Alô Alô manezada!!! Voltei de viagem com muita merda pra contar. Não sei nem por onde começar direito. Essa viagem vai render assunto pra pelo menos umas três colunas diferentes. Comprei muita coisa nova que certamente virei a falar e indicar aqui na coluna. Lá também pude presenciar shows inacreditáveis de foda, além é claro, de ter torcido muito para Eslovênia junto de vários companheiros eslovenos. Tratei dos negócios do site com muita perspicácia, e posso lhes assegurar que o Cocadaboa ainda vai dar muito o que falar.
Como os assuntos são muitos e diferenciados, nesta coluna vou me reter aos relativos a música. Vou relatar alguns shows que presenciei nas terras européias.
Logo no início da viagem, em Budapeste, presenciei um show hilário de um cantor que era uma espécie de Tom Jones húngaro. Na verdade as músicas dele eram bem chatas, mas o cara era uma bicha louca que usava calça de malhar cravada no rabo e umas botas de couro compridas, além de não fazer expressões com a face. Parecia uma múmia paralítica. Era engraçado pra caralho! Valia o ingresso.
Na semana seguinte vi um show bem maneiro. O local era um bar em Viena, onde uns alemães levavam som sem compromisso nenhum. Um cara no baixo, um na bateria, outro no sax e mais um outro no teclado. Era do caralho. Me lembrava bandas como Morphine, Can, e também algo tipo Miles Davis em sua fase anos 70. Esse bar onde rolava o show também era demais. Era do tipo "kitsch", meio anos 60/70. Parecia até cenário do Laranja Mecânica. Pra melhorar, ainda tinham duas sapatas bem respeitáveis se pegando numa mesa na minha frente.
Depois de Viena fui parar em Praga onde para meu deleite estava acontecendo a Ozzfest, festa encabeçada pelo pai do metal, o geriátrico Ozzy Osbourne. Foi demais, além de presenciar o show da lenda morta-viva do metal, pude ainda ver um pedaço do show do Slayer (não esqueçam que eu sou um babaca brasileiro que acha que as coisas nunca começam na hora marcada) que já valeu a porra toda.
O show do Ozzy foi do cacete. O cara ta velho mas ainda tem o maior pique. Ele ficava cantando paradão segurando o microfone daquele jeito que aparece nos antigos videoclipes do Black Sabbath, e então quando você menos esperava o maluco saía pulando feito uma perereca no cio e depois ficava correndo de um lado pro outro do palco, tacando baldes d'água na platéia. Ozzy cantou várias composições do Sabbath além de outros clássicos. Seu conjunto era muito bom. O batera era o cara do Faith No More e o baixista era do Suicidal Tendencies, se não me engano.
Teve também a banda Tool, que os metaleiros tchecos se amarraram mas que eu achei uma boa merda. Por falar nisso, o público era demais. Só metaleiros "roots" da melhor qualidade. Aqueles malucos cabeludos, barbudos, sujos, cheios de tatuagem e roupas pretas estampadas com demônios, cruzes, 666's, abacaxis, pêras e afins. Todos bebendo feito gambás e pulando pra cacete. Emoção inenarrável!!
Pra finalizar, mudando radicalmente de estilo mas mantendo a mesma emoção, ainda em Praga eu vi uma linda apresentação de música clássica dentro de uma igreja antiga (bota antiga nisso!!). A música era tocada por um organista de igreja, que diga-se de passagem possuía um órgão enorme (no bom sentido é claro), e por uma cantora lírica. Eu devo lhes dizer que a música somada à atmosfera do lugar, me deixou num estado mental flutuante, meio consciente meio inconsciente. Parecia que eu tinha tomado uma droga ou algo parecido. Ficar vendo aquelas imagens de santos e anjos ouvindo aquela música suave me deixou meio torto. Deu até vontade de abandonar tudo e virar coroinha feito o Sr. Manson. Muito Sinistro!!!
Bom, o texto já ta ficando muito longo, portanto vou indicar apenas três das muitas preciosidades que eu comprei lá (esses três foram comprados num sebo espetaculaaaaar em Viena):
Guru Guru - UFO 1970 Primeiro disco da banda. Mostra o que era um power-trio psicodélico alemão dos anos 60/70 levando som - Free Rock!(essa é boa!). Foi Chico Buarque quem me indicou.
Public Image Ltd. - Second Edition. 1979 Pós-punk chega a sua casa levado por John Lydon (ex-Sex Pistols) nos vocais, Jah Wooble no baixo e Keith Levene (um dos fundadores do Clash) na guitarra. Levadas muito interessantes puxadas pelas excepcionais linhas de baixo de Wooble e pelas boas letras de Lydon (pareço até critico babaca de jornal!). Dos que já ouvi, este é o disco da banda que eu mais gosto.
Cabaret Voltaire - "Mix-up" 1979 Baixo, guitarra, bateria (só em algumas faixas) e "eletronics tape". "Eletronics tape" fica entendido como "loops" feitos em gravadores, produzindo batidas eletrônicas, "noises" e outros variados efeitos - Super Experimental!! (realmente voltei um babacão!!). Muito bacana o disco. Outra indicação do amigo Chico Buarque.
É isso aí. Muito chucrute nos seus ouvidos!
Obs: Na próxima coluna falarei sobre como o Felipão é foda.
O Cocadaboa
é aconselhável apenas para maiores de 18 anos. Seu conteúdo
é 100% humorístico e/ou mentiroso.
Quer nos processar? Boa Sorte! Nosso site está hospedado na Eslovênia. Orgulho de ser Esloveno! pulseiras neonpulseiras de identificacao