Eddie Torres
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16/05/03

O Zen-vergonha

Ser um homo urbanus hoje em dia é uma merda, ainda mais numa cidade como o Rio de Janeiro. Sirenes de polícia o tempo todo, tensão no caminho do trabalho para casa, olhares paranóicos em todas as direções, mãos frias e têmporas suadas. Sua mulher passa o dia na casa de uma "amiga", seu homem chega tarde do trabalho, seus pais dando porrada e sua vida se transforma num inferno! Eu já passei por várias situações de nervosismo e stress causados por esse tipo de problemas que só a vida urbana pode proporcionar, mas hoje eu sou uma pessoa feliz. Não é feitiçaria nem tecnologia...é o zen-vergonhismo. Para a pessoa ser um zen-vergonha não precisa de nada além de se libertar das amarras da culpa e da consciência inquisitiva sobre a virtude e a noção do antagonismo, o Town & Country (yin-yang).

Libertar-se da culpa é culpar alguém, mesmo que esse alguém seja você mesmo. Porém cabe ao zen-vergonha julgar por si só quem deve carregar a culpa. Por exemplo: um peido é um fardo que não pesa. Ele é leve como o ar. Uma pessoa pode conviver com isso por alguns minutos de constrangimento sem maiores danos a sua moral. Mas culpar outra pessoa por um peido não peidado pode ser o fim de uma amizade ou o início de uma discussão. Ser zen-vergonha não é ser malandro, mas é saber a hora certa de tirar o corpo fora sem riscos a sua conduta.

Não seja aquilo que você não gostaria que fossem. Em outras palavras, não seja escroto com seu próximo. Se todas as pessoas agissem dessa forma zen-vergonha de ser, o mundo não seria essa escrotisse. Mas é óbvio quem nem todos são iguais. Deus criou o homem, da sua costela criou a mulher e do seu ovo esquerdo criou o filho da puta. O filho da puta não é somente aquela pessoa que prega e pratica a filha da putisse. É também aquela pessoa cujo modo de ser às vezes influencia negativamente na sociedade. Por exemplo, o nosso ex-atual-governador-primeiro-damo-xerife Garotinho, é um filho da puta cristão, o que é quase uma contradição (eu disse "QUASE"). Ele reza pelas almas e louva ao senhor aos domingos. Mas de segunda à sexta de 9:00h às 19:00h ele rouba, mente e deseja o mal ao próximo (ou à antecessora...). Ora, se as pessoas fossem todas boas não haveria motivos para se rezar nem por quem fazer despachos e trabalhos em geral. O zen-vergonha não é um escroto filho da puta. O zen-vergonha repudia qualquer tipo de pela-saquisse, em todos os níveis.

Acredite no que quiser. Até mesmo em nada, se é realmente nisso que você acredita. Acredite no Jack Palance, acredite em foto de mulher gostosa no ICQ, acredite no ACM, acredite na virgindade da Sandy, acredite na garantia dos móveis das Casas Bahia, acredite no enlargeyourpenis.com, acredite... simplesmente. Por que duvidar das pessoas? A dúvida é um inimigo implacável da serenidade. A dificuldade das pessoas está no limite entre a verdade e a mentira. Até onde eu devo saber que estão me fazendo de otário? Essa questão é muito subjetiva. Você pode ser feito de otário de muitas formas, por isso é praticamente impossível ser safo 24 horas por dia. Por isso eu adotei em minha vida as palavras de um sábio chinês: “Se faça de morto pra comer o cu do coveiro”.

A zen-vergonhisse é uma maneira de se livrar do peso que é viver numa cidade caótica e problemática. Não precisa também chegar ao nível do zen-vergonha supremo, pois você deverá abrir mão de muitas coisas que o homo urbanus está acostumado como o emprego, estudos e banho. Mas você pode começar chegando em casa tarde nas sextas-feiras, mas leve sua mulher ao motel no sábado. Você pode visitar sua “amiga” de tarde, mas leve uma amiga de verdade para a cama junto com o seu marido. Você pode viver numa cidade cheia de bandidos e traficantes que explodem shoppings e hotéis, mas lembre-se sempre da máxima do zen-vergonha. Quando a situação ficar preta feche os olhos e diga: “Ah, foda-se!”

Eddie Torres (666o Dalai Lama)
eddietorres@cocadaboa.com

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