Ombudsman Girl
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06/10/03

Sobretudo (e mais um pouco)


Silvia Abravanel

Fico impressionada com o tabú que o jovem, classe mérdia e pseudo intelectual tem em admitir que vê novela da Globo. O malandro tem a pachorra de dizer com todo o gosto que assiste aos seriados da Sony, Warner ou Fox (que salvo raras exceções são até piores que as novelas). Mas, claro, dizer isso carrega em si o status de ter TV paga. Se fosse pra dizer que não vê novela porque “nesse horário eu costumo ler Dostoiévski” tudo bem, vá lá. Mas não; o cara se acha menos ignorante e menos tupiniquim por não assistir a porcarias nacionais, mas por ver porcarias americanas se acha mais inteligente!

Chico Barney começa o seu “Mulheres Sodomizadas” com esse velho papo de que não vê novela porque estuda, coisa e tal, mas sabe tudinho o que acontece nela; igualzinho ao Mr.Manson, que também não assiste a novela, mas tava na torcida do rapazinho com a empregada... não sei que lobby foi o que as empregadas mandaram no Manoel Carlos, mas para alegria das profissionais do sexo, digo, do lar feministas quem assediou sexualmente foi a empregada, e não o “meninote meio lingüiça” (valeu Millôr!).
Diferente de apenas induzir a mulherada a liberar o fiofó, quem sabe os novelistas poderiam dar a entender o quão belo é um homem companheiro da mulher no trato diário. Sugiro que se coloque numa novela um rapaz bonitão de meia idade, ou mais jovem um pouco, aprendendo a cozinhar ou arrumar a casa para conquistar sua mulher amada e convencê-la a se casar com ele. Ou então um outro caso em que um pai de família cuide das crianças junto com a esposa, e sem aquele tom de “olha que lindo ele cuidando das crianças” e sim com normalidade, justamente por ter feito em parceria com ela os filhos. Certamente a mulherada ficaria mais feliz e aberta a novas experiências e aventuras, e quem sabe não “ajeitasse a cerejinha” para vocês?!
Ouviu, senhor Barney???
Mas no quesito mulher-beija-mulher Maneco ainda cria expectativas. Outro dia no fim do capítulo botaram as duas meninas juntas e um coro de “beija, beija, beija...” era entoado ao fundo. Na horinha em que o selinho seria dado a vinheta caiu como uma pedra na cabeça do telespectador... nunca se viu troço tão pouco disfarçado na TV. Veremos até o final da novela se o beijo sai ou não... quero dizer, veremos não; vocês verão, porque eu nunca vejo novela das oito... juro por Deus!!!

Eu gostei do “Chuva Fort” do Odisseu Kapin (não gostei do trocadilho porque eu não costumo gostar de trocadilhos de espécie alguma), mas mesmo assim fez sentido.
E mesmo dizendo que tem acesso a tv paga ele acabou promovendo os programas educativos. E, por coincidência, eu vi o do arremesso de tartarugas. E fiquei muito chocada porque eu gosto de tartarugas e elas estiveram sempre na minha vida.
Minha primeira tartaruga eu ganhei da minha mãe aos cinco anos. Coloquei-a numa bacia e no tempo em que fui pegar uns brinquedos para ela (a tartaruga) poder brincar ela deu no pé e fugiu. Aí, sofrendo com a perda de minha mais nova “melhor amiga para o resto da vida” eu arrumei um pote da margarina “Fiorella” (anos oitenta que não voltam mais...) que era verde e parecia um casco de quelônio e comecei a trata-lo como trataria a minha tartaruguinha perdida. Mamãe preocupada me levou a um psiquiatra e a história da tartaruga acabou.
Minha segunda tartaruga eu achei andando perdida por uma feira livre... até pensei se tratar da primeira, a fujona. No entanto, acho improvável minha tartaruga minúscula ter fugido de mim na infância, mas ter encarado por anos a Via Dutra (para fazer a travessia São Paulo – Rio) em busca de meu amor. Batizamos a tartaruga de “Ligeiro” por razões óbvias e familiares. Quando atingiu o tamanho de uma panela de pressão minha mãe achou que era hora de dar para o Ligeiro uma vida mais digna entre outras tartarugas, para ele copular e cumprir sua sina de garanhão. Deixamos Ligeiro no sítio de uma tia avó nossa e qual não foi nossa vergonha ao ouvirmos de nossa tia que Ligeiro era gay! Que só andava com outros tartarugos e era passivo ainda por cima, digo, por baixo! (credo, o Odisseu contagia com os trocadilhos!). Felizmente um tempo depois Ligeiro botou ovos... pelo menos o danado era fêmea!
E assim, dessa maneira ridícula, termina minha história com tartarugas; exceto por uma certa pessoa que eu adoro e que morre de rir quando eu digo “tartaruga” com meu sotaque “carioquês”; mas isso acontece...

Adorei o “É tudo 1 Real” do Adaílton Persegonha. Há muito eu não gostava tanto assim de um texto dele, nem vou comentar muito para não estragar sua leitura. Aproveite.

Como de costume eu amei o texto do MEM. AMEI. Fiquei só um pouco encucada com a identificação que senti com a criança balofa e o saco com os peixes... será que minha tartaruguinha estava prevendo seu trágico fim e se matou??? Será?

Fora o “Experi-minta! Experi-minta!” do Manson estar ótimo (leia já!) ele dá a oportunidade de comentar o quão tolinho foi o “Skinzinho” no Cocada Responde. Lamentei o Odisseu ter se comovido com a situação, pois o pequeno órfão merecia umas alfinetadas mais eficientes de nossa parte...deixa pra próxima.
Por falar em cerveja, heim, será que o povo vai mesmo tomar mais cerveja em virtude do “Festeja” o festival da cerveja? Em Blumenau eu até compreendo que outubro seja o momento da cerveja, mas será que estão inventando mais essa “nova tradição brasileira”? Francamente, até o Lula tá nessa de beber cerveja...

Eu li o “Jardim do Éden”, morri de rir e me perguntei: “será verídico”?
Não precisa responder Karno Evilio, essa pergunta é meramente retórica.

Deixei para o final, devido a grande comoção causada, os dois Basta de Bosta do Sherlock Holmes da Silva: “A verdade mais contundente de ontem está, hoje, embalando o peixe na feira” e “A industria do Nada que move o mundo”.
Foi estranho tanta gente se manifestando favoravelmente em relação a textos que destoam em carga de humor do contexto do Cocadaboa.
Gostamos disso de dar basta nas bostas... Deram um Basta no programa da Bosta da filha do Sílvio Santos; já o Bosta do Alexandre Pires foi representar o Brasil na casa do Bosta do Bush... que vergonha ver aqueles dois Bostas chorando! Se tivessem convidado Carlito Marron pra gritar “Olha a água mineral” eu teria me sentido bem melhor!!!
Tem muita gente querendo que a gente faça camisetas com essa idéia para a loja e isso já está sendo estudado. No mais, a lucidez é a alma do negócio.

Beijinhos
M.Maravilha
mulhermaravilha@cocadaboa.com

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