Há muito tempo sinto vontade de prestar uma justa homenagem ao animal mais fabuloso que já pisou na face da Terra. Um ser quase perfeito, que não deve ter dominado o planeta por algum detalhe bobo. O único que há milênios está tentando enfrentar a natureza predatória do homem, sendo um inimigo de classe e nos impondo desafios interessantíssimos: o porco.
É claro que muitos de vocês devem estar aí torcendo o rabo e fazendo cara de nojo. “Porra, MrManson. O porco é um inimigo de classe?”. Sim, seu animal, o porco. E desafio qualquer um a me provar que existe algum bicho mais evoluído do que este.
O porco é todo delicioso. De suas partes mais nobres como bacon, presunto e salame até as mais nojentas como orelha, joelho, focinho e pé, que dão aquele gostinho mais do que especial à nossa feijoada. Isso fez ele ser indispensável à nossa dieta e o transformou em uma “commoditie animal”. Uma criatura escravizada e sem perspectiva de vida, com prazos cada vez mais curtos para a engorda e data marcada para morrer. Uma situação deprimente.
Mas ao contrário dos bois, galinhas e peixes, o porco não se conforma e tenta desesperadamente fugir desta situação. Não é à toa que testes já comprovaram que o porco é um animal de QI elevadíssimo. Não estou de sacanagem, faça uma pesquisa rápida e você vai descobrir que ele é mais inteligente do que gatos ou cachorros.
A inteligência do porco é tão refinada que ele é capaz de reconhecer o destino miserável de sua raça (coisa que nós humanos não conseguimos fazer até hoje). Mas não é só isso. Além de “ter consciência” de que seu destino vai ser sempre a panela (ou o forno, ou a grelha, ou a brasa...), ele também usa a sua sagacidade para tentar fugir dessa situação e construir um futuro digno para a sua espécie (coisa que nós humanos não conseguimos fazer até hoje).
Se tornar um animal repugnante, disfarçando ao máximo o seu magnífico sabor, foi uma destas tentativas. “A minha única chance de me livrar desta escravidão é chafurdando na minha própria merda e comendo lavagens que fariam qualquer pessoa normal vomitar”, pensou o porco. E seu plano foi quase bem sucedido, pois enganou alguns povos “frescos” como os Muçulmanos e os Judeus, que aboliram, ou melhor, proibiram o uso do porco em sua alimentação.
Para o azar do porco, nós cristãos não somos tão facilmente ludibriados por qualquer quadrúpede espertinho. O mundo é nosso e isso não é por acaso. Além de dominantes, somos cruéis e vingativos. Como resposta a esta artimanha suína, nós criamos a lingüiça. “Ah é, Sr. Porco? Quer chafurdar na merda e tentar deixar a gente com nojo? Tu é malandro de onde? Você não tem a menor idéia das atrocidades que conseguimos fazer (e suportar)! É só para te provar isso, vamos pegar o seu intestino e rechear com as partes mais nojentas do seu corpo, bem moídas. E vai ficar uma delícia!” [risada diabólica]
Fizemos a lingüiça, a salsicha, a mortadela e ainda colocamos uma maçã na boca do coitado, pra ele calar a boca e não reclamar. O leitão assado, ao contrário da Preta Gil, é uma coisa que podemos comer olhando para a sua cara. O castigo do porco, por tentar ser esperto e livrar-se da escravidão, foi ficar ali, deitado na mesa de banquetes, nos admirando passivamente com seus olhos tostados.
Mas quando eu afirmo que o porco é um animal fabuloso, não estou falando bobagem. Além de saboroso e inteligente, ele é persistente. Nem mesmo a tortura extra que o castigava por causa de sua primeira tentativa de fugir de nosso cardápio o fez desistir.
O porco, do alto de sua perspicácia, percebeu uma fragilidade nos humanos que ainda insistiam em comê-lo: o medo de morrer. Ainda mais de uma morte precoce. De uma hora para outra, em um golpe de mestre, conseguiu se tornar o grande garoto propaganda do colesterol. A minha geração está toda fudida, tendo mais ataques cardíacos do que nunca e toda a culpa está indo para os bacons, lombinhos e feijoadas. A “geração saúde” riscou a carne de porco de seu cardápio, comparando uma deliciosa costelinha a um pirulito de cianureto.
O curioso é que a geração anterior, nascida no início do século XX, sempre comeu muito porco. Sem falar que tudo era frito em banha, até mesmo os porcos. As estatísticas estão aí para quem quiser ver: naquela época quase ninguém morria de ataque cardíaco. Tá na cara que esse papo de porco fazer mal para o coração é pura jogada de marketing.
Eles se infiltraram em nossa sociedade! E escolheram muito bem o disfarce: publicitários. Nada mais conveniente para um animal que tem uma inteligência limitada, porém eficaz. Faz sentido. Para tentar convencer “um cliente”, os porcos aceitaram até mesmo chafurdar na própria merda, estão lembrados? Isso é coisa de publicitário!
E, cá entre nós, vocês nunca perceberam que o Nizan Guanaes tem uma aparência meio “suína”? Ele é uma quimera resultante de algum cruzamento zoófilo bizarro! O grande arquiteto deste mega-plano maquiavélico!!!
Mas tudo bem Sr Porco, você não perde por esperar!
Quer assumir a responsabilidade pelas doenças do coração, certo? A culpa é do torresmo, não é? Você tem certeza que não é tudo por causa do stress da vida moderna? Valeu...
Tu é malandro de onde? Você não tem a menor idéia das atrocidades que conseguimos fazer (e suportar)! A lingüiça e a maçã não foram suficientes? Beleza, então nós vamos passar a criar vocês para aproveitar os seus corações (que por coincidência são perfeitamente compatíveis com os nossos). Vamos nos entupir com bastante banha e quando nosso órgão vital ficar completamente falido, nós arrancaremos o seu e colocaremos no lugar! Gostou dessa, porco? Até a próxima, admirável inimigo. [risada diabólica]
O Cocadaboa
é aconselhável apenas para maiores de 18 anos. Seu conteúdo
é 100% humorístico e/ou mentiroso.
Quer nos processar? Boa Sorte! Nosso site está hospedado na Eslovênia. Orgulho de ser Esloveno! pulseiras neonpulseiras de identificacao