Entrevistar Zeca Pagodinho foi bem mais fácil do que pensávamos. Tudo que tivemos a fazer foi nos vestir de garçons e esperá-lo num bar perto de sua casa, onde ele sempre toma a saideira antes de ir dormir. Zeca estava em um dia típico, já tendo tomado 46 garrafas de cerveja e 32 doses de cachaça. Como todo bêbado, Zeca não resistiu à presença de um garçom por perto e começou a falar de sua vida. Aproveitamos e fizemos perguntas sobre a polêmica gerada quando o cantor deixou de ser garoto-propaganda da Schincariol para ser contratado pela Brahma. Devido ao alto teor de álcool no sangue de Zeca Pagodinho, ele talvez não lembre que nos concedeu esta entrevista. Mas decidimos correr o risco e publicá-la mesmo assim.
Cocadaboa: Zeca, é verdade que a parte mais cara do anúncio que você fez para a Schincariol foram os efeitos especiais para mudar sua cara de desaprovação depois que bebia a cerveja?
Zeca Pagodinho: Não, essa parte até que foi razoável. Caro mesmo foi o seguro de vida que exigi fazer para colocar aquilo na minha boca.
Cocadaboa: Tivemos informações que sua decisão de aceitar o contrato com a Schincariol veio devido a conselhos médicos. Não havia outra maneira mais fácil de tentar parar de beber?
Zeca Pagodinho: Na verdade eu comecei a tomar Schincariol por engano. O nome é muito parecido com um remédio que tomo para dor de cabeça. Sabe como é... A Brahma dá uma dor de cabeça do caralho no dia seguinte
Cocadaboa: Zeca, você guarda mágoas dos colegas do mundo da música que sempre se aproveitam quando você está embriagado, fazendo valer o ditado de que “o de pagodeiro bêbado é de domínio público”?
Zeca Pagodinho: Na verdade acho que quem ficou magoado foram os meus colegas do mundo da publicidade. Mas eles deveriam saber que “garoto propaganda de bêbado não tem dono”.
Cocadaboa: Como estão as negociações para que você doe seu fígado para o Museu da Imagem e do Som?
Zeca Pagodinho: Vão muito bem, obrigado. Ele já está tão inchado que daria para uma metade pode ir para o Museu da Imagem e a outra metade para o Museu do Som
Cocadaboa: É verdade que, pelo contrato com a Brahma, você pode ser requisitado a qualquer momento para fazer anúncios de outras cervejas da Ambev e da belga Interbrew?
Zeca Pagodinho: Pois é, eles foram espertos em fazer a campanha falando em “paixões de verão”. Como todo bom pagodeiro, posso aparecer a cada semana com uma nova “loura” que ninguém vai estranhar, muito pelo contrário.
Cocadaboa: Zeca, você acha que por estar anunciando agora uma cerveja de maior aceitação vai conseguir estimular um número maior de pessoas a se embriagarem?
Zeca Pagodinho: Sinceramente? Espero que não. Assim sobra mais cerveja para mim.
Cocadaboa: Você já tem idéia de quem vai substitui-lo na campanha da Schincariol? Procedem os boatos de que o garoto-propaganda das Casas Bahia foi chamado para seu lugar?
Zeca Pagodinho: Acho que é só boato mesmo. Depois da tartaruguinha, do caranguejo e do Bussunda, usar animais engraçadinhos em propaganda de cerveja ficou muito batido.
Cocadaboa: Você pensa em largar a música e explorar apenas a sua imagem de pé-de-cana, ganhando dinheiro ao vender seu passe para sucessivas cervejarias?
Zeca Pagodinho: Sucessivas cervejarias? Você bebeu, camarada? Só sobraram 3 ou 4 cervejarias no Brasil. E olha que eu nem tenho muita certeza disso, posso estar vendo dobrado...
O Calúnia e Difamação e escrito por Odisseu Kapyn nas perguntas e MrManson nas respostas.
O Cocadaboa
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