Esse meu textículo será um pouco diferente dos costumeiros. Desde que começou o papo de eleições uma coisa que me angustia é a responsabilidade que temos como veículo de informação ao nosso leitor dileto. Somos um site de humor, politicamente incorreto, mas ainda humor. Fazemos muitas vezes o jogo inverso dos veículos de informação, o da desinformação, mas essa é ainda uma linguagem que atinge os indivíduos pensantes, pelo menos pela contra mão das histórias formais.
Fizemos textos malhando políticos, suas equipes, o próprio processo eleitoral, o horário eleitoral, quem apoia os candidatos, o ato de votar em si... Cada autor deu sua visão da coisa e imagino que tenhamos feito, pelo menos por um instante, o leitor refletir sobre o que o voto é realmente e o que querem dizer que o voto é. Eu, particularmente, vou votar em alguns candidatos. Discordo de como funciona a democracia, acho que votar neste ou naquele candidato me serve muito pouco (exceto quando o povo elege gente muito maluca ou muito "filha da dama"), mas sou um romântico eleitoral e vou votar. Embora vote, não posso levantar uma palha contra quem não vai fazê-lo, como o Manson, porque acho que ele é muito mais convicto no seu "não voto" (quase veto) que eu no meu "voto romântico". - Quem sabe nas próximas eu faça como ele?
Então não farei campanha para você votar na direita (que muitas vezes se faz de esquerda para ser simpática) nem tampouco na esquerda (que não raro se transforma em direita quando já atingiu seus objetivos). Também não vou incentivar o voto branco ou nulo. Prefiro deixar que outros dois autores te ajudem a pensar e, o mais importante, questionar.
O primeiro é um psiquiatra inglês de nome R.D. Laing. Esse é um trecho de seu livro "Laços". Mas isso porque a tradução para o português foi manca, porque o legal mesmo seria chama-lo "Nós".
"Eles estão jogando o jogo deles. Eles estão jogando de não jogar um jogo. Se eu lhes mostrar que os vejo tal qual eles estão, quebrarei as regras do seu jogo e receberei a sua punição. O que eu devo, pois, é jogar o jogo deles, o jogo de não ver o jogo que eles jogam".
Há também um outro cara muito genial chamado George Orwell que escreveu um livro bem pequeno, chamado "A Revolução dos Bichos". Muita gente, quando lê o livro, é parcial na análise e imagina que ele esteja fazendo uma metáfora contra o capitalismo (já está costumada a falar mal de capitalismo, aprendeu na escola). Mas não; é contra capitalismo, socialismo, tudo... é sobre o ser humano e o animal primitivo e político dentro dele. Baixe o livro e leia. Vai parecer "Babe, o Porquinho"; "Os Saltimbancos" e é isso mesmo! Mas posso assegurar que serão bons momentos de leitura.
Não interessa o caminho que você resolva seguir, mas interessa muito que você questione todos os caminhos, inclusive o que tomou. Ainda não é nesse domingo que a gente vai mudar a realidade estabelecida, mas já dá para ir pensando no assunto. E tenho dito.
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