Categoria: Calúnia e Difamação
Decidimos que também tínhamos o direito de tirar proveito do caso Pedrinho, mesmo que a história já esteja se esgotando. Para entrevistar o rapaz, chegamos perto da janela da casa de sua mãe adotiva e gritamos o seu nome. Quando ele apareceu na janela e perguntou quem éramos, simplesmente dissemos que éramos seus irmãos e pedimos para ele sair de casa para conversarmos. Como o coitado está desorientado e não sabe mais quem é de sua família mesmo, acabou acreditando.
Cocadaboa Entrevista
Pedrinho
Decidimos que também tínhamos o direito de tirar proveito do caso Pedrinho, mesmo que a história já esteja se esgotando. Para entrevistar o rapaz, chegamos perto da janela da casa de sua mãe adotiva e gritamos o seu nome. Quando ele apareceu na janela e perguntou quem éramos, simplesmente dissemos que éramos seus irmãos e pedimos para ele sair de casa para conversarmos. Como o coitado está desorientado e não sabe mais quem é de sua família mesmo, acabou acreditando. Falamos que éramos todos seus irmãos mais velhos e que, como caçula, ele tinha mais era que obedecer a gente, senão iria sofrer lesões físicas. Assim, na base da intimidação que todo irmão mais velho tem direito de exercer sobre o mais novo, obtivemos nossa entrevista. Já no fim da conversa, Pedrinho se tocou que nosso sotaque era muito diferente do dele e percebeu que não éramos seus irmãos de verdade. Sentindo-se humilhado por ter sido enganado mais uma vez em sua vida, Pedrinho se transfigurou de ódio e nos ameaçou. Disse, com uma voz grossa e um olhar insano, que seu nome era Osvaldo e que pagaríamos por aquilo, junto com "os outros miseráveis". Dito isso, desmaiou. Quando acordou, já falava com seu jeito tranqüilo de sempre e, aparentemente sem lembrar do ocorrido, disse que seu nome era Pedrinho. É possível que Pedrinho, sofrendo de dupla personalidade, não reconheça que deu esta entrevista, mas vamos correr o risco e publicá-la mesmo assim.
Cocadaboa: Pedrinho, você tem planos de pedir sua mesada acumulada por 16 anos a seus pais verdadeiros?
Pedrinho: Eu cheguei a sugerir isso, mas aí eles disseram que só me pagariam se tivessem direito a recuperar todo o tempo perdido me dando 16 anos de beijos atrasados, 10 anos de esporros e até mesmo 2 anos de troca de fraldas. Aí desisti, dinheiro nenhum paga isso.
Cocadaboa: É verdade que sua mãe adotiva, dona Vilma, dizia que você seria pai aos 18 anos, pois iria roubar um neto em 2004?
Pedrinho: Não, ela nunca disse isso. Para falar a verdade, ela nunca mencionou nada sobre como eu poderia "ser pai". Uma vez perguntei de onde vinham os bebês, pois minha sexualidade estava aflorando. Deu para perceber que ela ficou muito nervosa e perguntou insistentemente: "Por que? O que foi que te disseram?"
Cocadaboa: Pedrinho, você agora tem pensado em dar vazão a todos os instintos e sentimentos que nutria por sua irmã por todos esses anos?
Pedrinho: Acho que não. Mas já dá para aliviar as zoações da galera do colégio. Até então era o único da turma que nunca tinha pego nos peitinhos de uma garota, eles sempre falavam que irmã e prima não contavam. Agora descobri que na verdade fui de longe o primeiro da turma a pegar num peitinho que não seja de parente.
Cocadaboa: Você ficou aliviado em saber que é de Brasília, e não de Goiás?
Pedrinho: Porra, fiquei sim, ser de Goiás é foda, só tem índio. Agora sei como explicar meu ódio por silvículas, a vontade de queimá-los está em meus genes de "playboy brasiliense".
Cocadaboa: O que te deixa mais aborrecido? Dona Vilma, por ter te seqüestrado; seus pais verdadeiros, que ficam te beijando em tudo que é foto em que vocês aparecem juntos; ou a Imprensa, que transformou sua vida num inferno, considerando você um mero objeto para reportagens?
Pedrinho: O que me deixa mais aborrecido é que o governo não quer aprovar a cota para adotados na universidade pública, o passe livre para adotados nos ônibus e o vale-leite para adotados. Isso é sacanagem, nós adotados somos tão deficientes quanto qualquer outro mongol.
Cocadaboa: É verdade que você vai manter seu nome antigo por considerar o sobrenome de sua família verdadeira, Braule Pinto, muito fálico?
Pedrinho: Mentira! Eu adorei este nome! Fico pronunciando toda hora: Braule Pinto, Braule Pinto, Braule Pinto, Braule Pinto, Braule Pinto... por alguma razão estas palavras não me saem da boca.
Cocadaboa: Você tem planos de aproveitar a popularidade que ganhou de algum jeito? É verdade que estaria vendendo os direitos da história de sua vida a uma novela mexicana?
Pedrinho: Na verdade estou tentando vender os direitos da história da minha vida para a Suzane Richthofen. Seria o álibi perfeito para um ataque de ódio repentino que levaria ao assassinato dos pais que te seqüestraram da família verdadeira. Certamente ela se livraria da cadeia.
O Calúnia e Difamação é escrito por:
Odisseu Kapyn nas perguntas e MrManson nas respostas.
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