Adaílton Persegonha
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24/06/03

Apelo à Ciência

O corpo humano tem mais de 1 milhão de anos. Durante este tempo, ele foi se adaptando a todas as suas necessidades evolutivas. Quer dizer, todas não! Quase todas! O corpo humano não se adaptou muito bem às bebidas alcoólicas. E nem parece ter dado muita importância pra isso já que a parte do corpo destinada a processá-la não atingiu nem o status de órgão, restringindo-se tão-somente a ser uma glândula.

Só que o tempo passou e – graças a Deus – os fenícios inventaram a cerveja, os russos criaram a vódca, os caribenhos inventaram o rum, os escoseses o uísque e nós, a cachaça, a marvada, aquela-que-matou-o-guarda. E por tudo isso eu digo: um fígado só é pouco! Urge que a Ciência desenvolva alternativas para que nós, bebuns, biriteiros, pudins-de-cachaça processemos melhor as bebidas alcoólicas.

Para que não saiam por aí dizendo que não dei nenhuma alternativa, seguem-se duas sugestões para que os cientistas se debrucem (num bom sentido) e dêem vazão àquilo que pode representar a salvação para milhões – ou bilhões – de pessoas em todo o mundo!!!

Fica registrado que poderíamos simplesmente sugerir a abstinência por parte dos amantes da bebida, mas esta seria uma solução muito fácil e todos sabem que a Ciência gosta mesmo é de desafios...

SUGESTÃO 1 – O DUPLICADOR DE FÍGADO

Ao contrário do Fernandinho Beira-Mar, o fígado é uma glândula que tem o poder de se regenerar. Não muito, é verdade. Mas já é alguma coisa. É aqui que os cientistas poderiam criar um poderoso medicamento que aumentasse a capacidade regenerativa do fígado a tal ponto que ele ficasse completamente livre das degradações provocadas pelo álcool. Mas a droga deveria ser forte a ponto do organismo criar o “fígado reserva”, ou seja, um outro fígado que funcionasse apenas para processar a pinga nossa de cada dia.

Esta sugestão também acabaria de uma vez por todas com os transplantes e a possibilidade de sua rejeição. Até porque o fígado já seria da pessoa. Nada de cirurgias! Nada de anestesias! O “fígado-reserva” é uma boa solução para exterminarmos doenças como a cirrose, por exemplo.

SUGESTÃO 2 – O FÍGADO PORTÁTIL

Uma sugestão um pouco mais dolorosa, é verdade, mas que tem lá uma chance de se tornar eficiente.

Sabemos que a Ciência já desenvolveu a válvula biológica para o coração e estuda a aplicação de um coração artificial. Então por que não criar o fígado portátil? Ele poderia vir com uma pequena sonda que seria acoplada perto da glândula “oficial”. Então o sujeito poderia mandar ver na cerveja!!! Depois de encher a lata, bastaria lavar o recipiente que ele estaria pronto pra outra! Simples e direto! E com uma grande vantagem: com o fígado portátil, seu organismo não processaria a bebida!!! Você mataria dois coelhos com uma cajadada só: os males que acometem a glândula e o açúcar – é sabido que o ponto final do ciclo do álcool no nosso organismo é a sua transformação em açúcar. Viram? Nada de doenças e de barriguinhas de chopp!!!

Pronto! As sugestões estão aí. Agora cabe à Medicina colocar mãos à obra. Ah, e descobrir também a cura do bafo de cerveja, é claro, que já está sendo alçado à condição de doença venérea de tanto espantar mulher...

Adaílton Persegonha ainda consegue fazer o quatro!!!
persegonha@cocadaboa.com

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