P.I.R.U.
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15/01/03

Hiberne um pouco mais - 1ª parte - a marcação e o fumo altruísta

Publicado originalmente em agosto de 2002.

Hiberne um pouco mais - 1ª parte - a marcação e o fumo altruísta

Tu és o louco da imortal loucura
o louco da loucura mais suprema
a Terra é sempre a tua negra algema
Prende-te nela a extrema Desventura
( Cruz e Souza, O Assinalado)

Após tempo, peço perdão de vocês que ainda me lêem. Há algum tempo atrás, tive a chance de parar. Parar mesmo e nada mais fazer para poder encontrar a verdadeira aura da minha vida. Voltar a saber escrever, senhores, é algo fabuloso. Tentei me livrar do meu total desespero mundano. Fui encontrar nas letras o que Pedro Kilkerry encontrou nos vermes solares, o que Cruz e Souza encontrou em seus violôes que choram, o que o Símbolo reservou a vida. Eu fechei os olhos. E pude perceber que Van Gogh foi inteligente ao arrancar suas orelhas, nunca mais escutar o mundo.

Precisei disso. Mandei todos à merda e me senti bem. Gozei só de saber que podia dormir três meses da minha vida e acordar com vontade de viver. Sonhei, sofri a fome, esqueci o antigo desgosto de viver.

Encontrei o meu amigo Francisco Rego, transcendental e Crepuscular, hibernando seu dedo, sintetizando a sua loucura e não mais que uma paixão.

Apaixonei pela vida.

Soube que, agora, o Mundo não precisa mais saber de dinheiro. Soube que não preciso mais de comida em excesso, negócios a serem fechados, o Mundo morreu, fechei os olhos, impressão... posso saber que Monet era perfeito em adquirir a catarata.Pena ser tão novo e não ter essas doenças, e poder alucinar em meus dias mais ditosos. Ser cãibra e alívio num mesmo sopro, ser amigo e carinhoso ao golpe final do meu inimigo.

Me olho e me vejo e me contorço. A dor de tempos passados agora fazem o meu braço doer. Quero porque quero e te tenho, sôfrego momento e sofrência ao relento. Rimas desnecessárias. A maconha em que vi todos se delirarem, eu cuspi, sua intriga traga ao ermo da cachaça, trazer, eu trouxe, eu trago. Sono. Há uma grande necessidade por sono.

Abrir os olhos, corpos e mulheres, desespero, vontade, sucinta necessidade de se encaixar, loucura imortal, eternidade de oxigênio. Dormir.

Aqueles que podem escolher, escolham. Durmam. Aqueles que não, que morram. Dormir é exageradamente necessário para se olhar e se enxergar, por caralhos, durmam demônios! E se cá eu chego, sem mesmo eu saber bem porque cargas d`água eu aqui vim parar, podem todos saber, eu me recuperei. E por isso peço, se necessitar, durmam um pouco mais. Faz bem a vida.

E que fumemos aliviados.


P.I.R.U. - que nem mesmo entendeu nada, mas que continua a se manter inebriado.
piru@cocadaboa.com

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