MrManson
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16/01/03

O Príncipe Ferdinando

Publicado originalmente em outubro de 2002.

O Príncipe Ferdinando

Enquanto os nossos competentes governantes ainda estão em um debate infindável com a mídia para decidirem se existe ou não um "estado paralelo" no Rio de Janeiro, eu já tirei minhas conclusões e fiz estudos econômicos avançados para propor uma solução. Saio de minha posição agnóstica perante a política para dar um palpite porque já estou ficando muito preocupado com a saúde veterinária da governadora Benedita, afinal ela já tem que cumprir com suas "obrigações domésticas" encarando o Pitanga todos os dias (ou melhor, noites). Exigir que ela lide com os nossos problemas de segurança pública já é demais. Nenhuma mulher, mesmo sendo ex-negra, ex-pobre e ex-favelada, agüentaria uma dupla jornada de trabalho com estes dois pepinos enormes.

A solução que proponho é simples e barata: reconhecer o poder constituído do "estado paralelo" e transformar o Complexo do Alemão em um grande principado, governado por um soberano moldado com os ensinamentos de Maquiavel, o Príncipe Ferdinando Beira-Mar. Muitos podem achar que Ferdinando é ignorante, impiedoso e desonesto, mas garanto que no minuto que ele fosse nomeado príncipe ele se encheria de inteligência, indulgência e competência, pois é isso que acontece com qualquer outro governante quando toma posse. O poder e um terno Armani são capazes de transformar qualquer "Companheiro Lula" em "Excelentíssimo Senhor Luís Inácio", qualquer "Blandino, o Pipoqueiro" em "Doutor Blandino", não é o Beira-Mar que vai ser a exceção.

Uma vez coroado, o Príncipe Ferdinando faria de tudo para o desenvolvimento de seu território. Assim como a dinastia dos Grimaldi em Mônaco, a primeira medida para desenvolver o novo Principado do Alemão seria transformá-lo em paraíso fiscal. E garanto que este seria um dos paraísos fiscais que se desenvolveria mais rápido em toda a história. O que não falta no Brasil são recursos fraudulentos buscando o banco mais próximo para serem lavados. Para que Suíça? Para que Jersey? O Principado do Alemão fica logo ali do lado e eles ainda falam a nossa língua.

O exemplo de Mônaco ainda seria seguido na hora de legalizar o jogo. Vários cassinos aflorariam e fariam a dobradinha perfeita com os bancos internacionais na hora de atrair turistas. Os preços dos terrenos explodiriam, a população pobre teria que se mudar do principado e em poucos anos a especulação imobiliária transformaria um grupo de favelas decadente em um grande "Ressort de Luxo".

Mas não vamos esquecer a grande especialidade de nosso novo príncipe: as drogas. O Principado do Alemão representaria uma espécie de "Amsterdã dos trópicos". Consumo liberado para a alegria de todos os seus visitantes. E se engana que por causa disso haveria algum tipo de violência nas limpos colinas do Alemão. O Príncipe Beira-Mar, zelando pelos recursos de seus ricos investidores, correntistas, turistas e renomados cidadãos faria com que o pequeno território sobre sua regência ficasse mais seguro do que um cofre de banco. Alguém duvida da firmeza de Beira-Mar no combate ao crime? A justiça seria implacável para qualquer um que ameaçasse os interesses monetários ou lúdicos do principado.

E a "alta sociedade carioca"? Não se sentiria tentada a abandonar Ipanema, Barra e Leblon para viver em um luxuoso principado livre dos impostos e da "repressão careta"? Claro que sim! Somos especialistas em esquecer o passado dos nossos governantes, principalmente quando eles estão fazendo algo bom para nossos interesses.

A vida no Rio de Janeiro, agora "subúrbio parasita" das riquezas que indiretamente escapam do principado, também melhorariam. As pessoas de alta classe que financiam o tráfico não morariam mais aqui. Para que correr o risco de ser preso no Rio se morando no Principado do Alemão o consumo de maconha, cocaína e outros aditivos é liberado? Para que facções rivais entrariam em guerra disputando as "bocas" se elas não são mais rentáveis?

Pronto! Acabamos com as balas perdidas e toda violência sintomática do poder do tráfico de drogas. E de quebra resolveríamos também a violência endêmica, aquela do pobre sem perspectiva de vida que resolve virar ladrão de galinhas. A riqueza do Principado do Alemão garantiria a ocupação de muitos trabalhadores de seu satélite parasita, o Rio de Janeiro.

Acreditem com fé, o Príncipe Ferdinando Beira-Mar pode acabar com a miséria e ainda nos dar todos os anos um glamuroso "grand prix" de Fórmula 1. Não deixem que o seu jeito truculento, sua falta de educação e sua barba mal feita ofusquem o sonho do futuro perfeito, se o vestirmos com um Armani ele fica igualzinho a um banqueiro, dono de cassino ou artista de TV. Não existem bandidos bárbaros, o que existem são bandidos sem consultor de marketing pessoal.

MrManson
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