A verdade todo mundo já sabe. Nós do Cocadaboa somos caras toscos e sujos. Somos anti-sociais, bichos do mato e não servimos para o convívio em geral. É por isso que a gente tem um site, e não um Talk Show.
Mas de vez em quando é preciso sair da casca e procurar diversão, interação com seres da mesma espécie. E, muito embora sejamos tudo isso, a gente gosta de mulé, (mulé boa e de preferência já descascada, digo, desnuda, pronta para comer), de cerveja e de papo furado. Foi aí que pensamos: - onde poderemos encontrar essa combinação de coisas juntas? Como estávamos com a TV ligada, e passava um comercial de cerveja, a resposta saltou à vista: - Na praia! Pensamos ainda: - Beleza, porque somos durangos e praia é o programa mais barato que existe (depois de televisão) e é super divertido, tanto que o mundo inteiro adora vir para nossas praias (e o comercial de cerveja não mentiria para nós).
A primeira lição que este texto se propõe a oferecer gratuitamente ao leitor é a seguinte: jamais confie em uma cerveja que não tenha comercial com Mulher. Veja o exemplo da Sintra. Botam uns atores maneiros, um texto inteligente do tipo "fuja da mesmice", experimente, bibibi, bobobó; mas mulé, que é bom, nada! Para o comercial ser perfeito basta muito pouco. Nós, homens, somos criaturas simples, para conhecer as verdadeiras intenções dos produtos queremos comerciais de fácil associação; uma coisa rápida: Cerveja, Mulher e Amigos.
Pode colocar um futebol, porque soa como "amigos", ou uma roda de samba, tudo bem; mas se não tiver pelo menos Mulher no comercial é porque eles estão escondendo alguma coisa a respeito da cerveja... vai ver, se tomar, a gente pode broxar, não sei...
Mas voltemos à praia. Pegamos a caranga e tomamos a estrada. Logo nos sentimos como a Chapeuzinho Vermelho (que observação gay), tínhamos dois caminhos a seguir. Uma estrada curta que nos levaria em menos de duas horas ao nosso destino, numa pista lisa como cetim (e que nos custaria a módica quantia de sete reais e batatinhas), ou uma outra, a estrada longa, que nos levaria em pouco mais de duas horas, numa pista que a Mãe Natureza cuida (mas que nada nos custaria, apenas boa vontade).
Acontece que os tempos mudaram e agora a administradora da rodovia curta paga para o lobo mau morar na estrada longa e desmotivar os pão-duros. E é claro que tomamos a segunda (já que somos durangos), onde o lobo mau atochou na gente, nos fazendo chegar à noite na praia.
E aí vai mais uma lição que deveríamos ter aprendido no jardim da infância: tenha sempre consigo os sete reais do pedágio para não deixar o lobo mau botar no seu cu. Mas não nos esquentamos porque dia seguinte estaríamos cercados por nossas paixões primitivas.
Acordamos cedo para aproveitar o dia. E como não estamos acostumados a acordar cedo, o Sol absurdo quase nos deixou cegos. Tá, a vista incomodava, mas já tínhamos vencido os primeiros obstáculos, chegamos na praia, tínhamos os amigos era hora da cerveja e dos seus acompanhantes, os petiscos. Começamos a reparar que as coisas que os ambulantes ofereciam não eram bem umas coisas muito digeríveis ou apetecíveis. Queijo na brasa (um naco de queijo branco no palito), camarão na brasa (um seis camarões no palito pescados sei lá onde), sanduíche natural (natural de onde, dos coliformes fecais?), picolés genéricos (não era Kibon, com certeza)... Mas absurdo mesmo foi quando um vendedor ofereceu "folhado de bacalhau" e outro "ostras fresquinhas".
Deus, quem inventou esse folhado de bacalhau? E como cultivaram essas ostras, elas morreram neste ano? Como Deus ficou caladão era uma boa hora para mais uma lição de vida: nunca coma na praia nada exótico, natural, feito em casa... para falar a verdade, não coma nada na praia ou faça um bom seguro de vida.
A essa altura estávamos com um puta calor, meio cegos, incomodados com a areia (só de teclar irrita, areiaareiaareia) e sem petiscos, mas tínhamos os amigos, as cervejas e só faltavam as mulheres. Olhamos para um lado: tias velhas e gordonas; olhamos para o outro: rampeirinhas raimundas... Bundas esburacadas como crateras lunares, cabelos e pentelhos duros como espinhos, peitos caídos como cascatas.
Onde estavam as mulheres maravilhosas dos comerciais? Aquela baita morena que se transforma em garrafa, ou aquela loira com rabo de peixe? E, principalmente, a mudinha fabulosa que quer tomar a qualquer custo uma redonda com um cara comum (um cara comum como nós)? Não, não dá para confiar em mais ninguém nesse mundo onde até a amada cerveja quer nos enganar. Certos de nosso fracasso, formalizamos nossa última lição: amigo, quando quiser foder não beba, mas se tiver que foder com barangas, beba, e que se fôda!
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