aflição sf. 1. Angústia, sofrimento. 2. Mágoa, dor. 3.Cuidado, inquietação. boceta (ê) sf 1. Caixinha redonda, oval ou oblonga. 2. Chulo, . Vulva. Minidicionário Aurélio (o pequeno pai dos burros)
A Afliceta é uma fenômeno pouco estudado pela Ciência mesmo nos dias de hoje, em que os sábios desta arte do desconhecido gastam seu tempo mentindo e desmentindo a respeito de coisas tão improváveis como os benefícios do café nos primeiros anos de vida ou da cura do câncer através da maçã (...imaginem quantas maçãs não seriam necessárias para acabar com um câncerzinho só?!)
Mas embora a ciência não se interesse por pesquisas que busquem diminuir a angústia e aumentar o prazer das fêmeas da espécie, nós, do Cocadaboa, estamos nos empenhando em um estudo seríssimo, utilizando métodos de pesquisa nunca dantes pensado pela ciência convencional.
Para tanto contamos com a participação de nossas empregadas, tias solteironas e as gostosonas solteiras que estudam conosco. Com as últimas, estamos tentando colocar em prática a terapia curativa desenvolvida por nossa equipe.
Afliceta é uma palavra que, por aglutinação de termos, significa aflição lá, na boceta. Muitas fêmeas quando atingem a idade própria à procriação ou cópula por divertimento desconhecem que determinadas angústias e incômodos são frutos de uma afliceta precoce.
No entanto, seu estágio crítico se dá (corrijo, se não dá é que ela ocorre) quando a mulher já atingiu sua maturidade sexual e já provou do fruto proibido (como ocorre com as empregadas pesquisadas) ou quando a mulher começa a desistir de receber rosas do príncipe encantado para esperar o dia em que ganhará um monte de cravos dos parentes (como ocorre com as tias solteironas).
Muitos de nós, em virtude de uma educação ineficiente ou de falta de sensibilidade, não conseguimos identificar quando uma mulher, coitada (digo, não coitada), sofre desta moléstia que atormenta a mente e as pudentas femininas.
Todavia, uma rápida rememorada pode nos facilitar muito no estudo deste mal quando identificamos em nosso passado mulheres sofrendo com a afliceta.
Ocorrências Mais Freqüentes:
-Professoras Primárias - os gritos histéricos com que muitas delas se dirigem aos alunos não pode ser coisas de gente normal. Se não for possessão demoníaca é, com certeza, afliceta.
-Professoras de Matemática - a crueldade e o sadismo com que elas tratam nosso futuro, nosso destino e nossas notas são a prova viva de que Deus abandonou de vez esse mundo e o deixou a mercê de loucas varridas. Nosso desespero na véspera das provas de produtos notáveis é o orgasmo delas e sua válvula de escape.
-Caixas de Supermercado - a falsa calma com que elas registram os produtos denota a afliceta contida. Caso de altíssima periculosidade quando a doente recebe uma promoção a supervisora que aprova o crédito; você pode perder anos de sua vida em nome de uma rubrica dela.
Naturalmente, existem doentes em todas as posições e segmentos sociais, pois a afliceta não escolhe cor, credo ou classe social. Ela também pode se manifestar em síndicas de condomínios, vizinhas donas de poedles, secretárias oferecidas, madames no trânsito, ministras da economia, etc...
Um sintoma marcante da moléstia na fêmea abstêmia, estudado primordialmente em nossas empregadas raimundas, pode ser identificado por um suspirar constante e um retardamento das funções laborativas. Outro dado é um cruzar exagerado das pernas, tentando esconder o incontestável, a falta de um objeto cilíndrico nestas cavidades. Casamentos e chás-de-panelas são redutos ideais para as doentes.
No primeiro caso a identificação começa já na Igreja, com o lençol que elas têm que abrir para conterem as lágrimas. Na festa, a pista de dança as denuncia; aquelas mais afoitas, que dançam todas as músicas e que insistem a todo custo para nos agarrar, que fazem com riqueza em gestos todas as coreografias do Tchan, sentam na boquinha da garrafa (e ainda nos encaram enquanto o fazem) certamente estão infectadas.
Nos chás (em que homens são estrategicamente vetados) a altura das vozes e a ira nas risadas denuncia que elas estão se organizando para uma revolta.
Revistas masculinas e de fofocas, apego exagerado a novelas, consumo excessivo de doces e chocolates, tentativas de bolinar em homens desconhecidos, ou seu sintoma oposto, a aversão total a magnífica figura masculina foram observados nas mulheres afetadas.
Por se tratar de uma pesquisa empírica, alguns sintomas da doença podem ter-nos escapado, e nesse caso contamos com a ajuda da comunidade masculina na identificação e registro de mais características da afliceta, com o objetivo de cura, prevenção, ou, em casos irreversíveis, o confinamento.
As razões pelas quais os casos mais avançados ocorrem são muitas, mas o mais comum é a escassez total de machos com coragem ou falta de amor próprio o suficiente para encarar as megeras doentes.
Utilizamos as colegas gostosonas em nossa pesquisa para desenvolver-mos a cura para o mal da afliceta; embora gostosonas e solteiras dificilmente sofram deste mal. A descoberta gloriosa é que com chá de minhápica sempre que a leguminosa estiver madura nenhuma mulher sucumbe a essa doença terrível.
Convocamos a todos os homens que, num mutirão de virilidade, saiam pelo mundo na Cruzada Curativa distribuindo fartamente o elixir milagroso.
A nós, do Cocadaboa, pedimos que sejam encaminhados os casos mais raros e difíceis, como o de uma gostosona solteira com (ou sem) a doença, pois temos armazenados não um chá, mas um xarope concentrado de minhápica...
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