Minha paciência chegou ao limite ao passar esta semana em casa diante da televisão sem ter ao menos nada para ser feito. Período de férias é sempre a mesma sentença, é não ver a hora de que as coisas voltem ao normal.
A televisão brasileira, desde o fim do século passado, foi tomado por mulheres que apresentam programas que saíram desta atmosfera de mulheres que apresentam programas para mulheres, como era o Elas por Elas. Os programas ganharam outra dimensão: a visão da mulher diante o mundo fascista e deprimente em que vivemos. Com aquela idéia de que a mulher é quem possui o sexto sentido muito mais apurado que os homens, por possuírem o tal sentimento materno, programas como os de Ana Maria Braga, Sônia Abrão e Márcia ganharam um espaço dantesco diante a programação dos horários diurnos e taciturnos do cotidiano televisivo. Todos eles possuem um alto teor de demagogia em seu conteúdo e visam encontrar o bem estar social diante o medidor do ibope.
Este tipo de programação começa as oito da manhã na Globo com Ana Maria Braga, ela com aquele Louro José (que convenhamos, sem ele, ela não seria nada) ficam naquele chove não molha das babaquices que acontecem com a vida do ser humano. Sempre com um recado de pura filosofice (filosofice é quando uma mensagem ganha um cunho quase religioso, e na verdade, não passa daquelas porcarias criadas por filósofos da educação em escritório para que a vida corra melhor, e que eu chamo de Filosofeiro, e um grande exemplo disso é o Texto A Águia e A Galinha que tenho certeza, todos já ouviram falar), estes dois iniciam o dia com o pé esquerdo, somente mostrando o fruto em que a mídia televisiva tornou-se atrás dos altos ponteiros do ibope. Por sorte nossa, o programa não dura muito. Sempre após uma receita de rico feita para rico e assistida por pobres, o programa vem ao fim sem que nada tivesse contribuído para os seus telespectadores.
Sônia Abrão e Márcia Goldsmith têm um parentesco em comum: o SBT. Todas as duas tiveram programas que fizeram um certo sucesso mas que caíram na mesmice quando veio o fim da década de noventa. Sônia Abrão fazia parte do corpo de repórteres-que-fizeram-uma-faculdade-merda-e-que-se-tornaram-corredores-ávidos-por-fofocas-de-artis-tas-de-televisão, sempre sentada dentro de um helicóptero, ela ia de mansão em mansão de artistas da música (?) e das novelas para saber o que eles estavam fazendo naquele momento e o motivo de estarem fazendo aquilo. Sempre munida de revista Caras, Contigo e outras que são deste tipo de público (minha avó, por exemplo, é assinante da revista QUEM, só para saber da vida dessas pessoas e liga para a minha mãe passando horas e horas gastando a minha linha telefônica que eu podia usar para passar a tarde conectado à internet), ela corria atrás das "notícias" de última hora. E sempre com uma feição de quem estava pronta para fazer o maior furo jornalístico do século, ela ganhou um programa ao lado do Castrinho na RedeTV. Castrinho, coitado, só fica concordando com o que ela diz, pois ele não passa de um comediante (e dos bons) sem aquela carapaça de farsante da ideologia demagógica.
Márcia tinha o que foi considerado o pior programa da televisão na época em que passava. Seu programa parecia mais um enorme lavadouro de roupas diante de câmeras e que, na década passada, era colocado no horário nobre da televisão. Época em que Ratinho ainda era do Canal Nove (na época, CNT/Gazeta), ela fazia sucesso colocando pessoas para degladiarem-se em frente as câmeras pois estavam lutando por seus direitos mais pessoais. E Márcia só ficava dizendo: É claro! Mas ele tem razão! Bla bla bla. Depois de um bom tempo desaparecida, ela se encontra no canal que mais cede lugar a mulheres de "pulso" (pulso de macho): a Band. Local consagrado de Síliva Popovic e também de uma das mais esquisitas ex-vjs da MTV, Astrid. Astrid se encontra com um programa de fofocas, mas é tão ruim que prefiro nem comentar nada, já que também se encontra uma das fofoqueiras mais processadas da televisão Brasileira: Leão Lobo. Márcia, agora com este programa junto a Astrid, quando comenta algo, possui um tom religioso, que assemelha-se (assemelha, vírgula, copia) ao famigerado Geraldo. Só que agora, as pessoas não caem na porrada, mas saem chorando como se tivessem encontrado a salvação divina no programa dela. B-A-L-E-L-A! Tudo gente comprada e que não tem onde cair morto e que aceita esse tipo de escravidão financeira para mostrarem-se em frente a televisão.
Eu estou cansado e sinto saudade da época em que o SBT tinha uma seção só com desenhos em que eles passavam Tom & Jerry às oito horas da noite antes da seção de filmes que eles tinham. Ana Maria bem que podia voltar para a Record que eu poderia ver uns desenhos a mais no Bambuluá ou até mesmo sonhar com o Retorno de TV Colosso (que Bambuluá matou minha saudade até um pouco tempo atrás quando Gilmar das candongas, Priscila, JF E Capachão desceram de um disco voador e caíram na terra onde o chafariz é de pipoca).
Mas e Hebe Camargo? E a Socialite da Padaria de Rico no Cnt? E a Carla Perez? Essas eu não quero nem perder tempo, pois A Hebe é o fruto disso tudo, se chegamos a isso é por causa dela, então tudo o que eu disse, serve para esta falsificada felicidade que ela possui no rosto dia após dia. A Socialite? Poutz, sem chance, eu não perco o meu tempo vendo aquele programa feito para as moradoras vizinhas dela na Barra da Tijuca. Carla Perez? Sem chance também, já não tem mais graça ficar divagando sobre ela. Só que ainda existe a Narcisa Tamborindeguy. Agora, parte do grupo de estrelas do Flash, ela quer porque quer fazer um programa custeado por ela e mais ninguém e que passe no horário de Amaury Júnior, outra fofoqueira das madrugadas, sobre ecologia. E quando perguntaram para ela se faria um trabalho ligado a nicho ecológico, lembro-me da resposta:
- Sim, este programa que farei será para exterminar com isso. O lixo ecológico, tudo limpo, como deve ser a natureza.
A vida é horrenda, mas ainda tem salvação. E não, eu não falei esta frase depois de assistir o programa da Márcia.
P.I.R.U. - tentando se manter rijo depois de ver esse trio Parada Dura, que de dura, não deixa nem a minha parada.
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