Para entrevistar o Padre Marcelo, nos disfarçamos de groupies da Igreja Católica, usando camisas com palavras religiosas e entoando os maiores sucessos do sacerdote pop-star. Chegamos ao hotel onde ele estava hospedado para promover Maria: mãe do filho de Deus e dissemos que estávamos ali para pegar autógrafos do Padre Marcelo nos pôsteres do filme e também para pagar dízimos. Padre Marcelo não conseguiu resistir à dupla proposta de receber bajulação e dinheiro ao mesmo tempo e nos deixou entrar em sua suíte. Falamos que só daríamos dízimos se ele celebrasse uma pequena missa para nós e quando ele argumentou que não estava com o material necessário para o ritual dissemos que tínhamos levado os artigos para isso. Foi assim que ele acabou bebendo nosso vinho "batizado" e tomou LSD achando que era hóstia. Padre Marcelo soltou a língua e nos concedeu essa reveladora entrevista. É possível que Padre Marcelo não lembre que deu essas declarações, mas resolvemos correr o risco de sermos processados e publicar a entrevista mesmo assim.
Cocadaboa: É verdade que se o filme for um sucesso de bilheteria será lançada a continuação, José: padrasto do filho de Deus ?
Padre Marcelo: Ninguém está esperando que este filme merda seja um sucesso de bilheteria, mas se por algum milagre isso acontecer, certamente faremos um filme na seqüência. “Deus: Obrigado pelos seus filhos imbecis”.
Cocadaboa: O filme traz um grande erro no roteiro. A trama mostra uma mãe pedindo para um padre tomar conta da menina, quando todos sabemos que a sociedade tem medo das práticas pedófilas dos sacerdotes católicos. A cena foi proposital, para que o público tivesse a atenção desviada apenas para esse absurdo e não se concentrasse na pouco plausível história da virgindade de Maria?
Padre Marcelo: Na verdade as cenas de pedofilia estavam no roteiro. Eu que pedi para tirar. Sabe como é... não rolou uma química entre eu e a atriz mirim. Ela era meio gordinha, usava aparelho e ainda tinha piolho. Tudo bem que sou padre, mas também não achei minha batina no lixo.
Cocadaboa: O senhor não sofreu críticas por escalar para o papel de Maria a atriz Giovanna Antonelli, que se tornou famosa na TV ao interpretar a prostituta Capitu e depois viveu uma muçulmana em outra novela?
Padre Marcelo: É, realmente tivemos algumas críticas. A produção do filme tinha uma outra idéia. Eles preferiam fazer um concurso em algum programa dominical para selecionar a Maria do filme, nos moldes desses que selecionam as loiras e morenas do É o Tchan. Segundo eles, renderia muito mais dinheiro para o flme.
Cocadaboa: Há boatos de que Gugu Liberato queria fazer uma ponta no filme, como anjo Gabriel. Mas como o senhor resolveu intepretar o papel no filme, Gugu teria ficado ressentido e por isso inventou a entrevista falsa com integrantes do PCC, que o ameaçaram de seqüestro. Essa história procede?
Padre Marcelo: Se ficou ressentido, o problema é dele. Como opção nós tínhamos oferecido o papel de Judas. Ele recusou porque quis...
Cocadaboa: Aliás, padre, em caso de seqüestro do senhor, quem paga o resgate? O Vaticano, os fiéis ou algum parente seu?
Padre Marcelo: Isso é uma “pergunta pegadinha”, do tipo “que time é teu”? Hum... Deixa eu ver... Quem paga meu resgate é... hum... Ninguém! Não, não! Peraí! Niguém nada! Não! Peraí! Eu enterro ninguém, só depois ele nada! Ahhh... deixa pra lá...
Cocadaboa: Ao rodar o filme pela Sony/Columbia, o senhor teve que assinar um contrato para lançar seus próximos CDs com a gravadora deles, tendo que abandonar a gravadora antiga, a Universal. É verdade que o Vaticano esteve por trás das negociações, pressionando para que o senhor se desvinculasse de uma gravadora que carregava o nome de uma religião inimiga?
Padre Marcelo: Nada disso! A Universal não é nossa inimiga! Ela é nossa concorrente. Inimigos são os judeus, que não acreditam em Jesus como messias. Ihhh, peraí... 90% de Hollywood é comandada por judeus, acho que falei merda... dá pra apagar isso daí?
Cocadaboa: É verdade que dentro do plano de marketing da Igreja Católica para as sessões de exibição do filme está a troca da venda de pipocas por venda de hóstias?
Padre Marcelo: Você se confuindiu. O problema está em levar as pessoas às missas, e não ao cinema. É na Igreja que haverá a substituição, vamos dar pipoca no lugar de hóstias. Aquilo não tem gosto... se ainda rolasse uma manteiguinha...
Cocadaboa: Agora que o senhor é um astro do mundo da música e do cinema, está pensando em viver como um verdadeiro pop-star? É verdade que planeja deixar a igrejinha onde vive e ir morar numa luxuosa catedral, além de trocar seu carro por um papa-móvel?
Padre Marcelo: Não vou sair para me exibir. Quero uma vida melhor, com luxos e carrões porque acho que devo posar como exemplo de sucesso para as crianças da comunidade. Da comunidade das “sensíveis criadas pela avó”, que acham que não tem perspectiva de vida e só podem virar cabeleireiros e morar em uma quitinete. Eles vão ver que o sacerdócio é uma opção para melhorar de vida.
O Calúnia e Difamação é escrito por Odisseu Kapyn nas perguntas e MrManson nas respostas.
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