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13/01/03

Fátima Bernardes: A Craque da Copa

Publicado originalmente em julho de 2002.

Fátima Bernardes: A Craque da Copa

Baixada a poeira da Copa do Mundo, o que me chamou atenção mesmo foi a Fátima Bernardes ter voltado ao Jornal Nacional como pop star, quase assumindo o posto de atração especial. Ela agora está com mais chinfra do que o Cid Moreira na época em que trocava uma idéia com o Mr. M., aquele drag-queen gótico, fechadão, que gostava de esconder a cobra em tudo quanto é mágica que fazia. É importante revelar as histórias por trás dos bastidores e desnudar essa mulé para os leitores. Projeto realizável somente através dos indícios, como nos ensinou Freud e Sherlock Holmes.

Vamos a eles. Não sei se alguém notou, mas nas chamadas ao vivo do Japão, quando a correspondente da Globo conversava com Willian Bonner, este demonstrava um profundo desânimo - em contraste com a euforia da própria companheira. É bom guardarmos outra imagem, a da felicidade dos jogadores da seleção ao ver a repórter se aproximando, com o microfone em punho. Nessas ocasiões, os futuros heróis brasileiros davam entrevistas com a maior tranqüilidade do mundo. Juntemos as pontas.

1 - Willian Bonner triste, quando deveria estar feliz por estar falando com esposa, longe de casa.
2 - Jogadores comemorando a chegada de uma repórter - geralmente a figura do algoz para os caras, que se enrolam bastante na hora de falar.
3 - Atletas extremamente calmos, apesar da castidade imposta por Felipão.

Porra, é lógico que essa vagaba estava fazendo barba, cabelo e bigode da rapaziada da seleção! Será que ninguém pensou nisso? O Bonner conhece a esposa que tem e não se enganou. No auge de seu pessimismo, certamente estava pensando: "putz, quando essa mulé bebe só faz merda". Deve ter lembrado as festinhas da alta sociedade jornalística - aquelas em que os garçons servem cocaína na bandeja -, nas quais a Fatinha subia na mesa, tirava a roupa e dava um verdadeiro show, para a alegria da galera. Para os telespectadores, envoltos na emoção de uma Copa, tudo era festa.Ninguém notava o legítimo desalento de um corno manso, ao vivo, todos os dias para as famílias brasileiras.

Os leitores acharam as provas inconsistentes? Saibam então que eu guardei o melhor para o final, como nas tramas do Scoobyddoo e sua turma. O grande furo de reportagem da vagaranha global foi conseguir entrar no ônibus da seleção, que se encaminhava ao aeroporto para pegar o vôo de volta para casa. Desta vez, também ao vivo para o Brasil, nenhum desportista fez "ehhhhh!". Todos estavam sérios e, até mesmo, constrangidos com a presença da repórter. Alguns podem estar pensando: "lógico, a mulher estava revelando um ambiente íntimo dos jogadores para todo o país...". Se vocês preferem guardar a imagem da mulher-profissional competente, mãe de família moderna, que larga o marido e os filhos por conta de sua profissão, tudo bem.

Mas quem concordou comigo até aqui sabe que a conclusão é óbvia. Nossos campeões estavam extenuados pela batalha que travaram contra os robóticos alemães na final e liquidados pela farra da comemoração. Com razão, entraram imediatamente em depressão quando viram aquela maluca insaciável invadindo o ônibus da delegação. E devem ter, depois, juntado na porrada o filho da mãe brincalhão que deixou a Cicciolina do jornalismo brasileiro entrar no veículo. Agora, como os jogadores se safaram dessa, eu não sei. Provavelmente, não escaparam. Deve ter sido por isso que os atletas não agüentaram chegar ao final da carreata da vitória, no Rio de Janeiro.

Disso tudo que vimos nesse artigo, podemos tirar a idéia de que não devemos entrar nesse clima de oba-oba em torno da Fátima Bernardes, revelado em sua volta ao Jornal Nacional. Mesmo porque ninguém aqui fez parte da seleção brasileira para aplaudir a atuação da jornalista. E o pior de tudo é que já no dia seguinte à conquista do penta, o colunista César Seabra, do jornal Lance, escrevia em sua coluna: "BOLA CHEIA. O craque da Copa: Ronaldo. A craque da Copa: Fátima Bernardes". Esse nem esperou a colega voltar para mostrar o corporativismo característico dos jornalistas. Quanto a isso, gostaria de dizer uma coisinha só. Aí, ô seu jornalista graúdo: se eu freqüentasse as festinhas que você freqüenta, nas quais a sua coleguinha rouba a cena depois de uns Ballantine's pra lá de envelhecidos, eu também iria achar a Fatinha uma loucura!

Remo Ciclotron

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