Desde a hilária "morte do Bussunda", nos demos conta de que o Cocadaboa já estava "manjado". Ficava cada vez mais difícil enganar a mídia com nossos boatos. Os editores devem ter incluído o item "verificar antes no Cocadaboa para ver se é sacanagem deles" nos manuais de "como não levar uma barriga", distribuído para todos os jornalistas novatos.
Para continuar nos divertindo, resolvemos mudar de estratégia. Fazer o trote antes, deixar a merda se espalhar bem e só depois rir da cara de todos os imbecis que foram enganados. Não sei se foi cagada ou se nego é realmente muito otário, mas a nossa primeira tentativa já teve a magnitude de uma bomba atômica. De certa forma foi um pouco assustador, pois vai ser difícil manter o nível e igualar esta façanha nos próximos projetos...
Veja os detalhes do nosso "Projeto Sílvio Santos" e comprove como a “mídia das fofocas” é podre e irresponsável:
Segunda, 30/06/2003 – Leio em uma revista Contigo jogada na sala de espera do dentista que há várias especulações sobre a quantidades de dias que Sílvio Santos está passando em sua casa na Flórida. Imediatamente tenho a idéia de escrever uma “CNN”, misturando este assunto com os vários boatos de convites para o Boni assumir a direção do SBT. No caminho para casa mudo de idéia. Mando um email para uma famosa (e ao mesmo tempo "anônima") amiga que trabalha com assessoria de imprensa, perguntando se ela conhecia alguém na redação da Contigo.
Quinta, 3/07/2003 – Já estava desanimando por não ter recebido nenhuma resposta. Mas logo recebo um telefonema de minha “camarada” me dando todos os detalhes de uma reportagem especial da Contigo que estava sendo feita sobre a vida de Sílvio nos EUA.
Logo em seguida ligo para o Daniel, um colega que trabalha como escravo na redação de um outro site de humor. Ele é especialista em imitar o Sílvio Santos e o João Kléber. Impressionante! Deus pode ser considerado um cara muito sórdido por dar "dons" como este para as pessoas...
Em conjunto, a gente bola um trote. “Uma entrevista bombástica do Sílvio Santos”. Mas não funcionaria se ligássemos diretamente para a Contigo, seria óbvio demais...
Voltei a falar com a minha “assessora anônima” e ela sugeriu que plantássemos um recado para a Ana Flávia, repórter que estava preparando a matéria sobre a vida de Sílvio nos EUA. Ligaríamos para a redação da Contigo em um horário que ela não estaria lá e deixaríamos a mensagem:
“Patrícia Guerra, do SBT, ligou e disse para você telefonar imediatamente para o Sr. Sílvio Santos no número XXX. Ele deseja fazer algumas declarações importantes”.
- Obs: Patrícia Guerra é uma famosa diretora do SBT. Responsável por quase todos os comunicados da empresa.
Mas ainda tínhamos um problema: O telefone da “senzala” onde Daniel “bate ponto” é no Rio. Para que a repórter não desconfiasse muito, teríamos que arrumar um número de São Paulo. Como transferir o nosso “Sílvio Santos fake” para Sampa City?
Horas de angústia...
Bingo! Bastava arrumar um número em SP e usar o serviço “Siga-me” para transferir automaticamente a ligação para o Rio. Com alguns interurbanos para amigos desocupados isso foi arranjado.
Sexta, 4/07/2003 – Minha “assessora cúmplice” liga para a redação da Contigo às 9 da matina. Deixa o recado da “Patrícia Guerra” para a repórter e logo em seguida avisa ao proprietário do “telefone fake” para programar o “Siga-me”. As ligações que caíssem nesse número, seriam direcionadas para o trabalho do Daniel, onde todos já haviam sido notificados da sacanagem e o material para a gravação estaria engatilhado.
Pouco antes de sair para o almoço, o telefone da mesa de Daniel toca. Ele atende com uma voz normal, desavisado. Quando a repórter se identifica, ele pede que Ana Flavia aguarde alguns segundos, inicia a gravação, respira fundo e começa o trote (baseado em um roteiro pré-combinado entre nós por email):
Depois de quase 10 minutos de conversa, “Silvio Santos” se despede e vai almoçar.
Já estava de bom tamanho. Se os coitados engolissem, ótimo, se não, o trote poderia ser aproveitado mesmo assim, só de sacanagem.
Não estávaos muito esperançosos, pois a repórter reagiu às declarações com muita desconfiança. Ela tinha percebido claramente que tudo Não passava de um deboche.
Guardamos o material e esperamos... esperamos... esperamos... e... quando já dávamos tudo como perdido...
Quinta, 10/07/2003 – Chega às bancas a Revista Contigo com Sílvio Santos na capa. Apesar da matéria deixar claro que a “entrevista” se deu em “condições estranhas”, “ser pouco confiável” e apresentar um “tom de deboche”, todos os absurdos que o “Sílvio Santos do Cocadaboa” disse foram publicados. Eles morderam e assopraram. Fizeram questão de estampar uma capa bombástica para depois se resguardar e diminuir tudo nas páginas internas. Comportamento típico... A capa vende fazendo propaganda enganosa. Depois de comprar, a pessoa lê e vê que “não é bem aquilo”.
Apesar dos alertas na matéria, TODOS os programas de fofoca reproduzem as declarações de um “Sílvio Santos aparentemente insano”. A notícia é “vendida” da mesma forma, primeiro o escândalo, depois as suspeitas e os desmentidos. Afinal, essa é a única coisa que estes “programinhas vespertinos” fazem: roubar a “polêmica do dia” de alguma revista ou jornal e explorar o tema.
A cada minuto surgia uma versão nova, um desmentido, uma confirmação, especialistas comentando, comentaristas se especializando, matérias em sites (que obviamente seguiram a onda), muita lenha na fogueira...
Enfim... Nosso telefonema foi apenas uma sementinha que fez germinar uma imensa árvore de desinformação. O “monstro” saiu de nosso controle e assumiu vida própria. O boato assumiu várias formas e acabou ficando irreconhecível até para nós. A "criatura" superou o "criador".
Impressionante! Os cúmplices do Cocadaboa não foram apenas o Daniel “Sílvio Santos”, o dono do telefone de SP usado para o “Siga-me” e a minha amiga assessora. Toda a “mídia parasita” ajudou! Criamos o “monstro do dia”! O assunto descartável para entreter as vidas vazias dos coitados que passam a tarde inteira assistindo televisão!
Agora é só nos resta ver "o pouco que sobrou do circo" pegar fogo e pensar na próxima...
O Cocadaboa
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