Para entrevistar Roberta Close sobre o fato de a Justiça do Rio ter recentemente proferido que ela nasceu mulher, tivemos que nos infiltrar na empresa que cuida diariamente de sua depilação. Disfarçados de membros da equipe que todos os dias vai à casa de Roberta para lhe raspar o rosto, pernas, braços, narinas, tórax, nádegas e virilha, puxamos conversa com a criatura. Como se acha mulher, Roberta Close não hesitou em conversar abertamente conosco, como fazem as mulheres em manicures, cabeleireiras e depiladoras. No fim da entrevista, percebendo que não sabíamos usar cera quente e estávamos fazendo todo o serviço com aparelho de barbear, Roberta descobriu que estava num bate-papo com o Cocadaboa. Com comportamento alterado, Roberta disse que iria resolver tudo com a gente na porrada, mas logo se deu conta que não podia tomar atitudes masculinas e decidiu ser fresca como outros que passaram pela mesma situação: avisou que não reconheceria suas declarações e iria acionar um advogado para tirar do ar sua entrevista no Calúnia & Difamação. Mesmo correndo o risco de sermos processados, decidimos publicar a entrevista.
Cocadaboa: Roberta, cá entre nós: a Justiça, além de cega, periga dormir com um traveco sem notar a diferença, né não?
Roberta: Você está sendo ingênuo, querido. Quem gosta de mulher é trabalhador. A Justiça gosta mesmo é daquela “mamata”. Fazer o que... Bater cartão diariamente numa Vara não é mole...
Cocadaboa: Roberta, como devemos lhe chamar agora que a Justiça definiu que você nasceu com “quase todas as características” femininas? Ex-travesti, ex-homem, ex-gay, ex-homossexual ou apenas ex-quisita mesmo?
Roberta: Acredito que o termo mais apropriado seria ex-japonês, já que finalmente o fato de eu ter nascido com um órgão masculino atrofiado e disfuncional foi reconhecido.
Cocadaboa: Depois de ter sido reconhecida oficialmente como mulher, você passou a sentir alguma dificuldade em colocar o carro na vaga ou entender as regras do impedimento?
Roberta: Que nada. Para estacionar continuo craque, pois sei manobrar muito bem de ré. Regra de impedimento é fichinha pra mim. Quero entender é essa coisa de regra de menstruação. Já faz um bom tempo que fui reconhecida mulher e até agora não fiquei de “Chico”.
Cocadaboa: A decisão da Justiça é importante para que seus faniquitos não sejam mais chamados de "viadagem", mas sim reconhecidos como TPM?
Roberta: Mas é claro que sim. A vida toda estou em tensão pré-menstrual. Estou esperando para ficar menstruada até hoje. Ainda bem que já uso OB desde a operação que me tirou o pênis. Sabe como é, né, querido? Tenho medo que a abertura feita pelos cirurgiões feche e cicatrize. Se fechasse, iam acabar fazendo trocadilhos com meu sobrenome.
Cocadaboa: Se soubesse que a Justiça iria lhe reconhecer mulher você teria gastado tanto dinheiro na operação de retirada de pênis? Você poderia ter mantido o membro, não?
Roberta: Eu realmente estava em dúvida se a remoção do pênis era fundamental. Talvez uma modificação nas minhas cordas vocais fosse mais necessária, porque essa minha voz de traveco entrega o ouro... Mais até do que o pinto, que o felizardo só descobre que existe quando o estrago já está sendo feito.
Cocadaboa: Você teme que seu marido peça o divórcio agora que você não é mais homem? Afinal, ele não vai mais poder ser considerado parte do universo GLS e vai ficar fora de moda.
Roberta: De forma alguma... Eu e o “Rola” (forma carinhosa que Roberta se refere ao seu marido, Roland Granacher) somos almas gêmeas e ele vai me acompanhar em qualquer situação, pro resto da vida. A moda agora é outra e as novelas não me deixam mentir. Ele já está planejando uma operação de mudança de sexo, assim vamos ser um feliz e descolado casal de lésbicas.
Cocadaboa: Roberta, é verdade que você vai tentar entrar para o livro Guinness dos recordes como a mulher que mais fez sexo anal em toda a história da humanidade?
Roberta: Vou sim! É muito difícil superar o Miguel Falabella, mas talvez com um pouco de lubrificação, digo, concentração eu consiga.
O Calúnia e Difamação é escrito por Odisseu Kapyn nas perguntas e MrManson nas respostas. Ou vice-versa, até a justiça se decidir quem é o macho da relação.
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