MEM
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24/03/04

Os Bagos de Osvaldo

Este texto seria dedicado a fazer uma perfeita analogia entre “Saló”, filme polêmico de Pier Paolo Pasolini e o Carnaval Globeleza 2004, mas acabei mudando de idéia.

Sábado à noite, assistindo ao filme “Acossado” de Jean Luc Godard, percebi uma cena em que o protagonista vai ao cinema e ao entrar na sala de projeção no meio da escuridão, ele é orientado por uma lanterninha.

Recordei-me então de um tempo distante em que trabalhei como lanterninha do cinema Odeon. Sim!!! Tinha uns quinze anos quando iluminei o caminho para que Getulio Vargas pudesse assistir e chorar com “E o Vento Levou”. Vi Lacerda cair da cadeira de tanto rir com as chanchadas da Atlântida.

A vida de lanterninha era muito divertida. Assistia filmes gratuitamente, observava casais namorando (naquele tempo, mãozinha no ombro já era muito!), sacaneava uma cacetada de manés...
Era uma profissão saudável que não sei por que cargas d’água foi exterminada dos nossos cinemas. Onde estão os lanterninhas?! Empreguemos estes profissionais da sétima arte novamente!!! E viva o povo brasileiro! Viva Dom Pedro!! Viva a Princesa Isabel!!

O fato é que ao recordar do meu tempo de lanterninha, lembrei-me da grande figura que era Osvaldo, o famoso Velho.
Osvaldo era um coroa alto, magro, pobre, sem dentes, que se vestia sempre com roupas velhas e sandálias de dedo. Era grande amigo de meu pai, pescavam juntos lá em Paquetá, onde papai o agüentava resmungando e sacaneando todo mundo. Mas o velho era gente muito fina. Quando meu pai faleceu, o Velho tratou rapidamente de me empregar como lanterninha, o que me ajudou bastante.

Mas enrolei este tempo todo para lhes relatar um caso que aconteceu comigo e com o Velho.

Certa vez estávamos na festa de aniversário de meu tio Neneco em Itaipu e Osvaldo conversava calmamente com os amigos, sentado numa muretinha de cimento. Na época eu tinha uns dez anos e possuía um estilingue com o qual matava rolinhas e lagartos, e estava sempre a procura de um novo alvo.

Ao passar em frente ao Velho, percebi que tinha encontrado meu próximo alvo. Osvaldo estava de pernas abertas, vestia uma bermuda larga e não trajava cuecas. Ou seja, seus grandes bagos estavam ali, dependurados, paradinhos à mostra, como se fossem as bochechas do Fofão (se houvesse um campeonato de bagos, o Velho era primeiro lugar garantido).

Parei, olhei, apontei, mirei e... pimba!!!! Zás!!! Na mosca!!! Acertei em cheio os bagos de ouro!!
Osvaldo deu um pinote e começou a urrar de dor: - “ÃHÃHÃH UFFFUUUFUFFUF!!!”
E eu, é claro, não parava de rir. Depois saí correndo pra não tomar cascudo.

Moral da história: A perversidade está em todos nós, pronta para aflorar. Mas só aqueles que possuem frieza e ódio no coração conseguem ser os verdadeiros FILHAS DAS PUTAS!!

Ouçam muito:

Bo Diddley, The Ventures, Nat King Cole cantando em espanhol, Pinduca, Jorge Veiga, Djalma Ferreira, Motorhead e Jacob do Bandolim.

E tenho dito!!

Obs: A música está de luto esta semana.

MEM
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