Não sei por quê, mas 99% dos homens heterossexuais adoram ver mulheres se tocando. Enquanto uma fita pornô vem com um grande aviso caso haja uma cena entre homens, os filmes para o público hetero não alertam para cenas com duas mulheres. É considerado normal para a gente. Duas ou três mulheres juntas em situações eróticas não são homossexualismo para os homens. São como uma variação de heterossexualismo. Crescemos achando isso normal e estimulante até. Daí ficamos loucos quando vemos o mais bobo ensaio de nudismo com duas mulheres juntas. Quando soube que as Mallandrinhas, ajudantes de palco do programa de Sérgio Mallandro, estariam nuas na Playboy, dei um daqueles sorrisinhos que sempre damos ao imaginar mocinhas nuas perto uma das outras. Fui ver a capa da revista no jornaleiro, lá estavam duas louras tocando no seio de uma morena entre elas. Fui olhando bem esperando a excitação tomar conta do meu corpo e senti algo estranho: pena! Fiquei confuso! O que é isso? Estou virando boiola? Por que não estava excitado com duas louras segurando os peitinho de uma morena? Enjoei da coisa? Olhei para os lados e consegui localizar várias mulheres gostosas andando de um lado para o outro. Era só soltar meu controle _ aquele que me separa dos animais ou dos tarados e me faz um homem fiel a qualquer companheira que eu tiver _ e podia imaginar loucuras com cada uma delas. Ou com todas elas juntas! Mas voltava a olhar a capa da Playboy... e nada! Como sou contra gastar dinheiro para um psicólogo ficar quieto ouvindo o que tenho a dizer, fiz minha auto-análise.
Senti pena das Mallandrinhas porque aparecerem nuas se bolinando na capa de uma das revistas mais lidas do mundo (a Playboy brasileira, se não me engano, é a terceira versão nacional mais comprada do grupo. Perde apenas para a americana e para outro país que não lembro agora) é provavelmente o ponto mais alto a que essa meninas chegarão em suas carreiras. Isso porque elas têm uma triste ocupação. Profissão: gostosa. São mulheres que só sabem fazer isso da vida. São gostosas, sem dúvida. Mas em vez de essa qualidade perecível ser apenas parte delas, seus atributos físicos se tornaram a razão da vida delas. Para que estudar? Para que trabalhar em alguma coisa séria? Elas são gostosas! O caminho mais fácil para elas é virar dançarina no programa de funk do Latino ou de qualquer mané. Enfiar uma calça apertada, uma calcinha enfiada na bunda e ficar se agachando no palco ao som de qualquer porcaria que tocarem. Quem sabe com sorte e dando para as pessoas certas elas não podem ser "alguém na vida", como uma Enfermeira do Funk, um Ninja do Funk, uma Feiticeira? Ou ainda, fazer como uma certa modelo que apareceu nua por aí, namorou um ex-jogador de futebol, fez filminhos em que aparecia seduzindo crianças e de repente virou uma mulher respeitada por toda uma geração, capaz de dar à luz uma criança endeusada por jovens débeis mentais.
Fui mais a fundo em minha análise e me questionei por que as fotos com as meninas de um grupelho formado por mulheres louras (tão insignificante no cenário musical que eu esqueci o nome. Acho que é Banana Split, ou algo assim) na mesma revista funcionou para mim. A resposta é que as meninas não eram exatamente da profissão vagabunda. Eram mulheres em forma que montaram um grupinho para cantar e fazer coreografias sensuais. Iriam faturar assim. Aí propuseram as fotos nuas e elas toparam. Pronto. Estão ali na foto três mocinhas que cantam e se divertem juntas. São tão íntimas que no ensaio fotográfico "por acaso" acabaram se esbarrando aqui ou ali. Quem sabe isso não acontece nos camarins, quando estão se aprontando para um show? Assim é que funciona a fantasia. E as Ronaldinhas? Também deu certo com elas. Por quê? Porque eram "modelos" que já estavam na estrada. Devem ter feito todo o trajeto típico, incluindo dar para uns pagodeiros e para jogadores de futebol. Deram para o Ronaldinho, mas não conseguiram segurá-lo. Mas elas têm a consciência do que são. Profissão: vagaba. Não tentam enganar que têm algum talento artístico. Não estou dizendo que se prostituíam, mas sabemos que elas estavam aí no mundo para tirar fotos nuas ou para casar com um novo astro da mídia. Então aproveitaram que tinham dado para o mesmo cara famoso, se juntaram e foram tirar umas fotos peladinhas juntas. Resultado: três safadinhas se provocando em fotos.
Mas com as Mallandrinhas a coisa é diferente. São mocinhas que viram que eram mais gostosas que suas amiguinhas e arriscaram um sonho. Iriam trilhar o caminho de Xuxa. Iriam expor suas formas se tornando dançarinas de palco, todos perceberiam como são fotogênicas e um dia as levariam para apresentar um programa, quem sabe um infantil. Antes que tudo se realizasse, estavam na capa da Playboy. E seus corpinhos bonitos não foram o suficiente. Não adiantava apenas ficarem lado a lado na foto. Elas tinham que se tocar. E na capa. Quando vi a pose das três pensei no pai delas vendo aquilo. Eu ficaria bolado em ver minha filha pelada segurando o peito de outra mulher na capa de uma revista de circulação nacional. Já se eu fosse o pai da Sabrina Parlattore, da Camila Pitanga ou da Luana Piovanni e finalmente a visse na capa da Playboy pensaria "Meus amigos vão me sacanear, mas pelo menos minha filha já mostrou que não é só um corpinho bem feito. É uma mulher que venceu na carreira e deu na telha de resolver posar nua, por dinheiro ou vaidade, sei lá". Mas duvido que o pai de uma das Mallandrinhas pense isso ao ver a Playboy deste mês. Ele vai sentir que agora o caminho delas só vai descer. Elas já chegaram ao auge da "carreira". Agora já era. É esse sentimento sinistro que me impede de me empolgar com as Mallandrinhas. Que coisa, nunca pensei que teria pena de três mulheres gostosas se tocando nuas! Será que tem uma cura para isso?
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