Todos passamos por fases ruins na vida. Ou por conta de um amor que se foi, ou do time que foi rebaixado, ou papagaio que morreu, uma infecção urinária contraída e etc, etc.
Como sou um ser humano normal como qualquer outro (apesar de ter um pênis de 40 cm), também tenho esses dias de cão. Agora todo dia é dia de cão.
Meu dia a dia tem sido extremamente cansativo. Acordo as seis da manhã, vou para uma bosta de aula de matemática lecionada por uma bicha que se acha a rainha da cocada preta, e que devia mesmo era enfiar uma flauta doce no rabo e sair peidando a melodia de “Jesus Alegria dos Homens”.
Depois chega a vez de aturar uma velha débil mental que fuma quinze cigarros por minuto, gosta do Mao Tsé-tung e fica dando em cima das bestas dos garotões sarados da universidade, ao invés de ensinar a merda da matéria.
Chega a hora do almoço e dirijo-me ao restaurante a quilo chinês, que por ser barato se acha no direito de te servir comida fria. E eu, um babacão, como e não reclamo.
Chego no trabalho às 12:30. Muito bom. Meu companheiro de sala já está lá. Ele adora escutar o pior da música mundial enquanto trabalha. Começa com Jair Oliveira, passa por Carlito Marron, Simple Red, Bjork dá uma parada em Ivan Lins e pra terminar insiste no repertório inteiro do Cazuza e do Rod Stewart. Não há tatu que agüente.
Chego no fim do expediente saturado, achando que meu encontro com o Capeta era fichinha perto do meu cotidiano. Mas o pior está por vir: a hora da volta pra casa.
Entro no ônibus já cansado, querendo encostar a cabeça na janela e tirar aquele cochilo que só se tira em ônibus. Aquele cochilo no qual você fica em um estado tal, que mesmo dormindo continua pensando e sonhando com várias coisas ao mesmo tempo.
Pois bem todo santo dia quando acho que vou conseguir pegar no sono, entra no ônibus uma criança gorda, balofa, histérica e descontrolada, gritando e gargalhando como se não houvesse mais ninguém no veículo de condução pública. Todos ficam incomodados com a obesa criatura. Ela mexe com as pessoas, caçoa dos velhos, joga papel de bala no chão, baba na gravata, é uma peste do mal.
Na última sexta-feira entrou no ônibus com umas bostas de uns peixes coloridos embalados num saco plástico cheio d’água. Coitadas das criaturas, sofreram com o menino. Ele chacoalhava o saco como se fosse um “barman” com sua coqueteleira, e os peixes lá dentro, iam de um lado pro outro fazendo expressões de puro sofrimento e dor. O fodido sacudiu tanto a porra do saco que obviamente ele arrebentou e acabou molhando um senhor gago que estava sentado ao lado.
O senhor começou então a esbravejar: “- Mmmmmmoo-le-qqqqqqqquee ffffiiiiiiiilho da puta. Ddddddeeessequillllllllliiiiibrado. FFFiiiiiilhote da di-di-di-di-ta-ta-dura, vooou tte-te matar!!”
E foi então que o velho gago puxou seu sabre de luz e cortou a criança ao meio, e todos viveram felizes para sempre.
Olhem que belezuras:
Cuma é o Nome Dele? (Série Documento) – Manézinho Araújo
1974
Pra quem gosta de embolada. (a capa não corresponde ao disco indicado).
Trilha dos filmes “Por um Punhado de Dólares” e “Por Alguns Dólares a Mais” – Ennio Morricone
1964, 1965
Pra quem gosta de bang-bang.
Little Quail and the Mad Birds – Lírou Quêiol en de Méd Bãrds
1994
O Cocadaboa
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