Como eu gosto do horário político! Como eu gosto de eleições! Como eu gosto de debates! Como eu gosto de mamão! A vida seria muito mais chata sem nossos candidatos.
Descordo em gênero, número e grau do Sr. Manson. O voto é importantíssimo e essencial para nossas vidas. Sem ele não teríamos por exemplo, o Enéas berrando "56!56!", indicando o Sepúlveda para o senado e criando o disk-PRONA. Não teríamos também um tal de Leonardo falando como um débil mental de babar na gravata sobre a dificuldade do jovem em arrumar seu primeiro emprego. Ou ainda o Garotinho esculhambando os outros candidatos no debate e caindo do palanque junto de sua esposa. onde mais acharíamos tais palhaços?
Qual o melhor programa para se assistir na hora do almoço e do jantar? Não há dúvidas que é o horário eleitoral. É melhor que Chaves, Simpsons e qualquer protótipo de Cid Moreira que possa existir. Adoro poder ouvir sandices de malucos que usam de várias facetas para ganhar votos da população.
Sempre que paro para assistir ao horário político é uma alegria aqui em casa. Do meu lado no sofá, a cozinheira Mimi não para de rir um minuto sequer. Primeiro porque o horário já é engraçado por si só, e segundo porque toda vez que aparece um candidato ladrão, mentiroso ou que eu não vá muito com a cara, desando a mandar xingamentos para a TV. Mando o candidato se foder, tomar no cu, ir à merda e por aí vai. É um festival de maluquices. Mas tenho razão para rir e me irritar.
Vejam vocês que no último horário político, ouvi pelo menos uns três candidatos afirmando serem os criadores do passe livre de estudantes e idosos nos veículos públicos. Calorosamente afirmo que todos mentem! Mentira maior não existe. O verdadeiro autor desta lei foi o respeitabilíssimo Comendador Vitório, homem de grande honra e amor à pátria, que não tem rabo preso com ninguém e já prestou grandes serviços ao país. Vitório é velho conhecido de minha família e pode confirmar seu feito para qualquer um. É só procurarem ele na pracinha da Urca, onde toda tarde ele alimenta as aves.
Um outro fato que me irrita muito mas me faz gargalhar, são os candidatos que precisam ler seus textos e fala-los ao mesmo tempo. É ridículo ver o olho do sujeito esbugalhado e tentando claramente acompanhar as legendas que são postas em sua frente. Sem falar na entonação do candidato. Ou melhor, na falta de entonação. O candidato parece uma múmia paralítica repetindo palavras.
Os nomes e os slogans são bizarros também. Se vocês olharem o Cocada Eleitoral poderão dar uma olhada em alguns deles. Pateta, pipoqueiro, etc, etc. E tem um, chamado Cobetti que aparece falando com uma porra de uma bolinha amarela na mão que chega a me dar ânsia de vômito de tão fodido que é.
Mas tudo é muito bonito e muito legal. É a democracia! É isso aí! É o verdadeiro circo das eleições, cheio de palhaços, mágicos e animais. Escolha o seu.
Aproveitando o gancho da política, esta semana saiu uma serie de reportagens sobre os cantores bregas dos anos 70/80, mostrando que se deveria dar uma maior importância ao trabalho destes artistas realmente populares. Cantores como Odair José, Luis Ayrão, Benito de Paula e Nelson Ned eram os grandes cantores da época. Eram suas músicas que não saíam dos radinhos das domésticas, dos operários, dos porteiros... Além disso para quem reclamava que a música deles não tinha conteúdo subversivo, foi provado que eles também foram muito censurados na época da linha dura. Portanto acho bem legal estes caras serem lembrados pelo cara que escreveu o tal livro que gerou estas reportagens (apesar de eu achar a maioria das músicas destes caras umas boas merdas!). Indicarei alguns discos bons dos chamados bregas:
Evaldo Braga - O Ídolo Negro volume 2 1972
Excelente disco. O melhor destes que estou indicando. Tem a divina "Sorria, Sorria", além de "Eu Não Sou Lixo", "A Vida Passando Por Mim" e "Alguém que é de Alguém". Esta última com arranjo de cordas espetacular. Discoteca básica.
Sidney Magal - Os Grandes Sucessos de Sidney Magal 1982
Coletânea de Magal que incluí duas canções indispensáveis para qualquer um que goste de dançar em festinhas: "Meu Sangue Ferve Por Você" e "Sandra Rosa Madalena, A Cigana", esta com destaque para Magal gritando entusiasmado: "- Canta, comigo!!".
Agnaldo Timóteo - Surge um Astro 1965
A maciça voz de Agnaldo brilha em interpretações emocionantes para clássicos como "A Casa de Irene", "A Casa do Sol Nascente" , "É Tão Triste Veneza", "Amor Perdoa-me" e "Siga-me". Imperdível.
Roberto Leal - Roberto Leal 1975
O patrício Leal canta contente a maravilhosa canção "Dez Portugueses sem Jeito e um Bacalhau na Sacola". Não é piada. O nome da música é este, e ela é muito boa. Um tremendo "disco-vira" genial. Ainda tem mais. "Na Casa da Mariquinha" um vira com guitarras e órgãos solando, "Hippie" com uma letra sensacional sobre os hippies e seu modo de vida, a tocante e linda "Raio X" cuja letra trata dos malefícios do dinheiro, e a magistral "Minha Ilha" com sintetizadores e cordas pra lá e pra cá fazendo um clima "dance-russo-galego".
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