MEM
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15/09/03

Criança Alienada

Todos passamos por fases ruins na vida. Ou por conta de um amor que se foi, ou do time que foi rebaixado, ou papagaio que morreu, uma infecção urinária contraída e etc, etc.
Como sou um ser humano normal como qualquer outro (apesar de ter um pênis de 40 cm), também tenho esses dias de cão. Agora todo dia é dia de cão.

Meu dia a dia tem sido extremamente cansativo. Acordo as seis da manhã, vou para uma bosta de aula de matemática lecionada por uma bicha que se acha a rainha da cocada preta, e que devia mesmo era enfiar uma flauta doce no rabo e sair peidando a melodia de “Jesus Alegria dos Homens”.

Depois chega a vez de aturar uma velha débil mental que fuma quinze cigarros por minuto, gosta do Mao Tsé-tung e fica dando em cima das bestas dos garotões sarados da universidade, ao invés de ensinar a merda da matéria.

Chega a hora do almoço e dirijo-me ao restaurante a quilo chinês, que por ser barato se acha no direito de te servir comida fria. E eu, um babacão, como e não reclamo.
Chego no trabalho às 12:30. Muito bom. Meu companheiro de sala já está lá. Ele adora escutar o pior da música mundial enquanto trabalha. Começa com Jair Oliveira, passa por Carlito Marron, Simple Red, Bjork dá uma parada em Ivan Lins e pra terminar insiste no repertório inteiro do Cazuza e do Rod Stewart. Não há tatu que agüente.

Chego no fim do expediente saturado, achando que meu encontro com o Capeta era fichinha perto do meu cotidiano. Mas o pior está por vir: a hora da volta pra casa.
Entro no ônibus já cansado, querendo encostar a cabeça na janela e tirar aquele cochilo que só se tira em ônibus. Aquele cochilo no qual você fica em um estado tal, que mesmo dormindo continua pensando e sonhando com várias coisas ao mesmo tempo.

Pois bem todo santo dia quando acho que vou conseguir pegar no sono, entra no ônibus uma criança gorda, balofa, histérica e descontrolada, gritando e gargalhando como se não houvesse mais ninguém no veículo de condução pública. Todos ficam incomodados com a obesa criatura. Ela mexe com as pessoas, caçoa dos velhos, joga papel de bala no chão, baba na gravata, é uma peste do mal.

Na última sexta-feira entrou no ônibus com umas bostas de uns peixes coloridos embalados num saco plástico cheio d’água. Coitadas das criaturas, sofreram com o menino. Ele chacoalhava o saco como se fosse um “barman” com sua coqueteleira, e os peixes lá dentro, iam de um lado pro outro fazendo expressões de puro sofrimento e dor. O fodido sacudiu tanto a porra do saco que obviamente ele arrebentou e acabou molhando um senhor gago que estava sentado ao lado.

O senhor começou então a esbravejar: “- Mmmmmmoo-le-qqqqqqqquee ffffiiiiiiiilho da puta. Ddddddeeessequillllllllliiiiibrado. FFFiiiiiilhote da di-di-di-di-ta-ta-dura, vooou tte-te matar!!”
E foi então que o velho gago puxou seu sabre de luz e cortou a criança ao meio, e todos viveram felizes para sempre.

Olhem que belezuras:


Cuma é o Nome Dele? (Série Documento) – Manézinho Araújo
1974

Pra quem gosta de embolada. (a capa não corresponde ao disco indicado).


Trilha dos filmes “Por um Punhado de Dólares” e “Por Alguns Dólares a Mais” – Ennio Morricone
1964, 1965

Pra quem gosta de bang-bang.


Little Quail and the Mad Birds – Lírou Quêiol en de Méd Bãrds
1994

Pra quem gosta de rock brasil anos 90.

É só.

Obs: alguém me dê uma luz!

MEM (Mazolinha Esporro Menino)
mem@cocadaboa.com

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