Tinha tudo para ser um grande dia.
Às vezes o sujeito toma decisões na vida, e quando as faz tem que ter traquejo o suficiente para levá-las a diante, para que tudo não se perca no mar de lama que é a mesmice.
Tomei uma decisão destas há algum tempo atrás. Larguei meu seguro emprego que me pagava uma bosta de salário e resolvi encarar o “inincarável”: o mal da incerteza.
Aquela situação em que você não sabe se vai ganhar grana pra fechar as contas do mês e etc. Fica sempre na corda bamba.
Até agora estou me dando bem, e a prova disso é que estou aqui, vivo e escrevendo merda pra vocês paspalhos continuarem lendo.
Vou me virando de várias formas (ai ai ai santa!!!!). Várias maneiras diferentes de ganhar dinheiro.
Noutro dia tive o privilégio de dividir um trabalho publicitário com uma das grandes divas pop do momento. E o mais legal é que esta soberba criatura, é uma pessoa exemplar: engraçada, carismática, simpática, humilde, gostosa e etc.
Fiquei tocando bateria com a Diva lá na restinga da Marambaia, com um visual de fazer cair o queixo e vendo lindas meninas.
Trabalhei o dia inteiro feliz. Maneiro.
Mas aí chegou o anoitecer e trouxe com ele todas as trevas que podiam me assolar.
Primeiro soube que o pai de um amigo tinha falecido, em muito me entristeci.
Depois ao chegar em casa, me deparo com alguns estranhos recados em minha secretaria eletrônica.
Retorno o primeiro eles e é minha sobrinha me dizendo que as Lhamas estão extintas da Serra Pelada. É, eu tenho essa coisa com os animais...
Logo depois vejo que um de meus projetos mais legais está começando a ir por água abaixo devido a um pequeno rei na barriga que alguns quadrúpedes carregam por aí.
Mas tudo bem, vamos em frente, a noite ainda é uma criança.
As dez da noite vem até mim minha idosa mãe, que sem mais nem menos começa a me contar umas histórias que me fazem sentir como um grandioso pastel.
Eu amo minha mãe mais que tudo, mas desta vez ela peidou na farofa e cagou na goiaba mole.
Pra completar, tento ligar para minha mulher mas ela não está. Estava aprendendo a fazer purê de Inhame na casa da Enriqueta Brieba. Ou seja não tinha nem onde encostar minha pobre cabecita.
O que fazer então quando nada está dando certo?????
Encher a cara no bar mais próximo.
E é ali que começo a terminar minha noite.
Chego no bar sozinho. Um chopp!!! Bar da tradição do rock ‘n’roll, tem DJ e pista de dança. Chove horrores.
Muita mulher. Pausa, para esclarecimentos:
Nunca tive muitos problemas com mulheres. Talvez alguns pequenos, mas nada com que perdesse meu sono. Sempre consegui me manter saudável neste quesito. Nunca fui de não pegar mulher por não ter o que dizer etc...
Neste bar, muitas gringas me olhavam, rebolavam, secavam mesmo. Havia ali uma proporção de cinco mulheres para cada um macho. E mulher hoje em dia não dá bobeira, chega junto. Dá até medo!
Acontece que o astral de minha noite era tão ruim e pesado que eu cagava solenemente para aquelas garotas. E quando duas delas vieram puxar assunto, só tive a cara dura de responder:
- “Dá uma olhada no meu chopp, que eu vou mijar.”
Realmente um babaca.
É claro que estava faltando mais alguma merda.
Estourou então, uma porradaria no bar, onde três gringos enfiavam o cacete numa bicha bêbada que dançava feito um Ney Matogrosso aleijão. Voou uma porra de uma garrafa de Vodka na minha cabeça e a porrada foi tamanha, que comecei a ver seres esquisitos.
Olhei pra frente e havia um albino rastafari dirigindo um pequeno fusca vermelho acompanhado de um sósia do Dave Navarro com hepatite e chapéu de cangaceiro.
Aquilo era demais. Uma visão apocalíptica de que o fim está próximo.
Era minha hora, tinha que sair dali rápido.
Peguei um ônibus e voltei pra casa.
Ao ligar a TV me deparei com aquele filme “Antes do amanhecer”. Resolvi assistir, todos falam bem. Gostei do filme, mas o que mais me chamou atenção foi ter reconhecido que uma das locações por onde os protagonistas passam, era um sebo de discos que eu tinha ido há anos atrás quando visitei Viena. E seguramente é o melhor sebo que já fui.
Por isso ia indicar uns discos que comprei neste sebo, mas acabei sendo interceptado por um chamado de meu grande amigo Luccio Gattica, me convidando para passar em sua casa para escutar um disco e beber umas cervas. A cerva era Bavária e o disco era:
Bob Dylan and The Band – The Basement Tapes
1975
Ah!!, mas que Country Rock de primeira. Vão tomar no cú!!!! PHODA com ph de Toddy!!
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