelo" era a marca de um vinho de qualidade duvidosa. E o evento ficou conhecido por eles terem enchido o pote, logo na chegada à terra da pizza, tomando canecas e canecas do tal vinho. O porre durou todo o resto da guerra. Como a FEB na volta, naquele coma alcoólico, só falava de "Monte Castelo", os militares arrumaram o engodo para justificar a viagem.

Na História Nacional o mesmo ocorre. A tia nos fala de mártires no primário para algum professorzinho marxista e revolucionário desmentir tudo no colegial.
Eu passava pela estátua do Borba Gato na infância e me orgulhava do nobre e desbravador Bandeirante. Mais tarde descobri um mercenário, bárbaro e estuprador!

Tiradentes, fora a capenguice dos fatos, já está muito batido. TODAS as crianças já recortaram e colaram aquele barbudo em cartolina que, mesmo com todo o romantismo, teve uma vida muito desinteressante; nada de drogas ou amantes.
Zumbi dos Palmares ainda deu um gostinho de estudar com a descoberta de que era viado, mas isso já tem quase uma década e nem é mais comentado.
Teríamos a chance de arrumar um herói nacional mais moderno. Um concurso na internet escolheria a história mais legal para darmos ao nosso mártir.

O Brasil seria (junto com outros países latino americanos) um dos que menos baixas teriam. Isso porque, com a quantidade de comida, bebidas e agasalhos que os EUA mandam para as guerras (no "Forest Gump" dá pra ver direitinho), nossos soldados gabirus, desacostumados com o hábito da alimentação, comeriam tanto que, com a pança forrada e quentinhos, dormiriam até a hora da volta ao Brasil. Correndo, assim, bem poucos riscos de vida. No máximo uma congestão por empanzinamento.
Isso se não os mandassem mais cedo para casa, com medo dos mantimentos acabarem antes do fim da guerra.

Poderíamos enviar junto com nossos Severinos, várias de nossas Raimundas para ajudar no atendimentos e entretenimento dos soldados. Obrigaríamos nossas mulheres a confraternizar somente com indivíduos "alfa mais" das tropas aliadas. Com isso incentivaríamos o repovoamento de nosso país e a purificação de nossa raça através da eugenia, sem gastarmos horrores em pesquisas genéticas.

Dependendo do nosso fervor e fé, poderíamos nos livrar de coisas como Britney Spears, N'Sync e Back Street Boys de uma só vez, com o bombardeio, pelas tropas inimigas, do palco de um daqueles grandes shows que os americanos fazem para animar os soldados.
Quanto às outras estrelas da música pop não temos certeza, mas a Britney já desmarcou todos os shows de sua tournée para não perder o contato com os soldados.

E, independente de qualquer uma das razões descritas:
Se a guerra é ruim para a América, é automaticamente ótima para o Brasil!

Sherlock Holmes da Silva
sherlock@cocadaboa.com

P.S.: O Cocadaboa é contra qualquer tipo de guerra (exceto pela audiência televisiva).
Para nós todas as vidas são preciosas (exceto a de alguns políticos e artistas que não mencionaremos os nomes).
Esse texto é humorístico. Não vá você achar que somos: racistas, anti-patriotas, ou homófobos. Ai, ai, ai, viu?!

as 10/01/03, 22:29

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