Coluna passada eu escrevi sobre meu bizarro encontro com Alexandre Frota, e vários leitores me mandaram mensagens comentando o texto. Outros tantos leitores me escreveram pedindo que eu comentasse o fenômeno Supla. Decidi então, que melhor do que apenas tecer comentários a respeito do rapaz, eu deveria contar-lhes como foi meu encontro com ele e com o pai dele nos bastidores do Rock In Rio 3.
Assim como na semana passada, venho afirmar que o fato é verídico, não é invenção de minha mente boçal. Porém, deste encontro, eu não guardo nenhuma prova concreta.
A história começa quando Branca de Neve, o mesmo do texto anterior, foi escalado para tocar na tenda Brasil em um dos dias do Rock In Rio 3. Como eu fazia parte de sua banda, na época, fui me apresentar para aquele mundaréu de gente numa tarde certamente inesquecível (coisa pra ser contada pros netinhos).
Na banda de Branca éramos oito: Branca, MEM (eu), Gabrimanuel, Menino Bronze, Mauri Pé de Coelho, Chuky Dumanic, Bertold Bread e Kimonstrim. Fizemos um show do caralho, que levantou poeira daquele amaldiçoado chão.
Mas não é isto que nos interessa. Vamos a meu encontro com Supla e Suplicy.
Ao chegarmos à Cidade do Rock fomos levados diretamente ao local onde se encontravam os camarins. Era um espaço grande onde cada camarim (dos artistas nacionais) ficava colado no outro. No meio do lugar havia um telão onde os shows que estavam rolando podiam ser vistos na íntegra (nesta hora tava rolando Pepeu Gomes e Armandinho). Em frente ao telão havia uns restaurantes japoneses com umas mesinhas e uns chafarizes. Havia também uma espécie de academia de ginástica para que os artistas pudessem dar uma malhadinha antes de entrar nos palcos.
Era um lugar legal mas meio chato pra se ficar passando quatro horas, até a hora do show começar. Portanto enquanto os outros ficaram deitados nos sofás do camarim esperando a morte chegar, eu preferi ir até o Palco Mundo dar uma olhada no que estava acontecendo. Acontece que para sair do local dos camarins e chegar até o Palco Mundo era preciso pegar uma van que te deixava na porta de entrada para o gramado. Eu tinha uma credencial de músico que me dava acesso à essa entrada e a outros lugares vips, mas mesmo essa minha credencial não permitia que eu andasse livre pelos bastidores do Palco Mundo. Portanto eu teria que assistir aos shows do gramado como um simples mortal.
Mas Exú Caveira é grande, e ao entrar na van que se dirigia para a entrada do gramado dei de cara com o papito em pessoa. Estava lá ele, Supla em carne e osso sentado na minha frente. E para meu espanto maior, quando olho para o lado, vejo nosso senador Eduardo Suplicy. Isto mesmo, Suplicy tinha ido ver o show do filhinho querido que tinha acontecido horas antes de nossa chegada à cidade do rock.
Sentei-me na van e fiquei escutando a conversa dos dois enquanto o motorista não chegava. Supla contava a seu pai o quanto estava feliz por ter tocado no festival, e o quanto tinha sido bom o seu show. Suplicy não respondia nada, apenas ficava de boca aberta como se estivesse tentando engolir algumas pequenas moscas. Parecia que tinha tomado uns três Lê xota.
Depois disso perguntei a ele como estava o clima da galera nos shows, ele respondeu que tava tudo do caralho e que tava o maior astral para tocar. Também me perguntou com quem eu iria tocar, e me desejou um bom show.
Chegamos então ao portão onde seríamos deixados, e eu como não sou bobo nem nada, colei nos dois e fui seguindo-os para onde quer que eles estivessem indo. E foi então que quando eu dei por mim, já estava em cima do palco mundo ao lado da bateria do Igor Cavalera e dos baixos do Paulo Júnior. Rapidamente virei meu crachá do lado avesso e saí perambulando por lá. Vi como funcionava o esquema de troca dos palcos entre um show e outro, e depois fiquei observando a fileira de guitarras e baixos dos caras do Iron Maiden, que mais tarde iriam fechar a noite.
Minutos depois me juntei novamente a Supla e Suplicy, e de cima do palco assisti ao lado deles toda a apresentação do grupo Pavilhão 9. Após o show do Pavilhão eu me despedi de Supla e de Suplicy, e voltei para bater um rango no refeitório pois já estava ficando na hora do nosso show. E foi isso. Esta foi minha tarde no Rock In Rio 3 com Supla. Deu pra ver que o maluco era um cara gente boa, o que mais tarde foi confirmado no programa do SBT.
Quanto ao indicado da semana, serão os discos dos maiores mestres da música atual: WEEN!!
Pra quem não conhece, Ween é uma banda americana formada por dois malucos (Dean Ween e Gene Ween) que cultuam uma espécie de "deus" chamado Boognish. A banda já tem um tempo, acho que uns quinze anos, e neste ano de 2002 vai lançar seu nono disco.
Acho que além dos Beatles, o Ween é a única banda que eu conheço que só possui discos bons. Do primeiro ao último só têm clássicos.
Minha esposa viajou há pouco tempo para os States, e me trouxe três discos que eu ainda não conhecia: "God Ween Satan" (1990), "Chocolate and Cheese" (1994) e "White Pepper" (2000). Os três são excepcionais. Outros discos como "The Mollusk" (1997), "The Pod" (1992) e a coletânea de músicas country "12 Golden Country Greats" (1996) também não ficam pra trás, sendo este último gravado com a presença dos Jordanaires, grupo vocal que acompanhava Elvis Presley em suas primeiras gravações.
Há também o disco ao vivo intitulado "Paintin' the Town Brown" (1999) que pega faixas de apresentações da banda desde 1990 até 1998, e nos mostra como seria foda se um dia eles pudessem vir até aqui nos presentear com seu magnífico show.
O melhor disco da banda pra mim é o "Pure Guava" de 1992, o primeiro disco que eu conheci e acho que o mais original. O som da banda vai desde do metal até country, passando por vários outros tipos de demência.
Vale muito a pena ouvir esta banda, que dá um verdadeiro show de bola.
E só pra fechar, o álbum "Chocolate and Cheese" (foto) foi eleito pela Playboy como o disco com a capa mais sexy de todos os tempos.
Inté.
Obs: Parabéns ao Sr.Manson, ao Vídeo Hits e aos Anéis de Couro do Senhor.
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