Micareta no Deserto - “Sangue, Petróleo e Cerveja” Comentários sobre a Guerra que até você vai entender.
Mais uma vez a história de uma guerra se repete. O Lugar é Oriente Médio. O Alvo, Bagdá. O Bandido é Saddam Hussein. O Mocinho também é um George Bush e por trás (huumm), novamente, Collin Powell. Não é filme trash nem série enlatada de gosto duvidoso, mas tinha hora certa pra começar a passar nas redes de televisão de todo o mundo. Horas antes da guerra um diálogo surreal poderia ser confundido com conversa do cotidiano: - E aí, qual é a boa de hoje? Quer dar uma saída? Tomar uma cerveja? - Xíii, vai dar não... hoje a noite vai ter guerra na televisão, fica pra outro dia.
É engraçado, como na Guerra do Golfo eu era meio pirralho, não lembro desse troço de marcarem hora pra começar uma guerra. É como ir ao dentista, tem que ser organizado, com hora certa pra evitar atropelos. Vai que o Saddam marca outra coisa na hora da invasão?! Pode não... Claro que a guerra não começou ontem, essa novela já vem se arrastando há muito tempo. Como em toda boa novela, estamos assistindo agora aos capítulos decisivos, apenas isso; ou o povo se casa ou se mata. O IBOPE lá em cima. Analistas políticos se estapeiam todas as noites pela televisão analisando, discutindo e provando quais as verdadeiras razões da guerra. Uns dizem que foi desde os ataques do 11 de setembro, e que Bush esperava apenas o momento certo; outros dizem que foi desde que Saddam começou a vender seu petróleo em Euros; alguns mais saudosistas dizem que a guerra do golfo não havia terminado, que essa é apenas mais uma movimentação norte americana.
Mas nós, do Cocadaboa, somos comunicadores das massas e vamos analisar a guerra numa linguagem simples e objetiva, que todo mundo vai entender. Nós vimos aquela novela Mandala e lá tá tudo explicado. É a velha luta entre Édipo e seu pai pelo poder e aceitação.
O Pequeno Bush (boa Saddam!) via seu “Pai-Pai”, o Grande Bush, sendo presidente e pensava - “quando crescer vou ser presidente, como o meu Pai-Pai....”. O Pequeno Bush foi crescendo, meio ignorante, meio estúpido; aluno medíocre no colégio, mas ambicionando algo impossível num mundo justo, ser presidente de um país. O Grande Bush, macaco velho, arrumou uma boa razão para fazer guerra contra o Iraque (dizendo salvar o Kwait, que não mandou um telegrama sequer pedindo ajuda) e fez um circo danado no Oriente Médio. Até aí tudo bem, pois a onU deu seu aval para a guerra começar. Aliás, a onU é como a Sharon Osbourne, e sua função é dar um pouco de sanidade a um bando de crianças mimadas cheias de dinheiro, poder e necessidade de chamar atenção - como são todos os governantes do mundo. Ela deve dizer não às maluquices dos seus filhos (o Ozzy se inclui na lista). Entretanto, há momentos em que até ela fica louca, e resolve tacar carne podre no quintal do vizinho... é mais ou menos nesses momentos que a onU concorda com uma guerra.
Claaro que o Grande Bush “ganhou” a guerra, e encerrou sua carreira como um presidente que fez uma guerra. Seu filhote, o Pequeno Bush, debruçado sobre seu tabuleiro de WAR pensou “quando eu crescer e for presidente, vou fazer uma guerra lá no Oriente Médio, igual ao meu Pai-Pai...”.
Anos mais tarde, o pessoal do TSE norte americano comeu um pouco mais no almoço e ficou com uma leseira arretada... aí deu preguiça de recontar os votos da eleição presidencial; e também tava expirando o prazo da apuração, sabe como é, coisa da Providência Divina. E, contra todas a estimativas anteriores adivinha quem virou presidente da maior nação do mundo? Sim, o Pequeno Bush!
O Pequeno Bush ficou muito contente em virar presidente sem nem ter estudado tanto (mas isso a gente também vê por aqui), sem ter carisma ou algo que o valha. Mas logo começou a achar chato fazer as coisas normais de presidente; ele só pensava no dia em que a parte legal de ser presidente iria chegar, anunciar a guerra. Até que, no dia 11 de setembro de 2001, a sorte voltou a lhe sorrir e Osama Bin Laden deu um grande razão para uma guerra de verdade. Nosso Pequeno Bush pensou “– É hoje!”. Todavia, ele não sabia que os militares são como adolescentes entrando em férias... dias pra arrumar a bagagem, escolher as roupas, fazer o cabelo... até chegar no Oriente Médio seriam meses; e sua chance acabou passando.
Com medo de seu mandato acabar sem a guerra dos seus sonhos de menino; com medo de nas próximas eleições o TSE contar direito os votos e com medo de não ser tão grande quanto o Grande Bush, nosso Pequeno Bush resolveu fazer sua guerra independente de qualquer razão, qualquer aprovação e em qualquer lugar. Como sua criatividade e inteligência sempre foram limitadas, foi fazer guerra contra o mesmo pessoal que o seu Pai-Pai, no mesmo local e com os mesmos assessores. Aí ele deu um prazo pro Saddan deixar a casa dele (imagine se fizessem isso com você?) e o resto você tá vendo na tv. Só um sujeito muito imbecil faria isso, mas as verdadeiras tragédias da Guerra são:
- A gente ter que ver Marcos Winter na Televisão implorando pelo fim da Guerra e dizendo que isso dá IBOPE... ninguém contou pra ele que o Bush não assiste a TV aberta brasileira? Esse apelo só enche o nosso saco. - A guerra não ser num país liberal como a Dinamarca ou Suécia... a iminência da guerra faz o povo sair transando a torto e a direito. Essas muçulmanas são um atraso na nossa vida, viveríamos uma Sodoma e Gomorra de primeira linha. - No final das contas não teremos o Saddan Husseim como convidado do Raul Gil no quadro “Pra quem você tira o chapéu?”, seria hilário! - Petróleo não ser um troço comestível e nutritivo, a essa hora o pessoal do Saddan tava botando o maior terror no Times Square. - Essa luta de Édipo com o pai ser em nome do amor de sua mãe. A Vera Fischer tudo bem, mas Barbara Bush é a maior mocréia!
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