Entrevistar Michael Moore foi fácil, como esperávamos. Bastou a competente equipe do cineasta checar seus arquivos sobre o Cocadaboa e o cineasta topou conversar com nossa equipe. Sabendo que nosso site costuma zombar de figuras poderosas e grandes empresas, Michael Moore ficou bem à vontade na entrevista, falando francamente sobre seu trabalho. No fim da entrevista, se dando conta de que tinha ido longe demais na sinceridade das respostas, disse que iria nos dar uma lição e contou que tinha gravado nossa entrevista. Disse que se publicássemos algo que prejudicasse sua imagem, mostraria uma versão de nossa conversa editada por sua competente equipe, que nos faria passar por mentirosos. Resolvemos correr o risco de ser ridicularizados e publicar a entrevista mesmo assim.
Cocadaboa: Michael, você ficou muito feliz com a vitória de George W. Bush na campanha para reeleição? Afinal, agora você tem mais quatro anos para faturar em cima de um público de quase metade de toda a população dos Estados Unidos.
Michael Moore: Não, na verdade ficou uma ponta de frustração após a derrota. Eu escrevi dois livros, fiz um filme, rodei o país inteiro fazendo palestras... E nem mesmo com tudo isso consegui influenciar o resultado de uma eleição. A Monica Lewinsky, com um charuto atochado e alguns boquetes, fez um estrago político na Casa Branca bem maior do que todas as minhas teorias conspiratórias duvidosamente documentadas.
Cocadaboa: Você fica muito magoado com Osama Bin-Laden por ele nunca elogiar sua luta nos pronunciamentos que ele dá?
Michael Moore: Nah! Atores... Nunca conseguimos deixar esse povinho satisfeito...
Cocadaboa: Michael, dá muito trabalho saber como você pode gastar todo o dinheiro que você ganha? Afinal, há uma grande lista de empresas e indústrias que você considera nocivas à sociedade, e não pegaria bem você usar artigos produzidos por elas.
Michael Moore: Duas palavras: pornografia sueca. Aquilo sim que é democracia... Não existe um Estado com uma justiça econômica, social e racial tão perfeita quanto a Suécia. Um dos raros lugares do mundo onde negões ganham os papéis de protagonistas.
Cocadaboa: O você mais odiaria fazer se fosse obrigado a escolher uma dessas três ocupações: político profissional, dono de uma mega-corporação ou diretor de documentários imparciais?
Michael Moore: Nenhuma dessas... Acho que cineasta falido / comentarista da Rede Globo seria foda... Com todo respeito ao meu amigo Jabor.
Cocadaboa: Atualmente você tem produtos sendo comercializados na TV, com programas; no cinema, com filmes; nas locadoras, com DVDS e fitas; e nas livrarias, com best-sellers. Tem também muitos funcionários, como a equipe de pesquisadores que encontram documentos que você usa em seus trabalhos. Já não está na hora de você fazer um documentário atacando a si mesmo? Assim tomaria a frente de seus rivais e lucraria com as queixas e acusações que vêm surgindo contra você, certo?
Michael Moore: Talvez eu faça isso quando estiver mais velho e decidir me candidatar a presidente dos EUA. Com certeza argumentos contra mim mesmo seriam mais vitoriosos e apaixonantes do que imagens e documentos manipulados a meu favor.
Cocadaboa: Michael, alguns colegas seus afirmam que você se recusa a perder peso, pois quanto mais gordo fica mais aparece em seus próprios documentários. O que você acha disso?
Michael Moore: Não é nada disso. Mais da metade da população americana é obesa ou está acima do peso. Não emagreço porque, pelo menos em algo, quero ficar do lado da maioria.
O Calúnia & Difamação é escrito pro Odisseu Kapyn nas perguntas e MrManson nas respostas.
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