Categoria: resenhas
Finalmente minha primeira resenha. O Silveira, colega de trabalho, estava muito empolgado com a eficácia de seu novo desodorante e comprou um exemplar para eu experimentar e escrever minhas impressões sobre o produto.

Para começar, o nome: Garnier Bi-O. Quem foi o gênio que teve a sacada de batizar o desodorante com a mesma pronúncia de B.O. (cecê / futum / budum / suvaqueira em inglês)? Um contra-senso igual a lançar um absorvente feminino chamado “Chico” ou uma pasta de dente chamada “Bafo”.
Segunda crítica, a embalagem. O negócio tá mais para butt plug do que para desodorante. Não tem a menor pegada masculina. No lugar dos punhos, o que precisa ser movimentado para aplicar o desodorante é a ponta dos dedos. Bem delicado.
Outra coisa: embalagem roll-on para homens? Quem acha que isso pode dar certo? Não falo pelo preconceito de ficar esfregando algo roliço em uma parte delicada do meu corpo, mas pela praticidade mesmo. Meus suvacos são a terceira parte mais peluda de minha anatomia. Basta uma aplicação para um fiapo se prender ali e ganhar vida própria.
Se ainda tivéssemos problemas com a camada de ozônio e o CFC, até toleraria o roll-on. Mas o spray conseguiu evoluir e ficar ecologicamente correto. Não vejo nenhuma razão para deixar o spray de lado em prol de uma forma de aplicação nada prática e anti-higiênica. Ou você pegaria emprestado o Bi-O de um amigo caso tivesse esquecido de levar desodorante para uma viagem?
A Garnier promete 48 horas de proteção graças ao poder da “acti-cuteíne”, uma substância de mentirinha que foi inventada não em seus laboratórios, mas no seu departamento de marketing. É óbvio que um cientista de boa reputação não dedicou 2 dias de sua carreira para descobrir se isso funciona. E duvido que tenham testado em humanos dos mais diversos grupos étnicos e com diferenciadas características genéticas, com 2 grupos de controle e tudo mais que uma boa pesquisa de eficácia exige.
A jogada de marketing é que em nenhum momento eles alegam que você ficará sem feder 48h. Eles dizem “proteção 48h”. Se você resolver processar a Garnier porque a propaganda enganosa fez você se dar mal em uma entrevista de emprego, certamente um advogado vai alegar que “proteção” é um conceito amplo e todo aquele blábláblá...
Mesmo com toda esta impressão negativa antes mesmo de aplicar o produto, resolvi seguir em frente. Afinal, tenho que fazer uma resenha completa e manter o meu profissionalismo.
Depois de passar o desodorante, me senti melado por uns 20 minutos, até a parada secar. E, quando secou, ainda fiquei com uma sensação de que “havia algo no meu suvaco”. O cheiro não é ruim e ele segurou a onda por 26 horas com uma certa atividade física. Não fiquei 48 horas testando porque outras partes do meu corpo começaram a cheirar e fui obrigado a tomar banho. Talvez quando inventarem um “Vagisil masculino” com o tal do “acti-cuteíne” eu tope o desafio. Até lá, vamos dizer que o Bi-O se mantém eficaz por um período mais do que necessário para alguém acostumado a tomar um banho por dia.
Eu recomendo? Bom, se você não tiver pêlos no suvaco, gostar da sensação de coisas meladas em sua pele, precisar de uma embalagem compacta que não ocupe lugar em sua “necessaire”, vai fundo. Você ficará bem protegido nas suas raves de final de semana (sim, porque a situação mais plausível que eu imagino alguém ficar 48h sem banho é em uma rave).
Nota final: 3 em 10 Trés de Marchand possíveis.
Destino final do produto: Vou devolver para o Silveira. Quero ver se ele vai ter nojo de usar algo que já passei no meu suvaco.
Ps. Essa resenha foi patrocinada por um amigo que me entregou o produto em mãos. Ainda estou com dificuldades de encontrar uma caixa postal para receber os produtos, aguardem mais alguns dias para eu descolar uma solução que seja mais prática para ambas as partes.
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